"Little Muders" é a história da apatia, do “movimento pela apatia”: da neurose da psicose de se viver aprisionado. É a psicose da galinha olhando o ovo, estranhando o ovo que acabou de botar e MASSACRANDO aquela coisa estranha que comemos, que vira omelete ou objeto de Páscoa e que Colombo colocou em pé. Mas o apático fotógrafo (Elliot Gould), assim como uma galinha infértil, só faz mesmo é fotografar “merda de cachorro”. Ah, e é espancado por gangs de NYC nos anos setenta enquanto sonha. Sonha. Sonha em querer sonhar como um quase Hamlet, um quase ham omelett. O resto, em sua volta, é muito barulho, muito barulho, e muitas balas voando, muita gente falando, muita gente no armário, muita classe média, o sonho americano ruindo nos anos setenta sob Nixon, muita gente se auto-flagelando e auto-baleando.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Assisti em 31/08/1978, quinta, no canal 12 (hoje RBS ou Globo), em Sessão da Tarde. Na época anotei que os assassinatos praticamente não são mostrados.
- O que você quer fazer? Apenas sobreviver?
- E tirar foto.
- De cocô? Não é o suficiente.
É um filme que se diz super caótico, mas acaba sendo de um jeito caricato, até meio óbvio, e não inovador. Algumas piadas não envelheceram bem e algumas cenas, como aquela em que a Patsy apresenta sua família ao Alfred, funcionariam melhor no formato televisivo, de uma sitcom. No fim, é uma mistura muito intensa de um filme do Buñuel dos anos 60 com uma comédia maluca dos anos 30. O protagonista é tão maduro e decidido quanto um recém-nascido, mas também existe charme na apatia.
P.S.: Donald Sutherland nos anos 70... Que homem!
Que filme fabuloso!!!
210. (04/01/2019)
QUE DOIDEIRA!!!!
Ou não?
Acho que pra resumir bem, é um filme que destila crítica as instituições, desde religião, família, governo, polícia, cultura.... por ai vai.
O monólogo do pai da Patsy, quase no final, me lembrou muito o brasileiro de hoje, descontente com a segurança, que beira ao desespero da família tradicional (que prova que o filme é atual até hoje - sim, Brasil, em 2019!!!). E os pais do Alfred, eruditos, que porém não resolvem nada (cito esse exemplo por ter feito uma faculdade de humanas que de mais, só existe papo - pra mim, puta crítica).
- Achei esse filme buscando algo mais sobre a Doris Roberts. Que coisa, não!
- "Quando te vi, achei a pessoa mais impressionante, mas resolvi ser eu mesmo, pq sabia que vc não iria se apaixonar por mim" - mais ou menos uma frase que Albert fala, que resumi minha vida amorosa ahahahhaha
Um conselho: é preciso esvaziar a cabeça de tudo para entrar no clima desse filme e aproveitar ao máximo de suas ideias, pois Little Murders (não deixem se levar por esse título) funciona como uma metralhadora absurda que cospe ininterruptamente para todos os lados, porém não é exatamente de balas que estamos falando, mas sim de críticas que rasgam e subvertem assuntos que vão ser pauta de discussão até as próximas gerações.
A única coisa que eu não consigo entender até agora é o fato dessa obra tão provocante permanecer escondida do grande público até hoje, sequer é mencionada por aí (eu pelo menos nunca tinha ouvido falar). Quase impossível escolher o melhor momento do filme, embora eu vou lembrar bastante da cerimônia de casamento dos protagonistas lideradas pelo juiz Donald Sutherland. É uma pérola americana! Descubram!