Vivendo a Terra é um drama chinês de 2025 dirigido por Huo Meng. O filme, ambientado na década de 1990, é sobre um menino de 10 anos que é confrontado com tradições rurais e mudanças socioeconômicas em sua aldeia natal, na China.
O cinema chinês sempre reserva obras muito tocantes quando o assunto é a vida no campo, seja abordando os efeitos da Revolução Cultural ou, como no caso deste aqui, o impacto das transformações socioeconômicas e tecnológicas nas tradições rurais no início da década de 90. É um filme de formação e também uma aula de antropologia visual, vale muito a pena assistir.
Premiado com o Urso de Prata de melhor direção no Festival de Berlim (para o diretor chinês Huo Meng, em seu segundo filme, que traz traços do anterior, “Guo Zhao Guan”), “Living the land” (em português, “Cultivando a terra” ou “Vivendo a terra”) é um drama cativante que acompanha um longo processo de rituais de vida e trabalho de uma numerosa família na China rural dos anos 90. Filhos, pais, netos, avós e tios trabalham num pequeno lote de terras, onde também residem. Do nascer ao pôr-do-sol, sob sol e sob chuva, a família de agricultores cultiva trigo, matéria-prima de onde tirarão o sustento. Percebem que aldeões da região migraram para cidade em busca de novas oportunidades, porém optam em permanecer ali. Um dos filhos daquele núcleo pretende se casar e ir embora para a metrópole, deixando a família. O filme se mostra na essência daqueles agricultores durante o ciclo de um ano, acompanhando-os em suas passagens/ritos, como casamento e funeral, além dos conflitos cotidianos. É uma fita de arte contemplativa que transforma nosso olhar, registrando um contexto específico de uma época, a da abertura da China na virada dos anos 80 para os 90, com as reformas econômica e social, a mecanização do campo, a migração da área rural para a cidade e o fim das tradições milenares devido à modernidade. O olhar do diretor Meng (também roteirista e montador do longa) é ao mesmo tempo íntimo e panorâmico – ele cria esse embate cênico, com cenas nos detalhes e de repente longas tomadas abertas da propriedade de terras onde a família mora. Há muitas sequências de silêncio, sem trilha ou diálogos, só com a abundante paisagem rural à nossa frente. Personagem carismático do filme, Chuang, de 10 anos, aquele que permanece em sua aldeia enquanto tantos partem para as cidades, funciona como metáfora da resistência e da perda – e o menino é a representação do diretor do filme quando menor, já que a história é inspirada em sua família, criada no campo. A fotografia das terras agrícolas são verdadeiros quadros, uma pintura belíssima, sendo um grande acerto de filmagem, que traduz o que o diretor pretendia passar (e lembrar). Um filme tocante, que mexeu comigo - fiquei maravilhado e também refletindo por horas sobre essa bonita obra cinematográfica. Está disponível nos principais cinemas brasileiros, pela Autoral Filmes. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
Filme muito bom! 11/06/26.
Me lembrou Lazzaro Felice, mas sem o realismo magico e sem de fato a ida para vida urbana
O cinema chinês sempre reserva obras muito tocantes quando o assunto é a vida no campo, seja abordando os efeitos da Revolução Cultural ou, como no caso deste aqui, o impacto das transformações socioeconômicas e tecnológicas nas tradições rurais no início da década de 90. É um filme de formação e também uma aula de antropologia visual, vale muito a pena assistir.
Premiado com o Urso de Prata de melhor direção no Festival de Berlim (para o diretor chinês Huo Meng, em seu segundo filme, que traz traços do anterior, “Guo Zhao Guan”), “Living the land” (em português, “Cultivando a terra” ou “Vivendo a terra”) é um drama cativante que acompanha um longo processo de rituais de vida e trabalho de uma numerosa família na China rural dos anos 90. Filhos, pais, netos, avós e tios trabalham num pequeno lote de terras, onde também residem. Do nascer ao pôr-do-sol, sob sol e sob chuva, a família de agricultores cultiva trigo, matéria-prima de onde tirarão o sustento. Percebem que aldeões da região migraram para cidade em busca de novas oportunidades, porém optam em permanecer ali. Um dos filhos daquele núcleo pretende se casar e ir embora para a metrópole, deixando a família. O filme se mostra na essência daqueles agricultores durante o ciclo de um ano, acompanhando-os em suas passagens/ritos, como casamento e funeral, além dos conflitos cotidianos. É uma fita de arte contemplativa que transforma nosso olhar, registrando um contexto específico de uma época, a da abertura da China na virada dos anos 80 para os 90, com as reformas econômica e social, a mecanização do campo, a migração da área rural para a cidade e o fim das tradições milenares devido à modernidade. O olhar do diretor Meng (também roteirista e montador do longa) é ao mesmo tempo íntimo e panorâmico – ele cria esse embate cênico, com cenas nos detalhes e de repente longas tomadas abertas da propriedade de terras onde a família mora. Há muitas sequências de silêncio, sem trilha ou diálogos, só com a abundante paisagem rural à nossa frente. Personagem carismático do filme, Chuang, de 10 anos, aquele que permanece em sua aldeia enquanto tantos partem para as cidades, funciona como metáfora da resistência e da perda – e o menino é a representação do diretor do filme quando menor, já que a história é inspirada em sua família, criada no campo. A fotografia das terras agrícolas são verdadeiros quadros, uma pintura belíssima, sendo um grande acerto de filmagem, que traduz o que o diretor pretendia passar (e lembrar). Um filme tocante, que mexeu comigo - fiquei maravilhado e também refletindo por horas sobre essa bonita obra cinematográfica. Está disponível nos principais cinemas brasileiros, pela Autoral Filmes. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
Amarcord chinês... muito lindo! ❤️❤️❤️