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Raríssimo filme experimental, comparado aos trabalhos mais radicais da Nouvelle Vague francesa, marca a primeira parceria do diretor Jack Bond e a atriz e roteirista Jane Arden.
Com narrativa episódica, não linear e por vezes surreal, mostra a desintegração emocional de uma mulher (Jane Arden) e o relacionamento dela com o (ex) marido e o amante.
O tema musical é do grupo Procol Harum.
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Filme experimental com capricho estético e atraente fotografia.
"Are you seeing things? Cleary? Fairly? Distorted? Deranged? Please choose relevant reply.
Have you been deluded? Excluded? Cheated? Misled? Please choose relevant reply.
Or are you just....mad? Bad? Self-pitying or split?"
Eu fico sempre impressionada com a capacidade de Jane Arden em imprimir cinematograficamente e de uma forma tão fiel como é ter doenças mentais. A análise do desenvolvimento da loucura e seus desdobramentos nas mulheres(ou qualquer pessoa que tenha tido a feminilidade imposta) foi feita em The Other Side of the Underneath de forma primorosa abusando da subjetividade que o tema permite, mas em Separation o enfoque são os impactos da doença mental no cotidiano e principalmente as influências do campo científico nisso.
Por muitos anos foi validada cientificamente reações de mulheres à sua sexualidade ou a aversão à feminilidade e seus papeis como doenças mentais em potencial(histeria). Jane Arden mostra os efeitos da exposição feminina à essas análises científicas que usam de meios misóginos para confirmar seus diagnósticos. Assim como em Anti-Clock, Arden deixa constantes avisos sobre como a maternidade compulsória e os demais papéis femininos impostos podem ser tóxicos e degradantes para a saúde mental.
Acredito que o cinema experimental de Arden na verdade não tem nada de experimental, psicodélico, mindfuck ou qualquer adjetivo do gênero. Na verdade, vejo os acontecimentos de seus filmes como coisas totalmente palpáveis pois ela fazia filmes sob seu próprio ponto de vista de pessoa neuro atípica à beira de um mental breakdown, e essas impressões quando vistas por pessoas neuro típicas podem parecer delírio, mas para quem sabe o que é delirar constantemente as obras de Jane Arden parecem totalmente reais e reconfortantes.
Magnífico e exuberante filme! Injustamente arquivado na categoria de "raros". O que significa a história do cinema? Quase nada quando descobrimos quem verdadeiramente deveria ocupar os lugares principais. Separation é obra de gênio, trabalho comunitário portando um texto maravilhoso com uma câmera soberba. O estilhaçamento de uma mente não é o tema desse filme, mas a sua estrutura. É um filme estilhaçado, exigente, insuperável na sua riqueza estética. Êxito do cinema e da literatura, êxito da arte.