Nós sabemos o que o trabalho causa no corpo, mas qual é a marca menos visível que ele deixa no inconsciente? As noites de doze sonhadores – por vezes contadas diante da câmera, outras vezes em narrações em voice-over acompanhando tomadas de prédios de escritórios e outros locais urbanos de trabalho – revelam como o sistema capitalista invade a psique nos dias atuais. Longas tomadas de edifícios de superfícies suaves e bordas transparentes emitem uma gentileza enganosa. Zumbis, cadáveres, múmias, fantasmas, crânios abertos feito ovos e esvaziados a colheradas… As imagens se sucedem uma atrás da outra, sem se repetir, mas a edição organiza uma gradação rumo ao vampirismo e a uma passagem insidiosa da noite para o dia, dos sonhos para o trabalho da vida real.
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Excelente documentário! De fato, nas condições de trabalho neoliberais, não há espaço nem para os sonhos. O trabalhador não compreende a utilidade do seu fazer (alienação) e vive atormentado pelas pressões das demandas de trabalho e infeliz por ter todo seu tempo roubado pelo trabalho. É muito triste!