A turnê Roger Waters The Wall, que rodou o mundo entre os anos de 2010 e 2013, filmada detalhadamente em três cidades. A megaestrutura, que inclui um cenário faraônico que relembra os clássicos dos anos 1970, provoca as mais diversas sensações nos fãs. Paralelamente, o próprio Roger Wates embarca em uma viagem pessoal ao visitar os túmulos do pai e do avô, mortos na Segunda e na Primeira Guerra Mundial, respectivamente.
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O B R A
D E
A R T E
Isso aqui não é um show, é uma obra de arte!
Roger Waters profundamente sensível aos celeumas sociais e os males que corrói a alma humana.
Um documentário musical desconcertante, político, pessoal e poderoso, único no gênero, indicado ao Grammy em 2016. Roger Waters, o compositor e líder do Pink Floyd, dirige ao lado de Sean Evans, unindo trechos dos shows da turnê “The Wall Live”, baseada no álbum conceitual de mesmo título, com longas sequências de viagens de Waters dentro de um carro, como se fosse um road movie existencial, onde ele analisa as perdas que sofreu durante a vida por causa da guerra – dentre os traumas, a morte do avô e do pai, militares que sucumbiram respectivamente na Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Em homenagem aos dois, e como forma de protestar contra as guerras pelo mundo, Waters escreveu uma série de canções imortalizadas pelo Pink Floyd.
“The Wall Live Tour” foi uma turnê caríssima, que custou R$ 55 milhões, durando três anos (2010 a 2013), num total de 192 apresentações em três continentes. Ao longo dos 132 minutos do doc, faz-se um recorte com partes principais do show, com cenas de palco na Grécia, França e a épica montagem na Argentina, trazendo músicas importantes da carreira dele, como “Another brick in the Wall”, “Hey you”, “Comfortably numb”, “Mother” e “Goodbye Blue Sky” – só para ter uma noção do engajamento de Waters, em dado momento ele sobe ao palco com uniforme nazista, de óculos escuros, empunhando uma metralhadora que atira para todos os lados da plateia.
Fora das imagens dos shows (cuja direção de arte é um arraso), tem o lado documental, Waters músico se confunde com o Waters pessoa comum, que chora diante do túmulo do pai morto, e há encenações típicas de cinema, quando ele conversa com um fantasma, procurando compreender o mundo cruel onde vivemos.
Nos créditos finais, ele homenageia pessoas do mundo inteiro mortas em algum tipo de guerra, chacina ou terrorismo – aparecem, no painel fotográfico com mais de 100 pessoas, três brasileiros, Chico Mendes, Jean Charles e Sergio Vieira de Mello.
POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema na Web
Waters revisitou a obra The Wall de maneira profunda, humana, emotiva, com atuação brilhante e forte crítica social. A edição especial em Blu-ray é um primor de imagem e conteúdo! Recomendadíssimo!