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Rosa la Rose é a mais bela prostituta de Les Halles. Todos os clientes a desejam e ela não nega nenhum deles. O seu cafetão é um homem compreensivo e generoso. Sobre a vida de Rosa há pouco a contar. Até que surge um jovem chamado Julien e ela se apaixona. Mas valerá a pena deixar sua vida por uma loucura de amor?
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Em quarenta anos de vida, nunca tinha ouvido falar deste filme (e quase nada sobre o diretor). De repente, inúmeros conhecidos passaram a elencar este filme como um dos melhores da década de 1980. Fui obrigado a conferi-lo, a mergulhar em seu universo afetivo. Deparei-me com uma mistura de Jacques Demy com Robert Bresson: em relação ao primeiro, pela musicalidade e pela abundância de cores; ao segundo, pela melancolia subjacente às relações e romances. Reconhecendo, de imediato, o subgênero ao qual a obra se vincula ("filme de crítico da Cahiers du Cinèma"), evitei gerar expectativas, permiti-me ser surpreendido pela Beleza. E assim aconteceu: como não apaixonar-se de imediato pela extraordinária Marianne Basler? Linda e reluzente, enfeitiça tudo ao seu redor, ainda que, às vezes, pareça uma coadjuvante das mutretas de cafetões e clientes. Há algo de exagerado na dramaticidade do enredo, mas isso está condizente com o universo sensorial desta obra de arte, cujas intenções ultrapassa as menções sinópticas. É um filme-convite, uma aula de passionalidade em formato cinematográfico. Tive acesso ao mesmo numa cópia ruim e sem legendas. Voltarei a ele noutras situações, isso é certo! Numa comparação acerca de seu impacto, pensei muito em QUATRO NOITES DE UM SONHADOR. Lindo! (WPC>)
Adorei o filme, a estética, e a historia que tem sutileza, sensualidade e uma pegada agridoce.... Rosa era linda!
Em 84 minutos, Vecchiali aborda com profundidade as emoções das personagens e cria uma trama humanista sem recorrer a um "dramalhão emocional exagerado". Muito longe disso. Ele também não se limita à noção de que "uma puta também ama". O filme, com efeito, retrata a perspectiva mais ampla de que a possibilidade de "cair" em um encontro amoroso esta colocada para todos. Cair no sentido de tornar-se vítima de uma situação inesperada e ter que lidar com um sentimento forte e imprevisto.
Por se tratar de uma prostituta, tem-se a impressão de que o roteiro corresponda a um ensaio sobre o sexualidade, quando, na realidade, o sexo é a coisa mais simples projetada em tela, por ser um elemento de rotina. O filme é um anúncio sobre a liberdade e suas (im)possibilidades, seja no sexo ou fora dele. Nota-se que o momento
em que a personagem se vê cativa a um sentimento, até então desconhecido, é um ponto de virada no roteiro. Seu desafio é saber o que fazer com isso. Ela não sabia. Foi iniciada na questão do amor e sua inexperiência traz beleza e vivacidade ao filme.
Vale destacar que a resolução do roteiro não descarta a tarefa de se tentar atribuir um desfecho à história do casal, de acordo com a percepção gerada pelo magnetismo do encontro deles. Além disso, é tentador não estabelecer uma correlação entre o nome da protagonista, Rosa, e seu próprio florescer, sendo este um processo que implica dor, sangue e vulnerabilidade, numa abordagem nada "Disney".