Muito interessante a forma como o filme utiliza esses personagens dentro do próprio universo. Existe muita personalidade na maneira como os personagens dos Looney Tunes são incorporados à história, especialmente pela situação que pode ser comparada ao mito de Sísifo e, de certa forma, ao próprio capitalismo e ao American Dream: estar sempre almejando mais, buscando mais, enquanto o próprio sistema que fornece as ferramentas para alcançar esses objetivos é também aquilo que faz você falhar, levando-o a comprar ainda mais ferramentas e, consequentemente, alimentando outro sistema dentro do próprio sistema.
De todas as maneiras, Dave Green soube fazer um filme sem destruir a personalidade tão icônica dos Looney Tunes. Inclusive, mesmo para quem não está familiarizado com os personagens, o filme consegue ser bastante fluido e ter conteúdo em sua abordagem.
Às vezes parece que o filme acaba limitado pela própria infinitude de possibilidades que possui, equilibrando-se entre “vamos entrar em um Space Jam e transformar tudo em Looney Tunes” e “vamos fazer algo mais humanístico, como Back in Action”. Essa indecisão acaba arrastando alguns momentos ou fazendo com que determinadas cenas pareçam apenas uma tela verde com personagens tentando demonstrar preocupação com um vazio que não conseguimos sentir da mesma maneira. Em outros momentos, parece que a tecnologia está ali principalmente para demonstrar o potencial dos computadores atuais, como na cena da perseguição, enquanto a importância do mercenário para a trama acaba funcionando também como uma justificativa para explorar esse potencial.
O que mais funciona em The Invite é como a construção e as viradas das situações acompanham perfeitamente o compasso do filme. Nada parece acelerar ou desacelerar sem propósito, e isso funciona ainda melhor graças às personalidades bem definidas e às boas atuações do elenco. A cada nova situação, os personagens parecem revelar um pouco mais de si mesmos, fazendo com que o absurdo se torne cada vez mais natural dentro da lógica do filme. É esse equilíbrio entre controle formal e exposição progressiva que transforma o constrangimento em motor narrativo.
Imediatamente associei o filme a Carnage (2011), de Polanski, mas curiosamente vejo The Invite como um filme superior. Enquanto Carnage constrói seu humor principalmente através do confronto e da deterioração gradual das relações entre os personagens, The Invite parece mais interessado em transformar a própria dinâmica social em uma fonte constante de imprevisibilidade. O humor nasce tanto das situações quanto das pessoas que as habitam, e, mais do que isso, nasce da maneira como desejos, ressentimentos e códigos morais distintos colidem num espaço fechado.
Isso também o aproxima de uma tendência recente de comédia que parece transformar a vida comum em uma espécie de cartoon comportamental. Splitsville (2025), de Michael Angelo Covino, me veio imediatamente à cabeça nesse sentido: situações relativamente banais, relações humanas reconhecíveis e pequenas convenções sociais são exageradas até se tornarem absurdas, mas sem perder completamente a sensação de que aquilo poderia acontecer na vida real. Em The Invite, essa fronteira é ainda mais nítida. O filme não precisa de grandes eventos externos porque o conflito já está embutido nas microdecisões, nos olhares, nas pausas desconfortáveis.
É justamente nessa fronteira entre o cotidiano e o absurdo que The Invite encontra sua graça. Não é apenas uma comédia sobre pessoas em uma situação estranha, mas sobre como pessoas relativamente comuns podem se tornar completamente caricaturais quando colocadas sob as circunstâncias certas e, ao mesmo tempo, como essas caricaturas revelam verdades incômodas sobre intimidade, ciúme e a fragilidade dos acordos que sustentam uma relação.
Não é meio bizarro que, depois de cinco anos trancado numa casa com as mesmas pessoas, você decida embarcar numa viagem pro desconhecido logo depois de ser solto?
Hoje eu me senti no próprio Cinema Paradiso (na vila Garibaldi). Aprecio muito assistir a "obras do cinema antigo" na tela grande e sinto que a experiência vale ainda mais a pena diante de um filme tão fantástico como esse.
A sessão me fez lembrar de quando assisti a Andrei Rublev com meu amigo, filme que, por algum motivo, considero meu marco inaugural de cinema clássico na tela grande. Embora eu tenha cochilado por dez segundos durante a exibição, as outras três horas na tundra russa foram tão imersivas quanto essa experiência na vila siciliana.
Há um apreço genuíno pelos personagens e um amor transbordante tanto pela arte quanto pelas vidas retratadas na história. Por meio de sua decupagem e de seu roteiro, o diretor Giuseppe Tornatore transmite uma sensação muito próxima à que imagino sentir os moradores da vila ao frequentar o Cinema Paradiso: senti-me parte daquilo e relembrei minhas risadas com Cary Grant, o encanto de Marlene Dietrich e a tensão de ver um clássico de Hitchcock.
Tudo culmina naquele rolo final de beijos censurados: mais do que uma colagem nostálgica de celuloide, é a celebração do afeto humano guardado contra o tempo. Cinema Paradiso não é apenas sobre cinema; é sobre a própria vida.
Depois de mais ou menos 10 anos que vi esse filme, eu jamais pensaria que estaria morando a poucos passos do apartamento da Manuela aqui em Barcelona. Hoje eu revisitei os pontos onde as personagens têm suas cenas, o que me fez repensar muito o peso que quase todo mundo carrega na consciência nessa história.
Um ponto que me chama atenção é que a única personagem que assimilou suas dores (desde o princípio ao fim) é a Agrado. Por ser uma mulher trans e profissional do sexo, há uma forte tendência a caracteriza-la como a mais fraca e oprimida (mas não em um filme do Almodóvar) ela começa às margens, mas acaba tendo o melhor desenvolvimento social e econômico no final. O mais incrível é que ela não precisa em nenhum momento relembrar ou provar que está em um lugar melhor; a evolução dela flui de forma natural porque ela já aceitou a mudança e a própria identidade há muito tempo. Enquanto o mundo ao redor desaba em melodrama (Mulheres a beira de um ataque de nervos?).
Em contrapartida, o foco nas demais personagens só mostra resignação e culpa. É a Huma sofrendo pelo descontrole e abuso de drogas da Nina, é a Manuela voltando para Barcelona para finalmente encarar o passado e o pai do seu filho.
Penso que o roteiro se mescla com a estrutura modernista gaudiana da cidade, representada pelos mosaicos que juntos formam uma obra, enquanto separados são vistos apenas como peças quebradas. É algo que se unifica muito com as personagens, já que o filme começa justamente com um "quebra".
É genial como o Almodóvar entrega tudo isso em pouco tempo de tela para cada personagem. Muito drama teatral para, no fim das contas, cravar que é tudo sobre as mães. Em todos os momentos fica evidente que todas as mulheres ali estão unidas pela mesma preocupação constante, seja pelo filho que vai nascer, ou pelo que já as deixou.
É incrível como os filmes do Spielberg sempre me fazem sentir como se a magia ou fantasia pudessem ser tangíveis. Se existe alguma forma de fazer com que a fina camada entre imaginação e realidade consiga ser sutil ou até transponível, ele consegue fazer isso e novamente retorna com sua temática alienígena em Disclosure Day. Definitivamente, a ideia estava centrada, apesar da baixa qualidade no CGI.
Mas, deixando isso de lado, o desenvolvimento traz um grande equilíbrio entre mistério e conclusões magníficas, sempre usando o que chamo de "Efeito Spielberg": tornar o banal em algo mágico usando câmera e luz. Em Disclosure Day, isso se traduz no espanto diante da luz extraterrestre na rotina dos personagens, enquanto a narrativa faz o espectador descobrir o mistério passo a passo, juntamente com o protagonista, tornando a experiência totalmente imersiva.
Evito rever filmes pelo mesmo misticismo que me diz que o segundo copo de café nunca será tão bom quanto o primeiro, mas A 少林三十六房 (36ª Câmara de Shaolin) provou ser uma obra-prima imune ao desgaste do tempo. Embora o cenário exterior amarre bem os derivados do filme e o folclore do Kung Fu, é na construção filmográfica dentro do templo que reside a verdadeira potência da obra. Revisitá-lo anos depois me permitiu entender a sua grandiosidade com uma profundidade que outrora me escapava, deixando a certeza de que, daqui a algum tempo, o filme me esperará para ser decifrado mais uma vez.
A frase "Eu não sei o que estou fazendo aqui, ou como vim parar aqui, só sei que devo matar", encaixa-se perfeita a Statham. Vê-se a influência de Corey Yuen Kwei em cenas de ação e cômicas com um equilíbrio de Louis Leterrier dando uma maior ênfase na trama. Apesar do filme ser como uma montanha russa, uma hora uma discussão de ideais para outra uma luta em cima de óleo, The Transporter realmente atende o aspecto ação, ação e mais ação, com dose de drama.
Acredito que poderiam até mesmo elevar o nível da impossibilidade, porém isso talvez levaria a mais cortes sem sentidos que já são um pouco repetitivos no longa, personagens sumindo do nada e aparecendo em outro lugar como se fosse mágica. (Será que isso incentivou Louis a dirigir Now You See Me?). Claro, como um filme não estou na busca pela realidade, mas é evidente a escolha de posição de câmeras e cortes sensacionais que ocorrem para Frank Martin (Jason Statham) encontrar-se em situações de conflito.
Sendo então interessante e até que bem coreografado as lutas e criativo as áreas que as mesmas ocorrem. Mesmo sendo bem ínfimo a interação e motivação em si, a personalidade e desenvolvimento de Frank é até bem explorada mesmo que as cenas com Lai (Shu Qi) exagerem a união dos dois.
Mann traz à tonalidade toda a frieza e natureza dos dramas policiais que eu já vi. Uma mistura de visões de ambos os lados da moda, no qual trabalha ainda o ambiente familiar e o das ruas. Invadimos as moradias e laços familiares das personagens e seus trabalhos nas ruas.
Um ambiente que mescla Manhunter (1986) e que pode-se ver resquícios em Miami Vice (2006). Esse fluxo silencioso que acompanha as cenas na qual ambiente e ator já "falam" tudo que deveria ser dito, expressando de uma forma incrivelmente profunda. Não só Mann consegue extrair o máximo da atuação mesclada ao ambiente, mas também nos trás uma associação com cenas de ação próxima a realidade: não há herói, não há foco em personagem para criarmos certa empatia, tendemos a torcer para os dois lados; porém, um deverá prevalecer na situação que se encontram e no fim a própria natureza deles os traí.
Heat é um dos melhores filmes policiais tensos que já vi. Sem dúvidas consegue aumentar a temperatura ao longo que o filme vai passando, até que haja a inevitável combustão.
Curioso por ser um dos poucos filmes mudo que vi cujo principal não acaba magicamente resolvendo toda a situação criada pelo mesmo com a cônjuge no fim. Neste caso temos uma comédia que se rondeia na própria comédia do começo ao fim, mesmo a situação gerada pela personagem, temos até um fim bem cômico no final.
Simplesmente divertido e intrigante como toda situação ocorre, principalmente na passagem de cenas quando 'A Garota' vai visitá-lo e há todo o efeito de disfarce e improvisação do Garoto para suplantar aquela situação.
Sua perfeição está em sua "imperfeição". Por mais que é visível o "baixo orçamento" da produção de Samurai Cop, seu plot é basicamente um reflexo dos filmes policiais americanos dos anos 80. Chega até ser intrigante falar sobre o filme, o que Amir Shervan nos trás é uma excelente visão do "Buddy Cop Movie", uma mescla do soldado especial (a lá máquina mortífera) juntamente com conceitos orientais seguindo o Buxido - o caminho do guerreiro - ainda com o estilo caseiro na filmagem transformam Samurai Cop um dos filmes mais legais e esquisitos que já vi. Como um The Room (2003), temos aqui uma obra destoante do comum, cheio de trama, romance, samurai, policiais e japoneses de mullet.
Acho interessante como Lost In Translation me passa a periodicidade de situações, independente da diferença de idade acredito que sempre teremos nossas próprias crises encrustadas nos nossos próprios mundos e situações. Acho até interessante o uso do Bill Murray, um ator que automaticamente eu associo à comédia: como o galã; e o início do filme com os glúteos da Scarlet Johansson.
Apesar desses talhes serem bem chamativos, eu acredito que sejam apenas pontos no que o longa nos trás. Lost in Translation transpassa o uso dos atores e acho que nos aproxima de uma realidade conturbada e cheia de problemas. Apesar de sentir isso sendo melhor retratado em filmes como La Dolce Vita (1960), aqui temos algo um pouco mais moderno e um pouco mais repetitivo; Sophia Coppola parece insistir um pouco no fator que há altos e baixos e essa vida é cheia de surpresas, como encontrar um ator famoso que, como um sábio, nos trás experiências de matrimônio e reascende a chama da vontade e o outro revê a juventude então se aflorando no relacionamento.
Assim, o filme é interessante e pode ser assimilável facilmente para muitos atualmente, apesar de já terem passado 18 anos e muita coisa mudou desde então. Contudo sua repetição acaba sendo muito como a própria palavra diz: repetitiva, não demonstrando nada mais aprofundado e transparece crescimento nos últimos 5 minutos finais, como uma engrenagem que apenas atrita com a superfície d'outra sem fazer a máquina de fato funcionar. Mas ainda interessante a contemplação daquela invenção maquinaria.
Tinker Tailor Soldier Spy, ou melhor: Tinker, Tailor, Soldier & Spy; demonstra um outro lado do combate entre nações com suas divergências de ideias e de progresso. Abrange um conjunto de cenas bem enquadradas e elegantes com tons britânicos (British-ish) e mesclando com a luminosidade e escuridão do ambiente, assim como as cores mortas que combinaram bem com o clima frio e acinzentado das áreas que vemos no longa.
Creio que me faltou a atenção devido as ínfimos detalhes que determinados momentos abrangiam, com muito mais a se pensar do que aquela cena realmente parecia: como uma foto entre amigos ou a menção de um nome por uma terceira pessoa que até então não fariam sentido estarem relacionados. De primeira vista tornou-se um pouco difuso qual o objetivo dos agentes e suas motivações (todos interpretados por ótimos atores). Porém, após uma busca e uma revisão de determinadas cenas, o quebra cabeça encaixou-se com maior facilidade em minha cabeça.
Não obstante, sinto que Tomas Alfredson utilizou esse artíficie com intuito de vermos como há duplas aparências das coisas que a primeira vista podem ser banais; caso não, Tinker Tailor Soldier Spy apenas conta com a falta de detalhamento de certas cenas ficando "ao leitor" a interpretação das ações de Smiley (Gary Oldman), contendo diversas cenas com impressão de serem mais longas do que são e podendo esquivar a atenção do telespectador e assim terminar o longo com uma conclusão "inconclusiva" e resumida apenas a uma palavra: Paixão - pelo nação, amigo, trabalho ou cônjuge.
Lisa Joy nos trás um drama narrativo com Hugh Jackman em um ambiente com estilo de filme muito semelhante ao que vemos nos anos 90; seguindo uma narrativa pela personagem principal na qual complementa as imagens de uma Miami inundada pelo mar. Uma série de cenas que entrelaçam o passado ao presente e trabalham a questão do sentimento de nostalgia muito bem, tendo um grande mistério inicial da personagem de Rebecca Ferguson: Mae. Porém, essa sensação é apenas passada no começo.
Após entendermos o funcionamento da máquina da nostalgia, Joy nos entrega o plot da situação desde o princípio do longa, explicando desde o inicio o que está acontecendo e como irá acontecer. Creio que o melhor artificio que ela poderia usar que é a dúvida se Nick (Hugh Jackman) está mesmo dentro da máquina e se a situação que estamos presenciado é mais um fruto da nostalgia - seria algo como foi retratado em Vanilla Sky (2001). Além disso, ao invés de extrair o máximo da personalidade das personagens, só vemos isso inteiramente em Nick, e inicialmente em Mae, porém, parece que Joy reverteu a situação como se quisesse concertar e nos trazer um final "triste mas feliz" onde tudo é concluído com sucesso (?).
Assim, esse drama investigativo cheio de mistério e futurístico poderia ter aceitado a inundação inevitável dos sentimentos que a nostalgia nos dá após passar: a melancolia. Ao invés disso transpassa a impressão que não há efeitos colaterais e que é melhor nos agarrarmos ao passado do que melhorar nosso presente. Além disso, acaba não aprofundando tanto a situação como inicialmente nos aparenta que irá, como se a própria Joy ou o estudio, não quisesse aceitar a inevitabilidade do processo que as personagens estavam passando e torna algo bem superficial e genérico no fim.
Eu não sabia que gostava desse tipo de comédia até meus amigos me explicarem o que é um tipo. Muito interessante como Howard Hawks coloca Katharine Hepburn e Cary Grant em cenas de pura gritaria e um milhão de acontecimentos ao mesmo tempo que vão aumentando conforme as personagens vão se adentrando em várias "macacadas" (onçadas?) e mostrar a personalidades dos protagonistas em cima de piadas.
A cena da prisão é com certeza minha favorita, onde creio eu que David Huxley (Cary Grant) nem estava mais acreditando na situação que se encontrava.
A primeira vez que vi este filme, foi com uma expectativa abaixo de zero; o encontrei do nada e dele veio tudo. Agora na segunda vez que o vejo, percebo o quão rala é sua direção. Apesar de cenas bem interessantes de ação The Hunt falha nos detalhes explicativos sempre forçando alguma mensagem aos espectadores, quando - ao meu ver - seu maior potencial está nas cenas da caçada em si. Está última, no entanto, acaba se resumindo apenas a um confronto entre os Ricos Politicamente Corretos e Justos contra Crystal (Betty Gilpin); sendo igualmente uma mensagem (?) não julgue pelas aparências ou algo relacionado a ter a fonte de pesquisa correta (?).
Enfim, apesar de todos esses detalhes e excluindo o corte massivo que há durante o filme que ocorre entre uma das cenas mais interessantes que Crystal invade o "Covil" dos intelectuais e posteriormente caça a grande "Vilã", as cenas iniciais até o mercado e o embate das duas moças no final são bem interessantes e legais de se acompanhar.
Bad Luck Banging or Loony Porn é notável que trabalha com um experimentalismo dividido em 3 partes, e não tem medo de abordar temas polêmicos atrelados tanto ao decorrido nesses dois últimos anos de pandemia (2020 - 2021) como todo um histórico cultura da Romênia, além de padrões moralísticos e escolares; isso tudo de uma forma cômica (para mim até mesmo documentáristica). Radu Jude não se refreou nas situações, parecendo ao mesmo tempo algo muito próximo da nossa realidade, isso fica mais notável na parte 1 quando, não só pela cena de sexo, quando acompanhamos Emilia Cilibu (Katia Pascariu) pela cidade como se fossemos um observador das ações de alguém na rua e logo já vemos o desconforto que ela está passando, mesmo só o entendendo conforme vamos assistindo.
A parte 2 sem dúvidas foi algo que eu não esperava, com a demonstração de imagens que falam por si só o conceito que "enfrentaremos" na parte 3 e entendermos as personagens ali protestando e até mesmo suas falas e preconceitos/atitudes. Não funcionam como justificativa, contudo Radu consegue resumir o que está por vir e, o mais curioso, a parte mais "tensa" é também a mais cômica, um perfeito equilíbrio de uma Sit Com com uma situação real que transparece o desconforto de Emilia e nada o espectador pode fazer além de rir e chorar.
Eu concordo com o comentário do Matt Lynch, eu tenho uma paixão por Aventuras - ou melhor: Desventuras - no espaço. Stowaway logo me chama a atenção por não se tratar em um "Alien Problen", mesmo que ao humano sair do planeta Terra ele torna-se o Alien. O longa nos trás uma situação plausível causada pela ação humana cuja comandante Marina Barnett (Toni Collette) precisa lidar em toda sua capacidade como líder. Apesar de momentos tensos e, como quase todo filme fora da atmosfera terrestre, os acidentes vem ocorrendo e as personagens presas naquela situação precisam se resolver; Sowaway não chega ao ápice da loucura dos astronautas e mostra algo bem profissional da parte da equipe designada para tal missão.
Não acostumado com essa situação, notei outros aspectos que o filme mostrou; como a pressão que todas as personagens sofrem e o preparo físico e principalmente psicológico desenvolvidos em questão de poucos dias e como Joe Penna trabalhou com tal mostrando cada uma das personagens em seus respectivos laboratório sozinhos; apresentando ao menos alguns minutos para compreendermos como eles estavam assimilando toda a situação.
Fora isso, o filme me pareceu um pouco genérico nas motivações das personagens e até como as mesmas lidam no final. Não obstante, isso não diminui a qualidade do filme, é apenas algo que parece demasiadamente conclusivo e fácil - para toda a situação que vimos nas horas passadas.
Transporter 2 já nos dá logo de início a expectativa do Homem Misterioso, agora não tão mais, protagonizado por Jason Statham; muda-se a cidade e o "pacote" mas não o Homem. Consequentemente tais mudanças trouxeram alterações no longa, vemos agora um uso mais aprofundado de manobras mais exuberantes nas quais acarretam no uso de CGI, essa abordagem ao meu ver trouxeram um grande decaimento para o protagonista e para o Plot.
O protagonista Frank Martin (Jason Statham) tornou-se agora quase um super herói, sobrevivendo ao impossível do impossível, quanto em Transporter 1, apesar das desventuras, vemos mais um soldado (agente) equilibrado e com coreografias muito bem elaboradas por Corey Yuen. Martin não é mais apenas um motorista, mas um mega agente capaz de desafiar todas e quaisquer físicas devido ao seu treinamento (?).
Para o Plot, foi reduzido um pouco o enfoque no mistério sendo tragado para as habilidades de Frank, como dito anteriormente. Reduzindo-se a um filme que Michael Bay adoraria dirigir: Ação, ação e mais ação! De forma puramente ilustrativa e enjoativa ao chegar na resolução final.
Transporter 3 transparece a mudança de diretor logo em seus minutos iniciais, quando vemos uma abordagem diferente dos 2 filmes anteriores. Iniciando com uma tentativa de retorno ao mistério do soldado solitário e aposentado de Transporter 1, mostrando o nosso querido Frank Martin (Jason Statham) apenas depois e, portanto, nos incitando a quere-lo em cena.
Com traços semelhantes ao Transporter 1 - como a entrega sendo novamente uma pessoa e Martin quebrando as regras - há uma tentativa máxima a recuperar o que se há de mais interessante no primeiro longa. No entanto, percebe-se um descaso de Megaton com o personagem de Jason e um maior enfoque em um romance forçado com a encomenda Valentina Vasilev (Natalya Rudakova); divergente dos casos anteriores de Martin, percebe-se mais uma urgência de finalização do grande trajeto da personagem principal para uma conclusão com final feliz e inesperado, do que um casal vítima das consequências.
Logo, temos um termino no trajeto e um final feliz, apesar de todas as atrocidades cometidas por Martin que agora não nos é mais misterioso e possui todos os sentimentos de compaixão e amor por todas as coisas juntamente com atenuação em seu combate, provavelmente por uma ausência de liberdade da direção de Corey Yuen nas cenas de ação.
The Transporter Refueled, trazido das cinzas após anos do último longa (The Transporter 3). Vemos um novo Frank Martin com uma total nova personalidade e buscando apenas uma coisa: Ação. O filme tenta desesperadamente trazer os traços afetivos que tínhamos com Statham na trilogia original, no entanto vemos um diretor que não aborda muito efeitos dramáticos e enfoca-se apenas em entretenimento explosivos e coreográficos atingindo um ápice cansativo de 96 minutos. Mesmo com a tentativa de trazer um lado mais cômico e afetivo para Martin, incluindo até uma figura paterna, o Reboot não parece atingir o seu potencial máximo; sendo algo ralo e bem esquecível, tanto por seus atores quanto pela trama.
De inicio tomando First Reformed como uma medida comparativa para alguns traços de Paul Schrader, vemos que o mesmo trabalha muito bem o desenvolvimento da personagem principal, nos ambienta lizando no mundo do mesmo e até mesmo impregnando as dúvidas e sentimentos destas em nós. Eu vejo esse efeito muito bem trabalhado e auxiliado por grandes atuações como de Oscar Isaac nos mostrando William Tell e seus mistérios e Ethan Hawke com suas crenças/filosofias.
The Card Counter, no entanto, trás uma alteração em detrimento do primeiro longa citado. Aqui temos um caso mais anuviado de Tell que é explorado com cenas de sons perturbadores e efeito de câmera bem interessante que contribui para a distopia de seu passado. Apesar de bem elaborado a narrativa desse personagem e o ambiente que se encontra (principalmente cassinos e seu quarto de lençóis), a hesitação que se vê na elaboração de um final é visível nas cenas de diálogo entre Tell e Cirk (Tye Sheridan) sobre Gordo (Willem Dafoe); um balanço demasiadamente longo e cheio de reviravoltas para um fim que parece não comtemplar toda aquela expectativa e mistério gerada em todas as falas e discussões das personagens.
Então, algo que ocorre opostamente a Once Upon a Time in Hollywood, que nos alimenta de uma expectativa e um vai e vem de situações de "perigo" e nos sacia com algo extremamente "destrutivo" em seu fim; Paul Schrader parece não ter tido intenções de efetuar isso no fim, parecendo um pouco apressado em efetuar um término para a conclusão geral do filme. Portanto, diferente de First Reformed que nos deixa em uma situação - de certa forma - contemplativa em seu fim, a cena da casa do Gordo ocorre como uma forma conclusiva apenas para a satisfação de completar algo que estava sendo discutido o filme todo que poderia ter sido deixado interpretativo com a cena de La Linda e Tell no vidro.
Sendo de forma mais direta, eu acho que o desenvolvimento de William Tell é demasiadamente bom, inclusive em cenas com La Linda.
Vivendo a Terra
3.6 6 Assista Agora这是我在电影院看的第一部中文电影。很喜欢. 。很多 Bucolic Vibes
Coyote vs. Acme
3.8 79Muito interessante a forma como o filme utiliza esses personagens dentro do próprio universo. Existe muita personalidade na maneira como os personagens dos Looney Tunes são incorporados à história, especialmente pela situação que pode ser comparada ao mito de Sísifo e, de certa forma, ao próprio capitalismo e ao American Dream: estar sempre almejando mais, buscando mais, enquanto o próprio sistema que fornece as ferramentas para alcançar esses objetivos é também aquilo que faz você falhar, levando-o a comprar ainda mais ferramentas e, consequentemente, alimentando outro sistema dentro do próprio sistema.
De todas as maneiras, Dave Green soube fazer um filme sem destruir a personalidade tão icônica dos Looney Tunes. Inclusive, mesmo para quem não está familiarizado com os personagens, o filme consegue ser bastante fluido e ter conteúdo em sua abordagem.
Às vezes parece que o filme acaba limitado pela própria infinitude de possibilidades que possui, equilibrando-se entre “vamos entrar em um Space Jam e transformar tudo em Looney Tunes” e “vamos fazer algo mais humanístico, como Back in Action”. Essa indecisão acaba arrastando alguns momentos ou fazendo com que determinadas cenas pareçam apenas uma tela verde com personagens tentando demonstrar preocupação com um vazio que não conseguimos sentir da mesma maneira. Em outros momentos, parece que a tecnologia está ali principalmente para demonstrar o potencial dos computadores atuais, como na cena da perseguição, enquanto a importância do mercenário para a trama acaba funcionando também como uma justificativa para explorar esse potencial.
O Convite
3.9 329 Assista AgoraO que mais funciona em The Invite é como a construção e as viradas das situações acompanham perfeitamente o compasso do filme. Nada parece acelerar ou desacelerar sem propósito, e isso funciona ainda melhor graças às personalidades bem definidas e às boas atuações do elenco. A cada nova situação, os personagens parecem revelar um pouco mais de si mesmos, fazendo com que o absurdo se torne cada vez mais natural dentro da lógica do filme. É esse equilíbrio entre controle formal e exposição progressiva que transforma o constrangimento em motor narrativo.
Imediatamente associei o filme a Carnage (2011), de Polanski, mas curiosamente vejo The Invite como um filme superior. Enquanto Carnage constrói seu humor principalmente através do confronto e da deterioração gradual das relações entre os personagens, The Invite parece mais interessado em transformar a própria dinâmica social em uma fonte constante de imprevisibilidade. O humor nasce tanto das situações quanto das pessoas que as habitam, e, mais do que isso, nasce da maneira como desejos, ressentimentos e códigos morais distintos colidem num espaço fechado.
Isso também o aproxima de uma tendência recente de comédia que parece transformar a vida comum em uma espécie de cartoon comportamental. Splitsville (2025), de Michael Angelo Covino, me veio imediatamente à cabeça nesse sentido: situações relativamente banais, relações humanas reconhecíveis e pequenas convenções sociais são exageradas até se tornarem absurdas, mas sem perder completamente a sensação de que aquilo poderia acontecer na vida real. Em The Invite, essa fronteira é ainda mais nítida. O filme não precisa de grandes eventos externos porque o conflito já está embutido nas microdecisões, nos olhares, nas pausas desconfortáveis.
É justamente nessa fronteira entre o cotidiano e o absurdo que The Invite encontra sua graça. Não é apenas uma comédia sobre pessoas em uma situação estranha, mas sobre como pessoas relativamente comuns podem se tornar completamente caricaturais quando colocadas sob as circunstâncias certas e, ao mesmo tempo, como essas caricaturas revelam verdades incômodas sobre intimidade, ciúme e a fragilidade dos acordos que sustentam uma relação.
A Última Casa
2.6 385 Assista AgoraNão é meio bizarro que, depois de cinco anos trancado numa casa com as mesmas pessoas, você decida embarcar numa viagem pro desconhecido logo depois de ser solto?
Cinema Paradiso
4.5 1,5K Assista AgoraHoje eu me senti no próprio Cinema Paradiso (na vila Garibaldi). Aprecio muito assistir a "obras do cinema antigo" na tela grande e sinto que a experiência vale ainda mais a pena diante de um filme tão fantástico como esse.
A sessão me fez lembrar de quando assisti a Andrei Rublev com meu amigo, filme que, por algum motivo, considero meu marco inaugural de cinema clássico na tela grande. Embora eu tenha cochilado por dez segundos durante a exibição, as outras três horas na tundra russa foram tão imersivas quanto essa experiência na vila siciliana.
Há um apreço genuíno pelos personagens e um amor transbordante tanto pela arte quanto pelas vidas retratadas na história. Por meio de sua decupagem e de seu roteiro, o diretor Giuseppe Tornatore transmite uma sensação muito próxima à que imagino sentir os moradores da vila ao frequentar o Cinema Paradiso: senti-me parte daquilo e relembrei minhas risadas com Cary Grant, o encanto de Marlene Dietrich e a tensão de ver um clássico de Hitchcock.
Tudo culmina naquele rolo final de beijos censurados: mais do que uma colagem nostálgica de celuloide, é a celebração do afeto humano guardado contra o tempo. Cinema Paradiso não é apenas sobre cinema; é sobre a própria vida.
Tudo Sobre Minha Mãe
4.2 1,3K Assista AgoraDepois de mais ou menos 10 anos que vi esse filme, eu jamais pensaria que estaria morando a poucos passos do apartamento da Manuela aqui em Barcelona. Hoje eu revisitei os pontos onde as personagens têm suas cenas, o que me fez repensar muito o peso que quase todo mundo carrega na consciência nessa história.
Um ponto que me chama atenção é que a única personagem que assimilou suas dores (desde o princípio ao fim) é a Agrado. Por ser uma mulher trans e profissional do sexo, há uma forte tendência a caracteriza-la como a mais fraca e oprimida (mas não em um filme do Almodóvar) ela começa às margens, mas acaba tendo o melhor desenvolvimento social e econômico no final. O mais incrível é que ela não precisa em nenhum momento relembrar ou provar que está em um lugar melhor; a evolução dela flui de forma natural porque ela já aceitou a mudança e a própria identidade há muito tempo. Enquanto o mundo ao redor desaba em melodrama (Mulheres a beira de um ataque de nervos?).
Em contrapartida, o foco nas demais personagens só mostra resignação e culpa. É a Huma sofrendo pelo descontrole e abuso de drogas da Nina, é a Manuela voltando para Barcelona para finalmente encarar o passado e o pai do seu filho.
Penso que o roteiro se mescla com a estrutura modernista gaudiana da cidade, representada pelos mosaicos que juntos formam uma obra, enquanto separados são vistos apenas como peças quebradas. É algo que se unifica muito com as personagens, já que o filme começa justamente com um "quebra".
É genial como o Almodóvar entrega tudo isso em pouco tempo de tela para cada personagem. Muito drama teatral para, no fim das contas, cravar que é tudo sobre as mães. Em todos os momentos fica evidente que todas as mulheres ali estão unidas pela mesma preocupação constante, seja pelo filho que vai nascer, ou pelo que já as deixou.
Mortal Kombat 2
3.2 344 Assista AgoraMais mortal, mais kombat !
Dia D
3.0 545 Assista AgoraÉ incrível como os filmes do Spielberg sempre me fazem sentir como se a magia ou fantasia pudessem ser tangíveis. Se existe alguma forma de fazer com que a fina camada entre imaginação e realidade consiga ser sutil ou até transponível, ele consegue fazer isso e novamente retorna com sua temática alienígena em Disclosure Day. Definitivamente, a ideia estava centrada, apesar da baixa qualidade no CGI.
Mas, deixando isso de lado, o desenvolvimento traz um grande equilíbrio entre mistério e conclusões magníficas, sempre usando o que chamo de "Efeito Spielberg": tornar o banal em algo mágico usando câmera e luz. Em Disclosure Day, isso se traduz no espanto diante da luz extraterrestre na rotina dos personagens, enquanto a narrativa faz o espectador descobrir o mistério passo a passo, juntamente com o protagonista, tornando a experiência totalmente imersiva.
A Câmara 36 de Shaolin
3.9 67 Assista AgoraEvito rever filmes pelo mesmo misticismo que me diz que o segundo copo de café nunca será tão bom quanto o primeiro, mas A 少林三十六房 (36ª Câmara de Shaolin) provou ser uma obra-prima imune ao desgaste do tempo. Embora o cenário exterior amarre bem os derivados do filme e o folclore do Kung Fu, é na construção filmográfica dentro do templo que reside a verdadeira potência da obra. Revisitá-lo anos depois me permitiu entender a sua grandiosidade com uma profundidade que outrora me escapava, deixando a certeza de que, daqui a algum tempo, o filme me esperará para ser decifrado mais uma vez.
Carga Explosiva
3.3 352 Assista AgoraA frase "Eu não sei o que estou fazendo aqui, ou como vim parar aqui, só sei que devo matar", encaixa-se perfeita a Statham. Vê-se a influência de Corey Yuen Kwei em cenas de ação e cômicas com um equilíbrio de Louis Leterrier dando uma maior ênfase na trama. Apesar do filme ser como uma montanha russa, uma hora uma discussão de ideais para outra uma luta em cima de óleo, The Transporter realmente atende o aspecto ação, ação e mais ação, com dose de drama.
Acredito que poderiam até mesmo elevar o nível da impossibilidade, porém isso talvez levaria a mais cortes sem sentidos que já são um pouco repetitivos no longa, personagens sumindo do nada e aparecendo em outro lugar como se fosse mágica. (Será que isso incentivou Louis a dirigir Now You See Me?). Claro, como um filme não estou na busca pela realidade, mas é evidente a escolha de posição de câmeras e cortes sensacionais que ocorrem para Frank Martin (Jason Statham) encontrar-se em situações de conflito.
Sendo então interessante e até que bem coreografado as lutas e criativo as áreas que as mesmas ocorrem. Mesmo sendo bem ínfimo a interação e motivação em si, a personalidade e desenvolvimento de Frank é até bem explorada mesmo que as cenas com Lai (Shu Qi) exagerem a união dos dois.
Fogo Contra Fogo
4.0 729 Assista AgoraMann traz à tonalidade toda a frieza e natureza dos dramas policiais que eu já vi. Uma mistura de visões de ambos os lados da moda, no qual trabalha ainda o ambiente familiar e o das ruas. Invadimos as moradias e laços familiares das personagens e seus trabalhos nas ruas.
Um ambiente que mescla Manhunter (1986) e que pode-se ver resquícios em Miami Vice (2006). Esse fluxo silencioso que acompanha as cenas na qual ambiente e ator já "falam" tudo que deveria ser dito, expressando de uma forma incrivelmente profunda. Não só Mann consegue extrair o máximo da atuação mesclada ao ambiente, mas também nos trás uma associação com cenas de ação próxima a realidade: não há herói, não há foco em personagem para criarmos certa empatia, tendemos a torcer para os dois lados; porém, um deverá prevalecer na situação que se encontram e no fim a própria natureza deles os traí.
Heat é um dos melhores filmes policiais tensos que já vi. Sem dúvidas consegue aumentar a temperatura ao longo que o filme vai passando, até que haja a inevitável combustão.
O Homem Mosca
4.3 85 Assista AgoraCurioso por ser um dos poucos filmes mudo que vi cujo principal não acaba magicamente resolvendo toda a situação criada pelo mesmo com a cônjuge no fim. Neste caso temos uma comédia que se rondeia na própria comédia do começo ao fim, mesmo a situação gerada pela personagem, temos até um fim bem cômico no final.
Simplesmente divertido e intrigante como toda situação ocorre, principalmente na passagem de cenas quando 'A Garota' vai visitá-lo e há todo o efeito de disfarce e improvisação do Garoto para suplantar aquela situação.
Samurai Cop
2.9 31Sua perfeição está em sua "imperfeição". Por mais que é visível o "baixo orçamento" da produção de Samurai Cop, seu plot é basicamente um reflexo dos filmes policiais americanos dos anos 80. Chega até ser intrigante falar sobre o filme, o que Amir Shervan nos trás é uma excelente visão do "Buddy Cop Movie", uma mescla do soldado especial (a lá máquina mortífera) juntamente com conceitos orientais seguindo o Buxido - o caminho do guerreiro - ainda com o estilo caseiro na filmagem transformam Samurai Cop um dos filmes mais legais e esquisitos que já vi.
Como um The Room (2003), temos aqui uma obra destoante do comum, cheio de trama, romance, samurai, policiais e japoneses de mullet.
Encontros e Desencontros
3.8 1,8KAcho interessante como Lost In Translation me passa a periodicidade de situações, independente da diferença de idade acredito que sempre teremos nossas próprias crises encrustadas nos nossos próprios mundos e situações. Acho até interessante o uso do Bill Murray, um ator que automaticamente eu associo à comédia: como o galã; e o início do filme com os glúteos da Scarlet Johansson.
Apesar desses talhes serem bem chamativos, eu acredito que sejam apenas pontos no que o longa nos trás. Lost in Translation transpassa o uso dos atores e acho que nos aproxima de uma realidade conturbada e cheia de problemas. Apesar de sentir isso sendo melhor retratado em filmes como La Dolce Vita (1960), aqui temos algo um pouco mais moderno e um pouco mais repetitivo; Sophia Coppola parece insistir um pouco no fator que há altos e baixos e essa vida é cheia de surpresas, como encontrar um ator famoso que, como um sábio, nos trás experiências de matrimônio e reascende a chama da vontade e o outro revê a juventude então se aflorando no relacionamento.
Assim, o filme é interessante e pode ser assimilável facilmente para muitos atualmente, apesar de já terem passado 18 anos e muita coisa mudou desde então. Contudo sua repetição acaba sendo muito como a própria palavra diz: repetitiva, não demonstrando nada mais aprofundado e transparece crescimento nos últimos 5 minutos finais, como uma engrenagem que apenas atrita com a superfície d'outra sem fazer a máquina de fato funcionar. Mas ainda interessante a contemplação daquela invenção maquinaria.
O Espião que Sabia Demais
3.4 753 Assista AgoraTinker Tailor Soldier Spy, ou melhor: Tinker, Tailor, Soldier & Spy; demonstra um outro lado do combate entre nações com suas divergências de ideias e de progresso. Abrange um conjunto de cenas bem enquadradas e elegantes com tons britânicos (British-ish) e mesclando com a luminosidade e escuridão do ambiente, assim como as cores mortas que combinaram bem com o clima frio e acinzentado das áreas que vemos no longa.
Creio que me faltou a atenção devido as ínfimos detalhes que determinados momentos abrangiam, com muito mais a se pensar do que aquela cena realmente parecia: como uma foto entre amigos ou a menção de um nome por uma terceira pessoa que até então não fariam sentido estarem relacionados. De primeira vista tornou-se um pouco difuso qual o objetivo dos agentes e suas motivações (todos interpretados por ótimos atores). Porém, após uma busca e uma revisão de determinadas cenas, o quebra cabeça encaixou-se com maior facilidade em minha cabeça.
Não obstante, sinto que Tomas Alfredson utilizou esse artíficie com intuito de vermos como há duplas aparências das coisas que a primeira vista podem ser banais; caso não, Tinker Tailor Soldier Spy apenas conta com a falta de detalhamento de certas cenas ficando "ao leitor" a interpretação das ações de Smiley (Gary Oldman), contendo diversas cenas com impressão de serem mais longas do que são e podendo esquivar a atenção do telespectador e assim terminar o longo com uma conclusão "inconclusiva" e resumida apenas a uma palavra: Paixão - pelo nação, amigo, trabalho ou cônjuge.
Caminhos da Memória
2.8 229 Assista AgoraLisa Joy nos trás um drama narrativo com Hugh Jackman em um ambiente com estilo de filme muito semelhante ao que vemos nos anos 90; seguindo uma narrativa pela personagem principal na qual complementa as imagens de uma Miami inundada pelo mar. Uma série de cenas que entrelaçam o passado ao presente e trabalham a questão do sentimento de nostalgia muito bem, tendo um grande mistério inicial da personagem de Rebecca Ferguson: Mae. Porém, essa sensação é apenas passada no começo.
Após entendermos o funcionamento da máquina da nostalgia, Joy nos entrega o plot da situação desde o princípio do longa, explicando desde o inicio o que está acontecendo e como irá acontecer. Creio que o melhor artificio que ela poderia usar que é a dúvida se Nick (Hugh Jackman) está mesmo dentro da máquina e se a situação que estamos presenciado é mais um fruto da nostalgia - seria algo como foi retratado em Vanilla Sky (2001). Além disso, ao invés de extrair o máximo da personalidade das personagens, só vemos isso inteiramente em Nick, e inicialmente em Mae, porém, parece que Joy reverteu a situação como se quisesse concertar e nos trazer um final "triste mas feliz" onde tudo é concluído com sucesso (?).
Assim, esse drama investigativo cheio de mistério e futurístico poderia ter aceitado a inundação inevitável dos sentimentos que a nostalgia nos dá após passar: a melancolia. Ao invés disso transpassa a impressão que não há efeitos colaterais e que é melhor nos agarrarmos ao passado do que melhorar nosso presente. Além disso, acaba não aprofundando tanto a situação como inicialmente nos aparenta que irá, como se a própria Joy ou o estudio, não quisesse aceitar a inevitabilidade do processo que as personagens estavam passando e torna algo bem superficial e genérico no fim.
Levada da Breca
4.0 171 Assista AgoraEu não sabia que gostava desse tipo de comédia até meus amigos me explicarem o que é um tipo. Muito interessante como Howard Hawks coloca Katharine Hepburn e Cary Grant em cenas de pura gritaria e um milhão de acontecimentos ao mesmo tempo que vão aumentando conforme as personagens vão se adentrando em várias "macacadas" (onçadas?) e mostrar a personalidades dos protagonistas em cima de piadas.
A cena da prisão é com certeza minha favorita, onde creio eu que David Huxley (Cary Grant) nem estava mais acreditando na situação que se encontrava.
A Caçada
3.2 678 Assista AgoraA primeira vez que vi este filme, foi com uma expectativa abaixo de zero; o encontrei do nada e dele veio tudo. Agora na segunda vez que o vejo, percebo o quão rala é sua direção. Apesar de cenas bem interessantes de ação The Hunt falha nos detalhes explicativos sempre forçando alguma mensagem aos espectadores, quando - ao meu ver - seu maior potencial está nas cenas da caçada em si. Está última, no entanto, acaba se resumindo apenas a um confronto entre os Ricos Politicamente Corretos e Justos contra Crystal (Betty Gilpin); sendo igualmente uma mensagem (?) não julgue pelas aparências ou algo relacionado a ter a fonte de pesquisa correta (?).
Enfim, apesar de todos esses detalhes e excluindo o corte massivo que há durante o filme que ocorre entre uma das cenas mais interessantes que Crystal invade o "Covil" dos intelectuais e posteriormente caça a grande "Vilã", as cenas iniciais até o mercado e o embate das duas moças no final são bem interessantes e legais de se acompanhar.
Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental
3.5 62Bad Luck Banging or Loony Porn é notável que trabalha com um experimentalismo dividido em 3 partes, e não tem medo de abordar temas polêmicos atrelados tanto ao decorrido nesses dois últimos anos de pandemia (2020 - 2021) como todo um histórico cultura da Romênia, além de padrões moralísticos e escolares; isso tudo de uma forma cômica (para mim até mesmo documentáristica). Radu Jude não se refreou nas situações, parecendo ao mesmo tempo algo muito próximo da nossa realidade, isso fica mais notável na parte 1 quando, não só pela cena de sexo, quando acompanhamos Emilia Cilibu (Katia Pascariu) pela cidade como se fossemos um observador das ações de alguém na rua e logo já vemos o desconforto que ela está passando, mesmo só o entendendo conforme vamos assistindo.
A parte 2 sem dúvidas foi algo que eu não esperava, com a demonstração de imagens que falam por si só o conceito que "enfrentaremos" na parte 3 e entendermos as personagens ali protestando e até mesmo suas falas e preconceitos/atitudes. Não funcionam como justificativa, contudo Radu consegue resumir o que está por vir e, o mais curioso, a parte mais "tensa" é também a mais cômica, um perfeito equilíbrio de uma Sit Com com uma situação real que transparece o desconforto de Emilia e nada o espectador pode fazer além de rir e chorar.
Passageiro Acidental
2.7 290Eu concordo com o comentário do Matt Lynch, eu tenho uma paixão por Aventuras - ou melhor: Desventuras - no espaço. Stowaway logo me chama a atenção por não se tratar em um "Alien Problen", mesmo que ao humano sair do planeta Terra ele torna-se o Alien. O longa nos trás uma situação plausível causada pela ação humana cuja comandante Marina Barnett (Toni Collette) precisa lidar em toda sua capacidade como líder. Apesar de momentos tensos e, como quase todo filme fora da atmosfera terrestre, os acidentes vem ocorrendo e as personagens presas naquela situação precisam se resolver; Sowaway não chega ao ápice da loucura dos astronautas e mostra algo bem profissional da parte da equipe designada para tal missão.
Não acostumado com essa situação, notei outros aspectos que o filme mostrou; como a pressão que todas as personagens sofrem e o preparo físico e principalmente psicológico desenvolvidos em questão de poucos dias e como Joe Penna trabalhou com tal mostrando cada uma das personagens em seus respectivos laboratório sozinhos; apresentando ao menos alguns minutos para compreendermos como eles estavam assimilando toda a situação.
Fora isso, o filme me pareceu um pouco genérico nas motivações das personagens e até como as mesmas lidam no final. Não obstante, isso não diminui a qualidade do filme, é apenas algo que parece demasiadamente conclusivo e fácil - para toda a situação que vimos nas horas passadas.
Carga Explosiva 2
3.1 274 Assista AgoraTransporter 2 já nos dá logo de início a expectativa do Homem Misterioso, agora não tão mais, protagonizado por Jason Statham; muda-se a cidade e o "pacote" mas não o Homem. Consequentemente tais mudanças trouxeram alterações no longa, vemos agora um uso mais aprofundado de manobras mais exuberantes nas quais acarretam no uso de CGI, essa abordagem ao meu ver trouxeram um grande decaimento para o protagonista e para o Plot.
O protagonista Frank Martin (Jason Statham) tornou-se agora quase um super herói, sobrevivendo ao impossível do impossível, quanto em Transporter 1, apesar das desventuras, vemos mais um soldado (agente) equilibrado e com coreografias muito bem elaboradas por Corey Yuen. Martin não é mais apenas um motorista, mas um mega agente capaz de desafiar todas e quaisquer físicas devido ao seu treinamento (?).
Para o Plot, foi reduzido um pouco o enfoque no mistério sendo tragado para as habilidades de Frank, como dito anteriormente. Reduzindo-se a um filme que Michael Bay adoraria dirigir: Ação, ação e mais ação! De forma puramente ilustrativa e enjoativa ao chegar na resolução final.
Carga Explosiva 3
3.2 362 Assista grátisTransporter 3 transparece a mudança de diretor logo em seus minutos iniciais, quando vemos uma abordagem diferente dos 2 filmes anteriores. Iniciando com uma tentativa de retorno ao mistério do soldado solitário e aposentado de Transporter 1, mostrando o nosso querido Frank Martin (Jason Statham) apenas depois e, portanto, nos incitando a quere-lo em cena.
Com traços semelhantes ao Transporter 1 - como a entrega sendo novamente uma pessoa e Martin quebrando as regras - há uma tentativa máxima a recuperar o que se há de mais interessante no primeiro longa. No entanto, percebe-se um descaso de Megaton com o personagem de Jason e um maior enfoque em um romance forçado com a encomenda Valentina Vasilev (Natalya Rudakova); divergente dos casos anteriores de Martin, percebe-se mais uma urgência de finalização do grande trajeto da personagem principal para uma conclusão com final feliz e inesperado, do que um casal vítima das consequências.
Logo, temos um termino no trajeto e um final feliz, apesar de todas as atrocidades cometidas por Martin que agora não nos é mais misterioso e possui todos os sentimentos de compaixão e amor por todas as coisas juntamente com atenuação em seu combate, provavelmente por uma ausência de liberdade da direção de Corey Yuen nas cenas de ação.
Carga Explosiva: O Legado
2.7 158 Assista AgoraThe Transporter Refueled, trazido das cinzas após anos do último longa (The Transporter 3). Vemos um novo Frank Martin com uma total nova personalidade e buscando apenas uma coisa: Ação. O filme tenta desesperadamente trazer os traços afetivos que tínhamos com Statham na trilogia original, no entanto vemos um diretor que não aborda muito efeitos dramáticos e enfoca-se apenas em entretenimento explosivos e coreográficos atingindo um ápice cansativo de 96 minutos. Mesmo com a tentativa de trazer um lado mais cômico e afetivo para Martin, incluindo até uma figura paterna, o Reboot não parece atingir o seu potencial máximo; sendo algo ralo e bem esquecível, tanto por seus atores quanto pela trama.
O Contador de Cartas
3.1 94De inicio tomando First Reformed como uma medida comparativa para alguns traços de Paul Schrader, vemos que o mesmo trabalha muito bem o desenvolvimento da personagem principal, nos ambienta lizando no mundo do mesmo e até mesmo impregnando as dúvidas e sentimentos destas em nós. Eu vejo esse efeito muito bem trabalhado e auxiliado por grandes atuações como de Oscar Isaac nos mostrando William Tell e seus mistérios e Ethan Hawke com suas crenças/filosofias.
The Card Counter, no entanto, trás uma alteração em detrimento do primeiro longa citado. Aqui temos um caso mais anuviado de Tell que é explorado com cenas de sons perturbadores e efeito de câmera bem interessante que contribui para a distopia de seu passado. Apesar de bem elaborado a narrativa desse personagem e o ambiente que se encontra (principalmente cassinos e seu quarto de lençóis), a hesitação que se vê na elaboração de um final é visível nas cenas de diálogo entre Tell e Cirk (Tye Sheridan) sobre Gordo (Willem Dafoe); um balanço demasiadamente longo e cheio de reviravoltas para um fim que parece não comtemplar toda aquela expectativa e mistério gerada em todas as falas e discussões das personagens.
Então, algo que ocorre opostamente a Once Upon a Time in Hollywood, que nos alimenta de uma expectativa e um vai e vem de situações de "perigo" e nos sacia com algo extremamente "destrutivo" em seu fim; Paul Schrader parece não ter tido intenções de efetuar isso no fim, parecendo um pouco apressado em efetuar um término para a conclusão geral do filme. Portanto, diferente de First Reformed que nos deixa em uma situação - de certa forma - contemplativa em seu fim, a cena da casa do Gordo ocorre como uma forma conclusiva apenas para a satisfação de completar algo que estava sendo discutido o filme todo que poderia ter sido deixado interpretativo com a cena de La Linda e Tell no vidro.
Sendo de forma mais direta, eu acho que o desenvolvimento de William Tell é demasiadamente bom, inclusive em cenas com La Linda.