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O reboot de uma das sagas mais bem sucedidas de Jackie Chan (Senior Chan) nos imerge em uma série de planos sequência de ação proporcionado pela tecnologia do século XXI. Desde corridas sobre telhados, descendo de prédios e perseguições de veículos; Jackie nos traz todo o potencial de sua capacidade acrobática e dramática em um filme de ação Policial muito envolvente.
Porém, New Police Story nos traz um drama maior do já vistos anteriormente, por mais que haja diversas cenas de luta e ação, o filme sempre tenta insistir na carreira de Chan mostrando como o ex-policial tornou-se abalado psicologicamente com o problema que sua equipe sofreu ao longo de sua carreia que acarretou na morte de seu time. No entanto, apesar de papeis dramáticos não serem novos na carreira de Jackie, a persistência torna-se desgastante, mesmo quando a personagem interpretada por Nicholas Tse: Zheng, demonstra que as ilusões passadas de Senior Chan não auxiliarão em resolver a situação.
Não obstante, isso torna New Police Story algo diferente visto anteriormente, ao demonstrar que o “Supercoop” também pode sofrer traumas, ainda por cima quando se vê ao longo do enredo a perversidade e vida traumática em que o “Vilão” passou, mesmo que este seja algo muito curioso e pouco trabalhado. Portanto, mesmo com um leve toque nesse assunto, torna-se peculiar a forma como o filme decorre pois observa-se algo que não se via muito nos filmes anteriores de Jackie: O “Lado do vilão” mesclado com ação e comédia.
Então, acredito que Benny Chan (Diretor) soube muito bem manejar a forma “Policial” da atualidade e utilizar as cenas de ação combinando-as com as habilidades de Jackie Chan. Contudo, apesar de pouco elaborado, o filme possuí certa malícia em relação a capacidade de que um trauma pode causar às ações de uma pessoa por mais que a essas cenas possam ser seguidas de planos sequência de ação e comédia.
Usualmente filmes que apresentam um senhor de idade já aposentado de seus feitos passado (valendo tanto para o ator quanto para a personagem interpretada), vemos com a esperança de que esses feitos retornem ao longa de maneira incrível e épica. No caso de The Bodyguard estrelando um grande ator e lutador de artes marciais : Sammo Hung ressurgindo das cinzas no banco da Direção do filme e sendo a personagem principal.
Assim sendo, fica evidente a fórmula que Sammo utiliza: passado trágico, aposentadoria, motivação para sair da aposentadoria; algo muito comum em diversos filmes, principalmente os de ação. Hung maneja de forma muito divergente de seus filmes de comédia, demonstrando um idoso chamado Ding com problemas de demência em seu inicio, o ator desenvolve tal aparência que pode fazer o espectador acreditar que o ator possui. Não obstante, o interessante do filme para neste ponto, pois mesmo com Andy Lau como coadjuvante, o filme não se desenvolve e apenas cria uma expectativa de "retorno do aposentado" cada vez maior a ponto de se tornar um longa bem arrastado e muito enfocado nos problemas do Ding (Sammo Hung); fator não muito comum em seus filmes, trazendo certa estranheza para os fãs de longa data.
Então, The Bodyguard, segue na tentativa desesperada de se fazer um drama; o desenvolvimento da doença que acomete Ding é deveras interessante e os problemas acarretados pelo personagem de Andy Lau (Li Zheng-Jiu) são bem envolventes. Porém, essa destoancia de acontecimentos não se unem muito bem no filme, tornando o fim tão esperado apenas uma cena vaga de luta, vendo que a construção de mais da metade do longa aparentou ser dispensada.
Para tanto, em 2017 estrearia The Foreigner dirigido por Martin Campbell, onde demonstra um dos amigos mais queridos de Sammo Hung: Jackie Chan, em uma situação quase semelhante a de Ding e seguindo uma fórmula semelhante ao dito anteriormente. Contudo, talvez pela experiencia de Campbell nessa área, a união dos acontecimentos externos combinam-se de forma mais completa que em The Bodyguard.
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O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
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O dia começou como qualquer outro dia rotineiro. A única diferença é que decidi ir a um restaurante de lámen próximo à minha casa, no qual já havia comido antes. Lá conheci um futuro colega; acabamos sentando juntos devido à falta de espaço nas outras mesas. Começamos a conversar e me pareceu que aquela era sua primeira viagem à Europa e também seu último dia ali. Inclusive, estava com suas malas e pertences consigo.
Ele, japonês, aproximadamente 34 anos, parecia muito feliz por conversar comigo e por ter me conhecido, como disse em seu inglês super limitado. Nos despedimos e o mesmo foi à sua última parada na cidade. Trocamos contato e seguimos a vida.
Algumas horas depois recebo uma mensagem urgente dele. Parece que havia deixado seu passaporte e todo seu dinheiro convertido dentro de um ônibus municipal. Rapidamente tentei ajudá-lo ligando para a companhia de transporte e ao mesmo tempo dizendo que deveria ir diretamente à embaixada. A empresa disse que não poderia ajudar, a embaixada estava fechada e ele estava desesperado: perderia seu voo e não sabia falar nenhum outro idioma além do japonês.
As horas passaram e ofereci abrigo até que ele conseguisse sair daquela situação. No dia seguinte, após batalhar muito entre idas e vindas na embaixada, com meu apoio indireto, ele chorou algumas vezes ao longo do dia. Tentei consolá-lo apenas com minha presença e bons pensamentos. Sua primeira viagem. Sua primeira grande perda. Seu primeiro grande estresse internacional. E sua primeira vez assistindo a uma animação de Satoshi Kon, seu compatriota.
Já era tarde quando ele finalmente conseguiu tudo para viajar no seu terceiro dia. Faltavam menos de sete horas para seu voo de volta ao Japão. Assistimos ao filme em completo silêncio e concentração. Juntos acompanhamos a obra de Satoshi Kon, com seu estilo tão colorido e contrastante, construindo diálogos rápidos e camadas dentro de emoções e ações de personagens cujas intenções pouco entendemos até a grande pantomima final.
Após aquele prazeroso silêncio cinematográfico ele se vira para mim e diz apenas: “Difícil.” Intrigante, porque eu não sabia se falava do filme, da própria vida ou até mesmo das poucas horas que o separavam do outro lado do continente.
Isso me faz refletir sobre como Paprika trabalha sonhos e sentimentos interpessoais. Talvez, assim como muitos sonhos, que não precisam ser diretos nem necessariamente possuir um significado claro, sentimentos também devam ser interpretados dessa forma. Quiçá, como diz o próprio nome, deveriam ser mais sentidos do que interpretados. Foi exatamente assim que senti o filme e talvez também o comentário dele.
Talvez Paprika não seja apenas uma alegoria sobre o ideal de quem queremos ser, mas sobre sentimentos que já somos e precisamos reconhecer, como acontece com a personagem de Megumi Hayashibara e Paprika.
Com momentos brilhantes e de quebra de consciência, Paprika alcança uma mescla entre o real e o imaginário. Não obstante, acredito que o filme se afasta um pouco de uma ideia melhor trabalhada, como em Perfect Blue, do mesmo diretor, e passa a focar mais no ambiente e no surrealismo, perdendo parte da intensidade dos personagens e, ao meu ver, deixando pouco peso no que acontecerá com eles. Ainda assim, o detetive Toshimi Konakawa e todo o primeiro segmento do filme permanecem como a parte mais intrigante e sólida da obra antes da gigantesca loucura digimônica do final.
Em outras palavras: difícil.