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Data de lançamento
20 Ago. 2021Duração
Nicolas Bannister (Hugh Jackman), um veterano solitário e exausto, vive numa Miami de um futuro próximo, coberta pelo mar devido os efeitos do aquecimento global. Sua principal habilidade é conseguir recuperar memórias queridas de seus clientes, mas sua vida muda quando ele fica obcecado pela sua nova cliente.
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Tem Alguns Spoilers...
Miami, futuro próximo. Uma cidade que vive quase engolida pelas águas, sufocada por um calor insuportável. Uma cidade que sobrevive no apocalipse do aquecimento global, onde a rotina se adapta com a água até a canela — dormindo de dia para fugir do mormaço e acordando à noite na tentativa de respirar. Convivendo com a escassez de terra firme, o lugar é dominado pelos "Barões da Terra", sujeitos que usam a força bruta para manter o controle no caos daqueles que parecem ser os últimos dias do mundo.
"É nesse cenário desolador que eu ganho a vida. Meu nome é Nick Bannister, e eu não investigo pegadas ou impressões digitais. Eu escavo vidas, eu escavo memórias. Minha máquina de imersão oferece a única coisa que essa gente desesperada e sem esperança deseja: a ilusão das memórias do passado. Em um mundo sem futuro, a nostalgia virou a droga mais pesada da praça.
Até que ela cruzou a porta do meu escritório. Mae. Vestido vermelho, olhar misterioso e uma desculpa qualquer sobre chaves perdidas. O que parecia ser apenas mais uma cliente se transformou numa paixão avassaladora, daquelas que queimam por dentro e cega o sujeito. Mas nesse universo de sombras, a felicidade dura pouco. Da mesma forma rápida que entrou na minha vida, Mae desapareceu sem deixar vestígios.
A partir dali, a razão deu lugar à obsessão. Minha busca por ela virou uma doença, uma caçada cega por becos escuros, esquemas corruptos e perigos mortais. Cada memória que eu escavava me afundava mais em uma teia perigosa de conspiração e ganância, onde a linha entre o que era amor verdadeiro e o que era uma fachada começou a se apagar.
Se eu não acabei no fundo do oceano antes do tempo, foi por causa da Watts. Ela é meu braço direito, minha âncora de realidade e a única pessoa que sobrou pra salvar o meu mundo quando a minha obsessão pela Mae virou loucura pura. Enquanto eu corria às cegas atrás de fantasmas, mergulhado num estado de paranoia e desespero, era a Watts que mantinha o gatilho engrenado e a cabeça fria pra me tirar das piores enrascadas e brigas de rua.
Eu estava cego, perseguindo uma rede de conspiração que envolvia figurões da cidade, bandidos de esquina e segredos que deviam ter ficado submersos. Mas a verdade é que no meio de toda essa sujeira, a dor maior não foi a conspiração em si, mas descobrir que o amor da Mae por mim não era mentira. O desfecho dessa minha caçada foi trágico, sem pra heroísmo de cinema e pra finais felizes. Quando o véu da ilusão caiu, quando o pouco de meu mundo se afogou, só me restou uma escolha: o coma voluntário pro passado. Eu escolhi ficar preso pra sempre no loop da minha melhor memória com ela, trocando a realidade fria e apodrecida de Miami pelo único sonho que me mantinha vivo."
Reassistir a "Caminhos da Memória" foi uma baita surpresa. Se na primeira vez o filme passou a impressão mediana e um pouco decepcionante, essa segunda visita revelou uma obra muito mais densa, melancólica e corajosa no seu melodrama. O elenco segura a produção com uma entrega absurda. Hugh Jackman passa o peso exato de um homem destruído pela paranoia e pela paixão, Rebecca Ferguson exala o charme dramático da femme fatale com uma vulnerabilidade dramática no final, e Thandiwe Newton domina as cenas de ação com uma presença forte e visceral.
O único deslize real do filme fica por conta da sua direção de arte e fotografia. Por vir do universo das grandes produções de TV como "Westworld", a diretora Lisa Joy acabou entregando um visual por vezes limpo e polido demais. Um filme noir pós-apocalíptico com essa carga de tragédia pedia uma iluminação mais sombria, mais densa, com cenários mais sujos, escuros e realistas, que fizessem quem assiste sentir o mofo e o peso daquela cidade nas costas.
Mas isso não atrapalha muito a imersão, gostei muito de rever "Caminhos da Memória". É um sci-fi noir instigante, que foge dos clichês bobos de Hollywood e entrega uma reflexão dolorosa sobre o perigo de se viciar e viver perdido no passado, tentando reencontrar com pessoas que a gente perdeu no presente.
Lisa Joy nos trás um drama narrativo com Hugh Jackman em um ambiente com estilo de filme muito semelhante ao que vemos nos anos 90; seguindo uma narrativa pela personagem principal na qual complementa as imagens de uma Miami inundada pelo mar. Uma série de cenas que entrelaçam o passado ao presente e trabalham a questão do sentimento de nostalgia muito bem, tendo um grande mistério inicial da personagem de Rebecca Ferguson: Mae. Porém, essa sensação é apenas passada no começo.
Após entendermos o funcionamento da máquina da nostalgia, Joy nos entrega o plot da situação desde o princípio do longa, explicando desde o inicio o que está acontecendo e como irá acontecer. Creio que o melhor artificio que ela poderia usar que é a dúvida se Nick (Hugh Jackman) está mesmo dentro da máquina e se a situação que estamos presenciado é mais um fruto da nostalgia - seria algo como foi retratado em Vanilla Sky (2001). Além disso, ao invés de extrair o máximo da personalidade das personagens, só vemos isso inteiramente em Nick, e inicialmente em Mae, porém, parece que Joy reverteu a situação como se quisesse concertar e nos trazer um final "triste mas feliz" onde tudo é concluído com sucesso (?).
Assim, esse drama investigativo cheio de mistério e futurístico poderia ter aceitado a inundação inevitável dos sentimentos que a nostalgia nos dá após passar: a melancolia. Ao invés disso transpassa a impressão que não há efeitos colaterais e que é melhor nos agarrarmos ao passado do que melhorar nosso presente. Além disso, acaba não aprofundando tanto a situação como inicialmente nos aparenta que irá, como se a própria Joy ou o estudio, não quisesse aceitar a inevitabilidade do processo que as personagens estavam passando e torna algo bem superficial e genérico no fim.
Ah... sinceridade? Nada de novo aqui... parece q os filmes depois de 2020 são mais repetitivos, um copy & paste de roteiro/clichês... Mas é bonzinho, entretem sem fugir ao estilo (sem novidades).
20/07/2025
Esse recado foi MODERADO.
Motivo: Infração dos Termos de Uso. Comentários ofensivos.
Equipe Filmow.com