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Em um mundo pós-apocalíptico, em que grande parte da população consiste de mutantes deformados e dementes mantidos em colônias isoladas, um homem embarca em uma viagem com a intenção de visitar as ruínas de um museu isolado no meio de um novo oceano, resultado do derretimento das calotas polares. Mas no seu trajeto, ele é tomado como um há muito esperado messias, e logo acaba envolvido em uma rebelião em prol da libertação dos mutantes, tendo o seu destino alterado fatalmente. Profético e alegórico, “O Visitante do Museu” retrata a nossa atual incapacidade de redenção de maneira crua e por vezes cruel.
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Incrível!! Gosto muito da crueza soviética em retratar o fim do mundo, como é bom ver filmes que vc sente o cheiro do metal e da poeira, ao invés de atores interagindo em fundo verde...a cena final é maravilhosa, pqp
Maravilhoso. Um filme para aqueles que amam o verdadeiro cinema.
Há algum tempo espalho por aí que o melhor da Glasnost e da Perestroika, para além do seu desastre econômico e político, foi no campo artístico - trouxe aos soviéticos um cinema de força tal que só tínhamos visto nos tempos sadios da gloriosa Revolução de Outubro (1917-1927).
Isso porque, ao exemplo de Tarkovsky, Mayakovsky, Akhmátova, Shepitko, Mandelstam e tantos outros, viram-se em conflito artísticos (por sua vez também político) com a casta burocrática dominante na URSS.
Então Lopushansky, assim como tantos outros cineastas de sua geração, não apenas na RSFSR, mas em outros países, puderam colocar para fora aquilo que há tanto se apresentava oculto. Temas como religiosidade, moral, pessimismo; mas também esperança, fé, desejo (mesmo nudez) e principalmente questionamento, voltaram ao cenário poeirento de um dos cinemas mais potentes do mundo, mesmo que completamente congelado.
O descongelamento foi principalmente no campo da arte; Posetitel Muzeya está aí para provar. "Tudo deve perecer, tudo está repleto de mentiras". ~~ A sombra catastrófica e ousada de um tempo.
Como ajudante e seguidor de Tarkovsky, Lopushansky emula o cenário pós-apocalíptico nuclear tal como no filme Stalker, mas dando a sua tônica (seus próprios conflitos existenciais, sua própria estética). Tirando a inevitável comparação entre professor e aluno, a narrativa do filme acabou saindo um pouco dos trilhos. Porém, ele tem a sua importância dentro do cenário de ficção científica do período soviético, e é deslumbrante o uso da fotografia, que remete ao expressionismo alemão nos cenários vermelhos e amarelados.
Vai fazer um pouco mais de sentido se interpretado como uma sequência de "Cartas de um Homem Morto", no qual o tal museu ao qual fazem menção no título e no começo da trama aparece.
Porém, diferente do longa anterior de Lopushansky, nesse aqui ele sucumbe ao excesso de pedantismo e falta de coesão narrativa, principalmente na segunda metade, quando a busca pelo museu é simplesmente esquecida e o roteiro dá espaço para um monte de diálogos cheios de nhenhenhém religioso que não levam a lugar algum. Quanto mais Lopushansky tenta dar uma de Tarkovski, pior o filme vai ficando.
Mesmo com esses problemas, não é um desastre completo porque, tal como em "Cartas de um Homem Morto", é recheado de cenas esteticamente brilhantes, digna de um pesadelo filmado, como a caminhada no mar envolto em tempestade ou a linha de trem que passa no meio das carcaças de maquinário.