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Dois personagens icônicos do Nordeste brasileiro, o Santo e o Guerreiro, se encontram no pós-vida quando entram na barca do Caronte, no assombroso Rio da Morte. Enquanto navegam ao lado de anjos e demônios os dois relembram de sua passagem pela Terra e refletem sobre a vida que levaram no sertão. O Guerreiro recorda os fatos de sua jornada clandestina ao lado de seus companheiros e o Santo traz à memória sua luta por liberdade e plenitude espiritual.
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Eu nunca tinha visto uma animação brasileira mostrar algum tipo de “encontro espiritual” entre duas das figuras mais emblemáticas da História do Brasil, representantes da cultura popular nordestina. Estou completamente fascinado pelo poder da imagética contido na obra animada, que possui forte influência da arte estrangeira, bem como traços da cultura regional.
A sobreposição de elementos folclóricos às temáticas sociais, na maior parte das vezes, provoca uma estranheza, oculta, agradável aos olhos. Em outras circunstâncias, a ascendente atmosfera de terror, feita com esmero, causa o choque (através de gritos e expressões extravagantes). Grandessíssima direção do Chico Liberato.
Se me entregassem um papel e pedissem que eu listasse os defeitos desse filme, eu obedeceria: a dublagem é problemáticas, às vezes; há algo de irregular na montagem e no revezamento narrativo entre os dois personagens principais; a trama é permeada por uma romantização excessiva das figuras mitológicas do Sertão, além de certo exagero na bondade inequívoca (e unidimensional) dos mesmos; etc. . Mas nada disso impediu que eu ficasse deslumbrado - ou, para usar um termo do próprio filme, atingido pelo encantamento - após a sessão: as cores são maravilhosas, bem como o uso plástico das mesmas. As fusões e sobreposições imagéticas são incríveis. Os excertos textuais de Gil Vicente, idem. Amei diversas seqüências (vide a cena do bordel, as sombras de felinos em momentos de tensão, os elementos religiosos...) e aplaudi de pé a conversão em proposta educativo-artística das intenções magnas do realizador, de quem, agora, sou fã absoluto. Como soube que ele faleceu recentemente, uso um verbo no presente, a fim de consagrar a sua imortalidade: ele é genial. No desfecho, com retorno ao indianismo, todos os elementos - mesmo os defeituosos - fazem pleno sentido: afinal, o que temos aqui é um auto de resistência, sobrevivência e resiliência. Filmaço! (WPC>)
Gostei muito do tipo de animação utilizado neste filme, sai do comum.
A história também é muito legal, mas da mesma forma que comentaram abaixo, ficou muito longa. Como um curta metragem ficaria ideal.
Também acho que funcionaria melhor como curta, pela dinâmica, a história é boa mas poderia ser mais breve. Não tô acostumado com esse estilo de desenho e visualmente me agradou pouco, mas a transição de imagens salvou. Referências claras ao cangaço, que eu já queria pesquisar sobre e que o filme me motivou mais ainda.
Achei que teve um lado "pra catequisar", quando eu esperava que fosse mais neutro em relação a religiosidade embora houvesse o personagem Santo. Talvez por causa da cultura retratada?
Um filme simples, mas bonito e interessante, porém seria mais interessante como curta. A história em sim não segura como longa-metragem.
Lembra ao Auto da Compadecida, isso é bem óbvio, mas não pude deixar de citar.