Pastores do Sol

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Pastores do Sol (1989)
Wodaabe - Die Hirten der Sonne. Nomaden am Südrand der Sahara
Média do filme: 4.1 de 5 — baseado em 49 votos
MÉDIAFILMOW
4.1
49 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Werner Herzog
País de origem Alemanha 🇩🇪
Duração 48 min None
Status Streaming

Dirigido por

Duração

48 minutos
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Sinopse

Documentário sobre o povo Wodaabe da região sul do Sahara. Herzog dedica atenção particular aos rituais de namoro e conquista, sobretudo ao Gerewol.
O Gerewol é uma espécie de "concurso de beleza" onde - através de maquiagem e movimentos corporais - os homens jovens se esforçam para serem notados pelas mulheres, que elegem o mais belo da tribo e escolhem seus parceiros.

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Comentários 1
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No sul do Saara vivem os Wodaabe, um grupo nômade que adora a beleza. Após quatro anos de terrível seca, a população Wodaabe foi quase dizimada e os poucos sobreviventes estão tentando sobreviver nas fronteiras das cidades. Os Wodaabe - um subgrupo do povo Fulani - têm a distinção de se considerarem as criaturas mais belas da criação. Eles adoram a beleza, embora agora sejam obrigados a sobreviver em um deserto de lixo, pobreza e miséria. O sul do Saara foi marcado por uma terrível seca entre 1984 e 1988, que dizimou a população Wodaabe e empurrou os sobreviventes para as fronteiras das cidades. Forçados a abandonar seus territórios ancestrais, eles se sentiram perdidos e sabiam que esse poderia ser o fim de sua cultura e de seu modo de vida nômade. As grandes chuvas de 1988, as mais fortes dos últimos sessenta anos, marcaram o fim da seca, mas os danos são profundos demais para que os Wodaabe se recuperem. Herzog não é um sonhador, ele não idealiza o passado ou algum modo de vida "puro" onde o homem vive em simbiose com a natureza. Ele mostra as terríveis condições de vida desses grupos saharianas, sua miséria, sua fome, seu desespero quando as estações mais amenas trazem grama que é imediatamente coberta por nuvens de gafanhotos. O que interessa a Herzog é ver como o homem é capaz de viver em lugares que fazem tudo para rejeitá-lo. Para ver como, apesar da terra árida e inóspita que é a deles, os Wodaabe conseguem celebrar a beleza. Um povo moribundo, o Wodaabe celebra todos os anos Geerewol, o festival da chuva e do amor. Os homens se preparam por muito tempo, se maquilham, fazem roupas preciosas e depois dançam na frente das mulheres da tribo reunidas para a ocasião. Eles alargam seus olhos e congelam seus rostos em sorrisos que mostram seus dentes branqueados, sendo a beleza dos homens determinada pela quantidade de branco visível em seus rostos. Enquanto dançam e contorcem seus rostos, as jovens mulheres sussurram umas para as outras, conversam, riem, brincam e brilham, Herzog divertiu-se filmando-as como adolescentes à porta de uma escola secundária. Após a dança, as mulheres escolhem um homem para passar a noite, às vezes para a vida. Wodaabe certamente não é um filme inesquecível de Werner Herzog, mas encontramos nele essa forma de poetizar a realidade por meio do mise en scène que o torna um dos grandes cineastas do gesto documental. Assim, o tema profundo do filme está inscrito na forma como o cineasta filma suas personagens. Ele não explica seu contexto social ou histórico, isso deixa para a antropologia, ele não age como etnólogo, ele reúne elementos de suas vidas para contar algo sobre toda a humanidade. A primeira aparição dos homens Wodaabe na tela é surpreendente. Herzog os filma em maquiagem, em close-up. Olhos largos e sorrisos de muitos dentes preenchem a imagem ao subir um coro de Ave Maria. O espectador que espera um relatório sobre a vida de um grupo africana é completamente apanhado desprevenido, a discrepância entre imagem e som dando a impressão de que Herzog está filmando um povo de outro planeta tentando se comunicar conosco; nisso Herzog não foge a tradição colonial Alemã, que dizimou tantos povos pela África...de tudo resta um pouco, afinal! Ao longo do filme, Herzog joga sobre tais contrastes, desarmando qualquer exotismo para dar substância à questão da alteridade. Uma alteridade que diz respeito tanto ao homem e à natureza (a terra inóspita, um grande tema herzogiano) quanto ao homem; pois Herzog não só mostra a incrível diferença e riqueza cultural entre o Ocidente e a África (por meio do choque causado pela imagem e pela música; afinal são eminentemente diferentes!), mas também destaca a lacuna entre os Wodaabe e os grupos que lhes estão muito próximos. A alteridade está em toda parte e nos perguntamos como a Humanidade consegue existir apesar de tudo. É o uso da Ave Maria que, em parte, causou-me estranheza, como a tentar obter um selo de qualidade humana ao documento, não sei!. Aparece mais uma vez durante a festa e quando Herzog muda abruptamente dessa para imagens terríveis das condições de vida dos Wodaabe, o refrão continua, ligando assim a celebração da beleza e da pobreza do grupo, a celebração da vida e a anunciada morte de um povo. Esse belo movimento pendular, hora aqui, hora acolá, é o coração de um filme que é simples e formalmente muito interessante, e que mais uma vez sintetiza o questionamento de Werner Herzog sobre a relação do homem com o mundo. O Filme deve ser visto e, como dizia Lévi-Strauss, deve ser pensado!

julianaboaventura
Juliana
½
8 anos atrás

Fez-me sair do espectro da civilização ocidental para refletir sobre a vida em outras formas! Relação homem-mulher aparentemente digna. Recomendo!

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

No começo pensei que as mulheres estavam "fritas", até descobrir que eram homens em um concurso de beleza onde os dentes e os olhos são mais avaliados! O Ave Maria irrita mesmo no início!

editado
anaclaracampideli
Ana
10 anos atrás

Perfeito esse concurso! E que homens lindos!

pseudokane3
Wesley PC>
11 anos atrás

Incomodei-me sobremaneira com o uso da "Ave Maria" numa das cenas iniciais, mas, afora isso, apreciei bastante a imersão antropológica do diretor, que, como de praxe em sua obra, requestiona as interações ambientais e interpessoais de maneira poética e impressiva. A tribo retratada no filme é fascinante, bem como os rituais respeitosamente perscrutados pela câmera. (WPC>)

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