Stanley é um jovem apaixonado por Daisy, sua colega de trabalho. Como se lidar com ela não fosse sua única preocupação, ele logo percebe que sua cidade está sendo assolada por um estranho infortúnio: as pessoas, incluindo seu melhor amigo e a própria Daisy, estão virando rinocerontes.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita
Co-produção anglo-canadense-estadunidense da The Ely Landau Organization Inc., Cinévision Ltée e The American Film Theatre indicado ao Grande Prêmio no Festival de Cinema Fantástico de Avoriaz. O filme foi baseado na peça homônima do romeno Eugène Ionesco (1909-1994). Este filme é uma versão da produção dinamarquesa feita para a TV Næsehornet (72).
Zero Mostel (1915-1977) ganhou o prêmio Tony de melhor ator em peça de 1961 por "Rhinoceros" como John e recriou seu papel nesta produção filmada. O diretor Tom O'Horgan (1924-2009) afirmou que escalou Gene Wilder (1933-2016) como Stanley por causa da maneira como ele havia trabalhado com Mostel em Primavera para Hitler (67), de Mel Brooks.
Esta comédia dramática romântica de fantasia é uma sátira absurda sobre a conformidade e a moralidade servil que gera monstros políticos. Os rinocerontes do título nunca aparecem, a não ser, o efeito obtido por meio de sombras, sons, trabalho de câmera e adereços. Um dos filmes mais bizarros que vi dos anos 70 e é do tipo "ame-o ou odeie-o".
Não consegui assistir, muito ruim.
"Se George Orwell e Aldous Huxley colocavam seus protagonistas em sistemas totalitários já formados e estáveis, em obras do Absurdo como em Beckett e Ionesco encontramos a gênese existencial de todo totalitarismo. Parece que Beckett e Ionesco estão sempre questionando: como foi possível acontecer? O que há de tão mal no espírito humano a ponto de ter banalizado a destruição, ódio e intolerância.
Rinocerontes consegue manter o principal tema de Ionesco: o contágio – quando o envenenamento psíquico se normaliza aos olhos de todos. Torna-se sedutor, belo e até motivacional. Tornando as pessoas mais assertivas e supostamente autoconfiantes, pela falta de autocrítica. Muito próximo daquilo que o pensador Theodor Adorno chamava de “concepção fascista de vida”.
Ionesco concentra-se na gênese psíquica do fascismo: o instinto gregário, expressado no ser humano pelo medo da solidão, muito pior do que a morte, segundo Freud. Claro que essas manadas descontroladas de rinocerontes que destrói tudo que se ponha na frente precisa ser direcionada. Essa energia instintiva necessita ser canalizada por algum tipo de agenciamento para se tornar socialmente produtiva. E a expressão política dessa energia psíquica será o totalitarismo e o Estado policial."