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Data de lançamento
22 Nov. 2006Duração
Na Espanha do século 16, o navegador Tomas Creo parte para o Novo Mundo em busca da lendária árvore da vida. Nos tempos atuais a mulher do pesquisador Tommy Creo está morrendo de câncer, mas ele busca desesperadamente a cura que pode salvá-la. Uma terceira história une as duas primeiras: no século 26, o astronauta Tom finalmente consegue a resposta para as questões fundamentais da existência
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Poucas pessoas vão entender, bom filme!
Tem Alguns Spoilers...
"A Fonte da Vida" é um daqueles filmes que desafiam a gente desde o primeiro minuto. Muitos procuram respostas para a sua cronologia quebrada nas três narrativas que ele apresenta. E esse é o maior equívoco para quem procura entendê-lo. Darren Aronofsky não construiu um enigma para ser solucionado. Construiu uma experiência para ser sentida.
À primeira vista, o filme parece contar três histórias independentes: a do conquistador espanhol em busca da árvore da Fonte da Vida; a do cientista Tom, desesperado para encontrar uma cura para o câncer de sua esposa Izzi; e a do homem que viaja pelo espaço em direção a Xibalba, acompanhado pela presença de uma árvore. Talvez essas três histórias não estejam em três tempos diferentes. Talvez sejam três dimensões de uma mesma história interior que se passa não com três personagens distintos, mas com a alma do próprio homem interpretado por Hugh Jackman.
O passado, o presente e aquilo que parece ser o futuro se misturam. As fronteiras que dividem a realidade, a memória, a imaginação, o sonho e a espiritualidade desaparecem. E talvez essa seja justamente a força do filme: não existe uma linha temporal que precisa ser organizada. Existe uma consciência humana inconformada atravessando uma perda devastadora.
O cientista Tommy Creo é o arquétipo do homem ocidental. O homem materialista que acredita que tudo pode ser controlado. A doença pode ser vencida. A morte pode ser adiada. E a natureza pode ser dominada pela ciência. Quando Izzi adoece, ele transforma o amor em uma luta cega contra a finitude. Ele quer salvá-la a qualquer custo e, justamente por isso, encontra enorme dificuldade em apenas estar com ela no presente e aceitar o tempo que eles ainda possuem.
Por outro lado, Izzi parece compreender aquilo que Tom não consegue aceitar. Ela sabe que vai morrer e, de alguma maneira, tenta prepará-lo para isso. Seu livro, sua história e a necessidade de que Tom a termine são fundamentais para que ele consiga processar a dor e voltar a viver de forma plena. Ela deixa para ele não apenas uma narrativa, mas um caminho para que ele finalmente compreenda aquilo que está tentando evitar.
É por isso que a história do conquistador espanhol é tão importante. Tomas Creo aparece ali como a figura que conquista, invade e destrói em nome de uma missão. Ele atravessa oceanos para chegar à Fonte da Vida, movido pela mesma obsessão do cientista: alcançar aquilo que acredita ser capaz de vencer a barreira da morte. Em épocas diferentes, com instrumentos diferentes, ambos continuam sendo o mesmo homem tentando dominar o indomável.
Então chegamos à dimensão aparentemente futurista, a viagem até Xibalba. Talvez seja o futuro. Talvez seja uma espécie de pós-vida. Talvez seja a mente de Tom ou uma jornada espiritual. E talvez o filme não queira que escolhamos apenas uma dessas respostas.
A árvore, nesse sentido, parece concentrar tudo. Ela é vida, memória, morte e continuidade. Tom conversa com ela, cuida dela, tenta mantê-la viva, quase como se ainda estivesse tentando salvar Izzi. Mesmo rasgando o espaço, ele continua aprisionado à mesma obsessão do laboratório: encontrar uma maneira de impedir a perda. E é justamente isso que torna aquela viagem tão poderosa. A princípio, Tom parece estar viajando pelo universo, mas na verdade está viajando para dentro de si mesmo, na difícil travessia da aceitação.
A árvore na história representa o próprio ciclo da vida e da existência de Izzi. Ela cresce, morre, se desfaz e alimenta uma nova vida ao seu redor. Quando Tom finalmente se aproxima daquilo que tanto procurou, ele precisa abandonar a ideia de que a Fonte da Vida significa simplesmente vencer a morte. A grande transformação do personagem acontece quando ele deixa de lutar contra aquilo que não pode controlar. E talvez seja por isso que o final seja tão difícil de explicar racionalmente — mas tão fácil de sentir.
Durante todo o filme, Tom procura a Fonte da Vida acreditando que ela poderá impedir o fim. No final, ele começa a compreender que a verdadeira "fonte" não é uma maneira de escapar da morte, mas a compreensão de que vida e morte pertencem ao mesmo ciclo. É como se o filme dissesse que a morte não é o oposto da vida. Ela é parte dela, um estágio igual ao de uma semente que vira árvore, gera frutos, perde as folhas e seca para adubar a terra.
Talvez essa seja a grande ironia de "A Fonte da Vida": o homem passa o filme inteiro procurando uma maneira de vencer a morte, quando aquilo que precisa vencer é a sua própria incapacidade de entendê-la e aceitá-la. Por isso, este não é um filme feito para ser completamente racionalizado. Ele precisa ser contemplado, sentido e experimentado.
Quanto mais tentamos organizar suas imagens, explicar sua cronologia e descobrir exatamente "o que aconteceu", mais corremos o risco de perder aquilo que a obra tenta provocar em nós. A jornada de Tom é também a jornada de quem assiste, convidando a gente a abandonar a necessidade de controlar tudo para simplesmente aceitar a beleza de uma experiência que não se explica, se sente. No fundo, o sentido do filme não é a promessa de viver para sempre. É o ensinamento de que, justamente porque a vida é finita, cada instante dela ganha um significado eterno.
Essa magnífica experiência sensorial se completa na direção visceral de Darren Aronofsky, que constrói uma obra-prima para a eternidade. A fotografia fria e claustrofóbica, combinada com o impressionante design de produção e efeitos visuais orgânicos — criados sem computação gráfica, usando reações químicas em microfotografia —, confere à obra uma textura viva e atemporal. Hugh Jackman entrega ama atuação soberba, transbordando obsessão e dor na mesma medida, enquanto Rachel Weisz surge como uma luz serena e de presença sublime. A trilha sonora monumental de Clint Mansell soa como uma verdadeira prece em forma de som, conduzindo a alma de quem assiste do desespero à iluminação.
"A Fonte da Vida" não é sobre a busca pela imortalidade, mas sobre o aprendizado doloroso de soltar as rédeas do tempo. Darren Aronofsky constrói um espelho partido onde o passado é o ego que devora, o presente é a dor que paralisa e o futuro é a alma tentando se despir da culpa. As três dimensões da obra não são épocas, são a anatomia do luto de um homem que precisou ver o universo desmoronar por dentro para entender uma verdade simples: a morte não é o oposto da existência, é o sopro que fertiliza a vida. No fim, quando a ciência cala, a obsessão cede e o amor se desapega da matéria, o que resta não é o fim de tudo, mas o silêncio sereno da eternidade em nós.
Bom, mas pretensioso e os efeitos visuais não envelheceram bem.
Hugh Jackman e Rachel Weisz foram muito desperdiçados nesse filme bizarro que quer ser levado a sério, mas parece um delírio ridículo da mente do diretor.
O filme não resolve nenhuma das histórias que tenta contar. Fizeram um bom trailer e conseguiram me enganar direitinho.