A família de Gwen é rica, mas ela é solitária e infeliz. Seu pai está preocupado apenas em ganhar dinheiro e sua mãe se preocupa apenas com sua posição social. Mas um dia a irresponsabilidade de um empregado gera uma crise que faz com que todos repensem o que é importante para eles.
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Bem ingênuo este conceito de felicidade.
É interessante como o filme vai criando um senso lúdico através de um engessamento que aos poucos se transforma em algo de fato fantástico, principalmente no terceiro ato, criando uma mistura curiosa de gêneros como a comédia, o drama e a fantasia e transitando bem entre eles. A inocência travessa da protagonista e suas consequências são um meio para a retomada de valores familiares tradicionais:
ainda que o desenrolar da trama culmine nos pais entendendo que não precisam ser tão duros com a filha, isso acontece para mostrar um ideal de família, uma que consegue se unir no final, de forma romântica e esperançosa. É uma narrativa clássica como muitas outras que crê numa família inabalável e inseparável e idealiza isso no cinema com uma conclusão redentora,
É interessante como ele apreende e representa, na sua linguagem, essa moral rígida que define princípios e valores absolutos. Vemos isso através de frases como as da aula ("a veracidade é o coração da moralidade" e "a procrastinação é ladra do tempo") e também de uma distinção bem clara entre ações e personagens do bem e outros do mal.
No delírio de Gwen, por exemplo, existe a terra das crianças solitárias e a terra das crianças felizes, mas não existe um intermediário.
Assim, o filme salta aos olhos e nos envolve com os cenários imaginativos do final, os intertítulos que fazem parecer que estamos lendo um livro pop up, a atuação expressiva de Mary Pickford, a montagem inventiva (como na cena em que o pai pensa em se matar, por exemplo, em que sua imaginação se materializa com uma sobreposição) e o uso inteligente das cores para evocar imediatamente algumas sensações. Tem um começo um tanto mecânico e ilustrativo, como se, ao apresentar os personagens, estivesse colocando peças no tabuleiro, sem conseguir interrelacionar muito bem essas apresentações, mas isso é algo extremamente pontual. No fim das contas, é uma história cativante e divertida. Não é a mais marcante do mundo mas me envolveu bastante com a estética imaginosa, digna do modo de uma criança de ver o mundo ao seu redor.
"Você está no jardim das crianças solitárias, na floresta dos sonhos. Aqui, as coisas aparecem como elas realmente são"