Depois que uma jovem é encontrada morta em uma comunidade religiosa isolada nas montanhas, um grupo de adolescentes decide lutar contra os espíritos malignos que acreditam tê-la matado, abraçando sua própria natureza sombria.
Adolescente demais pro meu gosto. De terror não tem praticamente nada, com uma pegada mais drama de comunidade religiosa que quer controlar tudo e todos. Nem as atuações se salvam muito, tirando a protagonista.
Esse filme canadense de baixo orçamento pode parecer meio perdido em seu passeio por vários tipos de filmes de terror diferentes, mas achei bem coerente em sua crítica ao machismo, a religião e todo o conceito patriarcal que se esconde por trás das comunidades religiosas e de como eles sempre culpam as mulheres de serem livres enquanto os homens são parabenizados por serem selvagens. Destaque para a atuação da Summer no papel principal (nossa futura Carrie - A Estranha, outra obra com temática de opressão religiosa que chega no Halloween desse ano), que resgata bastante a tensão de uma adolescente vivendo sob a ótica da opressão, é criticada por tudo que para os homens da sua idade é normal, até mesmo ler Histórias em Quadrinhos.
Com elementos típicos de Folk Horror, desde a comunidade isolada e assassinatos misteriosos, até o comportamento das meninas que ao se depararem com o medo, o luto e o trauma, aos poucos vão voltando para um estado primitivo e ancestral do comportamento humano e ao visual da criatura apresentada como uma mistura de humano com árvore e que aparece para várias meninas que estão sozinhas na floresta.
Ao vermos que o assassino é apenas um humano de carne e osso, o tom do filme muda drasticamente dos tons sombrios de contos de fadas sobrenatural com elementos de folk horror para o horror real, sangrento e visceral de um terror policial de sobrevivência, encerrando a mensagem da temática de amadurecimento do filme, do monstro saindo pra dar lugar ao homem, os pesadelos infantis da menina indo embora ao se deparar com a realidade bruta e cruel. Mostrando que o tempo todo a criatura que espreitava na floresta e aparecia em vários momentos emblemáticos do filme realmente existia e não era um Homem Árvore e sim um simples caçador humano disfarçado com vegetações e pronto para fazer novas presas.
Se reparar no começo do filme na cena da abordagem policial ela visualiza um cara estranho ao lado da viatura, reparem bem nele, logo depois esse mesmo cara atravessa a rua e ela desvia o carro, ele é o assassino abusador que aparece no final do filme. Ao passar pela viatura, o olhar dela cruza com o dele. Os adultos ignoram aquela figura periférica, mas ela, com a intuição e o medo aguçados, fixa os olhos no homem e percebe que há algo de profundamente errado e ameaçador nele. O roteiro planta esse momento de forma genial: a resposta para o mistério estava literalmente na cara da polícia e sob os olhos da protagonista desde o início do filme, mas a comunidade preferiu ignorar o perigo real que andava entre eles, forçando as garotas a buscarem suas próprias respostas na floresta. O fato de ela ser a única a conseguir enxergá-lo no começo do filme amarra perfeitamente toda a psicologia da história por dois motivos principais: O primeiro deles é O "Sexto Sentido" do Trauma: como a protagonista já carrega uma bagagem de vulnerabilidade, luto e medo daquele ambiente opressor, a mente dela funciona quase como um radar para o perigo real. Enquanto os outros estão cegos pela rotina ou pela falsa sensação de segurança da comunidade, ela capta a presença da ameaça rondando os limites da floresta. O segundo deles é A Projeção do Monstro: Isso explica perfeitamente por que ela lidera a criação do "mito" e do ritual. Como ela viu aquele homem bizarro e ameaçador, mas provavelmente não conseguiu processar ou expressar isso de forma racional para os adultos (que não acreditariam ou a reprimiriam), a mente dela transformou aquela figura assustadora na floresta no "monstro sobrenatural" e sua amiga que perdeu a melhor amiga pro assassino é a única que acredita inicialmente nela.
Encerrando com chave de ouro podemos ouvir "Whole Wide World do Wreckless Eric", clássico dos anos 70 sobre a solidão de um homem que resolve dar a volta ao mundo para procurar a garota que esconderam. Combinando com a temática do filme da menina amiga dela que queria fugir do vilarejo e conhecer o mundo e aqui a mensagem musical da obra adquire novas camadas quando a letra realça "a garota que esconderam" realçando a mensagem de liberdade e empoderamento feminino e união das mulheres pra romperem as normas sociais da opressão.
Adolescente demais pro meu gosto. De terror não tem praticamente nada, com uma pegada mais drama de comunidade religiosa que quer controlar tudo e todos. Nem as atuações se salvam muito, tirando a protagonista.
Esse filme canadense de baixo orçamento pode parecer meio perdido em seu passeio por vários tipos de filmes de terror diferentes, mas achei bem coerente em sua crítica ao machismo, a religião e todo o conceito patriarcal que se esconde por trás das comunidades religiosas e de como eles sempre culpam as mulheres de serem livres enquanto os homens são parabenizados por serem selvagens. Destaque para a atuação da Summer no papel principal (nossa futura Carrie - A Estranha, outra obra com temática de opressão religiosa que chega no Halloween desse ano), que resgata bastante a tensão de uma adolescente vivendo sob a ótica da opressão, é criticada por tudo que para os homens da sua idade é normal, até mesmo ler Histórias em Quadrinhos.
Com elementos típicos de Folk Horror, desde a comunidade isolada e assassinatos misteriosos, até o comportamento das meninas que ao se depararem com o medo, o luto e o trauma, aos poucos vão voltando para um estado primitivo e ancestral do comportamento humano e ao visual da criatura apresentada como uma mistura de humano com árvore e que aparece para várias meninas que estão sozinhas na floresta.
Ao vermos que o assassino é apenas um humano de carne e osso, o tom do filme muda drasticamente dos tons sombrios de contos de fadas sobrenatural com elementos de folk horror para o horror real, sangrento e visceral de um terror policial de sobrevivência, encerrando a mensagem da temática de amadurecimento do filme, do monstro saindo pra dar lugar ao homem, os pesadelos infantis da menina indo embora ao se deparar com a realidade bruta e cruel. Mostrando que o tempo todo a criatura que espreitava na floresta e aparecia em vários momentos emblemáticos do filme realmente existia e não era um Homem Árvore e sim um simples caçador humano disfarçado com vegetações e pronto para fazer novas presas.
Se reparar no começo do filme na cena da abordagem policial ela visualiza um cara estranho ao lado da viatura, reparem bem nele, logo depois esse mesmo cara atravessa a rua e ela desvia o carro, ele é o assassino abusador que aparece no final do filme. Ao passar pela viatura, o olhar dela cruza com o dele. Os adultos ignoram aquela figura periférica, mas ela, com a intuição e o medo aguçados, fixa os olhos no homem e percebe que há algo de profundamente errado e ameaçador nele. O roteiro planta esse momento de forma genial: a resposta para o mistério estava literalmente na cara da polícia e sob os olhos da protagonista desde o início do filme, mas a comunidade preferiu ignorar o perigo real que andava entre eles, forçando as garotas a buscarem suas próprias respostas na floresta. O fato de ela ser a única a conseguir enxergá-lo no começo do filme amarra perfeitamente toda a psicologia da história por dois motivos principais: O primeiro deles é O "Sexto Sentido" do Trauma: como a protagonista já carrega uma bagagem de vulnerabilidade, luto e medo daquele ambiente opressor, a mente dela funciona quase como um radar para o perigo real. Enquanto os outros estão cegos pela rotina ou pela falsa sensação de segurança da comunidade, ela capta a presença da ameaça rondando os limites da floresta. O segundo deles é A Projeção do Monstro: Isso explica perfeitamente por que ela lidera a criação do "mito" e do ritual. Como ela viu aquele homem bizarro e ameaçador, mas provavelmente não conseguiu processar ou expressar isso de forma racional para os adultos (que não acreditariam ou a reprimiriam), a mente dela transformou aquela figura assustadora na floresta no "monstro sobrenatural" e sua amiga que perdeu a melhor amiga pro assassino é a única que acredita inicialmente nela.
Encerrando com chave de ouro podemos ouvir "Whole Wide World do Wreckless Eric", clássico dos anos 70 sobre a solidão de um homem que resolve dar a volta ao mundo para procurar a garota que esconderam. Combinando com a temática do filme da menina amiga dela que queria fugir do vilarejo e conhecer o mundo e aqui a mensagem musical da obra adquire novas camadas quando a letra realça "a garota que esconderam" realçando a mensagem de liberdade e empoderamento feminino e união das mulheres pra romperem as normas sociais da opressão.
Lixo puro.
37% de avaliação no Google.⚰️
03/02/26