“O Cruzeiro” é considerado uma obra prima por muitos, e foi um dos primeiros filmes poloneses a receber o status de cult. Nele um grupo de pessoas embarca em um cruzeiro, afastando-se das demandas do trabalho e da rotina, mas logo acabam por introduzir sistemas recorrentes na sociedade ao cruzeiro. Rodado em um peculiar formato, e com um elenco de não mais que dois ou três atores profissionais, essa absurda comédia satiriza a vida na polônia, o sistema comunista e até mesmo o cinema polonês.
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Ok, mais um filme polonês a zombar da burocracia comunista... Com o diferencial de que este é autocrítico, que zomba da própria monotonia imposta. Que leva ao exagero o cinismo de sua proposta satírica, como se fosse algo à la CQC, "Pânico na TV" ou algo assim: achei o humor rasteiro e pretensioso, muito similar ao que o Ruben Östlund faz em seus filmes premiados (sic). Gosto da musicalidade cômica do mestre Wojciech Kilar, gosto dos comentários sobre tese, antítese e síntese e gosto do instante em que "tipos de aplauso" são elencados, mas tudo isso se perde no cinismo insuportável da obra, que beira o machismo nalguns momentos. Fiquei tão desconfortável com a falta de proposta do mote político do filme, que, em minha desapreciação, soou como um rechaço de classe média centrista contra as tendências de uma proposta fracassada pela ditadura de muitos, mas não pela idealização do programa ensejado. Sinceramente, tive a impressão de testemunhar um cuspe no próprio prato, sujando ainda mais aquilo que já estava suficientemente espezinhado. Talvez eu compreenda melhor as suas intenções, numa revisão, mas, neste primeiro contato, detestei. Urgh! (WPC>)