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Duração
Macunaíma é um herói preguiçoso, safado e sem nenhum caráter. Ele nasceu na selva e de preto, virou branco. Depois de adulto, deixa o sertão em companhia dos irmãos. Macunaíma vive várias aventuras na cidade, conhecendo e amando guerrilheiras e prostitutas, enfrentando vilões milionários, policiais, personagens de todos os tipos.
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cinema brasileiro dos anos 60 e 70 tinha essa capacidade rara de misturar o absurdo com a crítica social sem pedir licença a ninguém. Nesta adaptação, o que mais chama atenção de imediiro é o cuidado com a imagem. A fotografia captura as cores da floresta e da cidade de um jeito que parece quase orgânico, as composições são inteligentes e o ritmo das cenas nunca fica preguiçoso. Dá para sentir que havia gente atrás da câmera que sabia exatamente o que estava fazendo.
As atuações também entregam. Grande Otelo carrega o personagem principal com uma mistura de ingenuidade e malícia que funciona na maior parte do tempo. O elenco ao redor acompanha sem forçar, e há momentos em que o humor físico e o exagero teatral se encaixam bem com a proposta. Ninguém parece perdido no meio da loucura proposta pela história.
O problema está no que sobra depois que a técnica e os atores fazem o trabalho deles. A narrativa se espalha demais. As ideias do livro original, que já são fragmentadas e delirantes, acabam diluídas em sequências que não conversam direito umas com as outras. Em vários trechos dá a impressão de que o filme está mais interessado em criar imagens impactantes do que em fazer o espectador acompanhar de fato a jornada do personagem. O resultado é uma experiência visualmente rica, mas emocionalmente distante.
Queria ter gostado mais. O livro é mil vezes melhor. Seria legal um novo filme de Macunaíma, um dos personagens mais brasileiros que eu já conheci! Achei totalmente desnecessário chamá-lo de comunista! No livro isso não é dito nem sugerido, e esse foi o principal motivo de eu não ter gostado da adaptação. Macunaíma é justamente o tipo de personagem movido por interesses egoístas, de pensamento ambíguo, que desafia regras morais e sociais e zomba de qualquer autoridade e convenção. Transformá-lo em um personagem politicamente definido tira parte da magia e da complexidade do livro, independentemente da época em que o filme foi lançado. Entretanto, as atuações são bem convincentes
Uma aventura surreal, psicodélica e totalmente brasileira!
É uma obra antropofágica — ela devora o estrangeiro e o nativo para criar algo inteiramente novo. É bizarro, engraçado e profundamente melancólico.
Que surrealismo sem fim!! Teve horas que me incomodou, outras eu só deixei tudo acontecer. As cenas nas ruas são muito boas, assim como as expressões.
Nota: só foi ficar branco que virou racista né.