Acusavam, durante a mesma Mostra de Tiradentes em que esse filme estreou, "Natureza Morta" de academicista. Mas esse aqui é um exemplo muito maior desse termo, porque além de ser obviamente e assumidamente academicista (uma reverência a Bertolt Brecht, com citações de Adorno, Mário de Andrade, entre outros), também é uma obra que não chama para o diálogo. Representa a fome, mas sob uma visão, eu ousaria dizer, quase elitista. Escolhas estéticas não se justificam, o preto e branco, nesse filme, não passa de um recurso de perfumaria, e a insistência em aproximar a linguagem cinematográfica da linguagem teatral é, no mínimo, questionável, considerando sobre o que ele é quer falar. É um tipo de filme que é feito por e para um grupo específico, explorando uma série de "objetos de estudo" aos quais o trabalho final nunca vai chegar, e não tem problema nenhum em não chegar (até porque é difícil mesmo no Brasil), mas a impressão que fica aqui é que ele NÃO quer que chegue. E isso, eu acho problemático.
Vi o filme por mera casualidade (sendo a sua curta duração o maior chamariz, além do fato de que eu também sentia fome naquele momento - no sentido socioeconômico do termo) e adorei o modo preciso com que ele reproduz o 'verfremdungseffekt' brechtiano. A fotografia é muito bonita e as interpretações são monocórdias, o que causa um ótimo contraste em relação à fealdade das situações de exploração classistas apresentadas. O contexto de época é indefinido e há mais de um texto clássico amalgamado no roteiro, que conta com atores excelentes e um direção inteligentíssima para fazer-se filme e correlato à realidade nacional. Adorei o que vi: extraordinário experimento! (WPC>)
Como diria o grande professor Cerginho da Pereira Nunes: "Doidera!"
Acusavam, durante a mesma Mostra de Tiradentes em que esse filme estreou, "Natureza Morta" de academicista. Mas esse aqui é um exemplo muito maior desse termo, porque além de ser obviamente e assumidamente academicista (uma reverência a Bertolt Brecht, com citações de Adorno, Mário de Andrade, entre outros), também é uma obra que não chama para o diálogo. Representa a fome, mas sob uma visão, eu ousaria dizer, quase elitista. Escolhas estéticas não se justificam, o preto e branco, nesse filme, não passa de um recurso de perfumaria, e a insistência em aproximar a linguagem cinematográfica da linguagem teatral é, no mínimo, questionável, considerando sobre o que ele é quer falar. É um tipo de filme que é feito por e para um grupo específico, explorando uma série de "objetos de estudo" aos quais o trabalho final nunca vai chegar, e não tem problema nenhum em não chegar (até porque é difícil mesmo no Brasil), mas a impressão que fica aqui é que ele NÃO quer que chegue. E isso, eu acho problemático.
Vi o filme por mera casualidade (sendo a sua curta duração o maior chamariz, além do fato de que eu também sentia fome naquele momento - no sentido socioeconômico do termo) e adorei o modo preciso com que ele reproduz o 'verfremdungseffekt' brechtiano. A fotografia é muito bonita e as interpretações são monocórdias, o que causa um ótimo contraste em relação à fealdade das situações de exploração classistas apresentadas. O contexto de época é indefinido e há mais de um texto clássico amalgamado no roteiro, que conta com atores excelentes e um direção inteligentíssima para fazer-se filme e correlato à realidade nacional. Adorei o que vi: extraordinário experimento! (WPC>)