Jovem de família humilde, David Greene tem sua grande chance quando é recrutado para jogar futebol americano e estudar em escola de elite. Seu sucesso é imediato, mas tudo muda quando os colegas descobrem que ele é judeu.
Filme pouco movimentado que fala sobre um código moral, preconceito, méritos e privilégios, vale pelo elenco recheado de jovens talentos na época, Brendan Fraser, Matt Damon, Ben Affleck e Chris O'Donnell.
SCHOOL TIES Direção: Robert Mandel Ano: 1992 Assistido em: 25/01/2026
Existem filmes que são muito lembrados pela soma de fatores em que tudo está perfeitamente no lugar, enquanto há aqueles que ficam marcados por um ponto muito específico, como por exemplo, a atuação. É o que muitas vezes chamamos de “filme de ator”, quando o elenco é o maior destaque. Este filme se encaixa claramente nesse segundo critério: ele é muito mais lembrado pela grande quantidade de profissionais com carreiras consolidadas que aqui ainda estavam no início do que pela história em si, e, ao assistir, você percebe perfeitamente o porquê disso acontecer.
Em uma escola preparatória elitista dos Estados Unidos dos anos 1950, David Greene conquista uma bolsa de estudos graças ao seu talento esportivo e rapidamente se destaca entre os colegas. Ao se integrar ao grupo liderado por Chris Reece, ele passa a experimentar o prestígio e as pressões do ambiente fechado e conservador da instituição. Quando seu passado e sua identidade começam a ameaçar sua permanência, David é forçado a escolher entre se adaptar às regras implícitas daquele meio ou defender quem ele realmente é.
A trama de School Ties é muito interessante. É até doloroso dizer que ela é atemporal, afinal, preconceito e pessoas tendo que lutar para se provar em ambientes tóxicos é algo que infelizmente sempre existiu e, ao que tudo indica, continuará existindo por muitos e muitos anos. Ainda assim, fica a sensação constante de que a história poderia ter ido muito além do que foi.
Judeus sofrem preconceito há milênios, isso não é algo que começou ontem. Mas, se você tirar um judeu e colocar um negro, um homossexual, um árabe, um asiático ou, dependendo do contexto, até mesmo uma mulher, o filme ainda funciona. Pessoas privilegiadas, que já nasceram ricas e que nunca sentiram na pele o peso de um estigma, dificilmente conseguem compreender o que é ser o diferente, o que é não se encaixar no padrão. Esse é, sem dúvida, o ponto forte do filme. O problema é que o roteiro é preguiçoso.
Ele demora demais para realmente acontecer. David só é descoberto como judeu depois de mais de uma hora de filme e, a partir daí, os desdobramentos perdem inúmeras possibilidades de se tornarem muito mais interessantes do que realmente foram. Fica a impressão de que o roteirista Dick Wolf, bastante conhecido por suas séries policiais de TV, poderia ter ido muito além, mostrando situações muito mais sérias e contundentes do que aquelas que vemos em cena. A sensação é de que toda a trama contra David, envolvendo a cola na prova, é muito boba. Até mesmo a parte da suástica, que poderia render algo forte e perturbador, acaba ficando por isso mesmo.
O ponto alto aqui é, sem dúvida, o elenco estelar reunido em um único filme. Muita gente grande saiu daqui. Além de Brendan Fraser, ainda tivemos Matt Damon, Chris O’Donnell, Ben Affleck e Cole Hauser enfim, nomes que cresceram em Hollywood e seguem até hoje em atividade, alguns em projetos maiores, outros nem tanto, mas todos ainda presentes. Infelizmente, o roteiro não os aproveita como deveria. Se fosse mais audacioso, poderia extrair desses jovens atores situações muito mais interessantes.
Esse é daqueles filmes que poderiam ser muito melhores do que realmente são. Faltou que as engrenagens se movessem da maneira correta, que roteiro e direção fossem trabalhados de forma mais ousada, menos protocolar, menos engessada. Ainda assim, ele segue interessante pelo elenco, já que é sempre curioso ver versões jovens de atores hoje cinquentões que acompanhamos no cinema e na TV. E também por refletir a sociedade: não importa se é 1958, ano em que a história se passa, se é 1992, quando o filme foi lançado, ou se é 2026, agora que eu o assisto. Infelizmente, a situação é a mesma. Fato que fica ainda mais evidente com a fala final do personagem de Matt Damon, quando ele lembra que, pelo simples fato de ser branco e rico, absolutamente nada de sério aconteceria com ele. Mais atual. impossível.
Brendan Fraser, desde o início um excelente ator!
Um bom filme!
Filme pouco movimentado que fala sobre um código moral, preconceito, méritos e privilégios, vale pelo elenco recheado de jovens talentos na época, Brendan Fraser, Matt Damon, Ben Affleck e Chris O'Donnell.
SCHOOL TIES
Direção: Robert Mandel
Ano: 1992
Assistido em: 25/01/2026
Existem filmes que são muito lembrados pela soma de fatores em que tudo está perfeitamente no lugar, enquanto há aqueles que ficam marcados por um ponto muito específico, como por exemplo, a atuação. É o que muitas vezes chamamos de “filme de ator”, quando o elenco é o maior destaque. Este filme se encaixa claramente nesse segundo critério: ele é muito mais lembrado pela grande quantidade de profissionais com carreiras consolidadas que aqui ainda estavam no início do que pela história em si, e, ao assistir, você percebe perfeitamente o porquê disso acontecer.
Em uma escola preparatória elitista dos Estados Unidos dos anos 1950, David Greene conquista uma bolsa de estudos graças ao seu talento esportivo e rapidamente se destaca entre os colegas. Ao se integrar ao grupo liderado por Chris Reece, ele passa a experimentar o prestígio e as pressões do ambiente fechado e conservador da instituição. Quando seu passado e sua identidade começam a ameaçar sua permanência, David é forçado a escolher entre se adaptar às regras implícitas daquele meio ou defender quem ele realmente é.
A trama de School Ties é muito interessante. É até doloroso dizer que ela é atemporal, afinal, preconceito e pessoas tendo que lutar para se provar em ambientes tóxicos é algo que infelizmente sempre existiu e, ao que tudo indica, continuará existindo por muitos e muitos anos. Ainda assim, fica a sensação constante de que a história poderia ter ido muito além do que foi.
Judeus sofrem preconceito há milênios, isso não é algo que começou ontem. Mas, se você tirar um judeu e colocar um negro, um homossexual, um árabe, um asiático ou, dependendo do contexto, até mesmo uma mulher, o filme ainda funciona. Pessoas privilegiadas, que já nasceram ricas e que nunca sentiram na pele o peso de um estigma, dificilmente conseguem compreender o que é ser o diferente, o que é não se encaixar no padrão. Esse é, sem dúvida, o ponto forte do filme. O problema é que o roteiro é preguiçoso.
Ele demora demais para realmente acontecer. David só é descoberto como judeu depois de mais de uma hora de filme e, a partir daí, os desdobramentos perdem inúmeras possibilidades de se tornarem muito mais interessantes do que realmente foram. Fica a impressão de que o roteirista Dick Wolf, bastante conhecido por suas séries policiais de TV, poderia ter ido muito além, mostrando situações muito mais sérias e contundentes do que aquelas que vemos em cena. A sensação é de que toda a trama contra David, envolvendo a cola na prova, é muito boba. Até mesmo a parte da suástica, que poderia render algo forte e perturbador, acaba ficando por isso mesmo.
O ponto alto aqui é, sem dúvida, o elenco estelar reunido em um único filme. Muita gente grande saiu daqui. Além de Brendan Fraser, ainda tivemos Matt Damon, Chris O’Donnell, Ben Affleck e Cole Hauser enfim, nomes que cresceram em Hollywood e seguem até hoje em atividade, alguns em projetos maiores, outros nem tanto, mas todos ainda presentes. Infelizmente, o roteiro não os aproveita como deveria. Se fosse mais audacioso, poderia extrair desses jovens atores situações muito mais interessantes.
Esse é daqueles filmes que poderiam ser muito melhores do que realmente são. Faltou que as engrenagens se movessem da maneira correta, que roteiro e direção fossem trabalhados de forma mais ousada, menos protocolar, menos engessada. Ainda assim, ele segue interessante pelo elenco, já que é sempre curioso ver versões jovens de atores hoje cinquentões que acompanhamos no cinema e na TV. E também por refletir a sociedade: não importa se é 1958, ano em que a história se passa, se é 1992, quando o filme foi lançado, ou se é 2026, agora que eu o assisto. Infelizmente, a situação é a mesma. Fato que fica ainda mais evidente com a fala final do personagem de Matt Damon, quando ele lembra que, pelo simples fato de ser branco e rico, absolutamente nada de sério aconteceria com ele. Mais atual. impossível.
05.12.1993