Salomé, a filha de Herodíades, seduz seu padrasto e tio Herodes, governador da Judeia, com uma dança lasciva. Em troca, ele promete a cabeça do profeta João Batista.
Amei a teatralidade das atuações, a cenografia, toda a construção. Visivelmente uma grande referência até os dias atuais na cultura pop (the fame monster, applause, vulnikura..)
Um fascinante teatro filmado com figurinos altamente estilizados e ótimo uso da iluminação. Nazimova estava velha para o papel da adolescente que dá título ao filme mas isso não chega a comprometer o resultado final.
Moldada pelo método de interpretação criado por Stanislavisky, onde a força emotiva dos personagens deveria se derivar das experiencias pessoais do histórico de vida do ator , Alla Nazimova surgiu primeiro como uma maiores atrizes dos palcos no fim do século XIX e início do século XX. Reconhecida em sua época como a melhor intérprete das adaptações das peças de Ibsen, deixou a cena artística da Europa pelos palcos da Broadway. Antes de completar 40 anos (já no final dos anos de 1920), Nazimova já era considerada velha para os papeis que ainda almejava realizar. A perda do controle criativo que desejava e a escassez de personagens de seu interesse, fizeram-na sair de Nova Iorque e ir para a nova meca do cinema mundial: Hollywood. O primeiro estúdio se fixou em Hollywood em 1911 e o primeiro filme de Alla, War Brides foi feito em 1916, tornando-a, uma pioneira da indústria de entretenimento que ali se instalava. Alla Nazimova tinha uma participação lendária na agitação da vida social artística da recém criada cidade dos sonhos, realizando festas e dando recepções em sua casa, que ficou conhecida como o "Jardim de Alla". Amiga do mítico 'latin lover' Rudolpho Valentino e de sua esposa, a diretora de arte Natasha Rambova, a atriz ucraniana rapidamente estabeleceu contatos na Tinseltwon e fundou sua própria produtora. Embora tivesse trabalhado com o galã Valentino em A Dama das Camélias, foi em Salomé, tendo Rambova como diretora de arte, que Alla Nazimova deixou uma marca de forte composição visual na montagem de uma obra classica de Oscar Wilde baseada na histórica bíblica de Salomé. O filme apresenta uma narrativa muito mais independente e autoral dos que as produções desse período. A perspectiva vanguardista na composição estética do palácio de Herodes, dos figurinos e da cenografia se aliam ao texto de Wilde apresentando uma Salomé, que através de Nazimova, transparece uma indiferença mortal e uma energia maléfica raramente vista nas interpretações das vilãs durante o período do cinema silencioso. Sim, existe ainda a limitação das técnicas de construção de imagem, a câmera ainda tem um papel estático de uma cumplicidade imóvel sem muitas variedades de planos. É notório também uma forte contaminação da disposição teatral, acentuada pela necessidade de um gesticular mais contundente pela ausência de áudio. Essa característica fica visível nas interpretações com excesso de pantominas e antinaturalidade do elenco, praticamente regra nas atuações daquela época. Ótimo trabalho experimental e artístico onde o cinema ainda procurava sedimentar uma linguagem independente do teatro.
Para um filme mudo me impactar, ele tem que ser muito bom e esse filme me deixou em êxtase, a começar por Alla Nazimova, uma das atrizes da era silenciosa que mais amo e admiro como atriz e por ser uma mulher totalmente libidinosa e a frente do seu tempo, esse filme prova justamente isso: fiquei impactado pelo alto teor de androginia e pela carga sensual e em alguns momentos homoerótica, pegar uma história bíblica e transformá-la em algo totalmente fora do esperado já é um grande acerto, a trilha sonora misteriosa e ao mesmo tempo com toques futuristas me fascinou e Alla Nazimova com seus trejeitos exagerados, por vezes caricatos, não deixa o fascínio pelo filme e pela personagem cair.
Amei a teatralidade das atuações, a cenografia, toda a construção. Visivelmente uma grande referência até os dias atuais na cultura pop (the fame monster, applause, vulnikura..)
15.05.25
Extremamente encantador.A forma teatral em que foi filmado melhora ainda mais a situação.Nazimova não era desse mundo.
>Assistido em 29 de Julho de 2023
Um fascinante teatro filmado com figurinos altamente estilizados e ótimo uso da iluminação. Nazimova estava velha para o papel da adolescente que dá título ao filme mas isso não chega a comprometer o resultado final.
Moldada pelo método de interpretação criado por Stanislavisky, onde a força emotiva dos personagens deveria se derivar das experiencias pessoais do histórico de vida do ator , Alla Nazimova surgiu primeiro como uma maiores atrizes dos palcos no fim do século XIX e início do século XX. Reconhecida em sua época como a melhor intérprete das adaptações das peças de Ibsen, deixou a cena artística da Europa pelos palcos da Broadway. Antes de completar 40 anos (já no final dos anos de 1920), Nazimova já era considerada velha para os papeis que ainda almejava realizar. A perda do controle criativo que desejava e a escassez de personagens de seu interesse, fizeram-na sair de Nova Iorque e ir para a nova meca do cinema mundial: Hollywood. O primeiro estúdio se fixou em Hollywood em 1911 e o primeiro filme de Alla, War Brides foi feito em 1916, tornando-a, uma pioneira da indústria de entretenimento que ali se instalava. Alla Nazimova tinha uma participação lendária na agitação da vida social artística da recém criada cidade dos sonhos, realizando festas e dando recepções em sua casa, que ficou conhecida como o "Jardim de Alla". Amiga do mítico 'latin lover' Rudolpho Valentino e de sua esposa, a diretora de arte Natasha Rambova, a atriz ucraniana rapidamente estabeleceu contatos na Tinseltwon e fundou sua própria produtora. Embora tivesse trabalhado com o galã Valentino em A Dama das Camélias, foi em Salomé, tendo Rambova como diretora de arte, que Alla Nazimova deixou uma marca de forte composição visual na montagem de uma obra classica de Oscar Wilde baseada na histórica bíblica de Salomé. O filme apresenta uma narrativa muito mais independente e autoral dos que as produções desse período. A perspectiva vanguardista na composição estética do palácio de Herodes, dos figurinos e da cenografia se aliam ao texto de Wilde apresentando uma Salomé, que através de Nazimova, transparece uma indiferença mortal e uma energia maléfica raramente vista nas interpretações das vilãs durante o período do cinema silencioso. Sim, existe ainda a limitação das técnicas de construção de imagem, a câmera ainda tem um papel estático de uma cumplicidade imóvel sem muitas variedades de planos. É notório também uma forte contaminação da disposição teatral, acentuada pela necessidade de um gesticular mais contundente pela ausência de áudio. Essa característica fica visível nas interpretações com excesso de pantominas e antinaturalidade do elenco, praticamente regra nas atuações daquela época. Ótimo trabalho experimental e artístico onde o cinema ainda procurava sedimentar uma linguagem independente do teatro.
Para um filme mudo me impactar, ele tem que ser muito bom e esse filme me deixou em êxtase, a começar por Alla Nazimova, uma das atrizes da era silenciosa que mais amo e admiro como atriz e por ser uma mulher totalmente libidinosa e a frente do seu tempo, esse filme prova justamente isso: fiquei impactado pelo alto teor de androginia e pela carga sensual e em alguns momentos homoerótica, pegar uma história bíblica e transformá-la em algo totalmente fora do esperado já é um grande acerto, a trilha sonora misteriosa e ao mesmo tempo com toques futuristas me fascinou e Alla Nazimova com seus trejeitos exagerados, por vezes caricatos, não deixa o fascínio pelo filme e pela personagem cair.