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Carapirú é um índio nômade que, após ter seu grupo familiar massacrado num ataque surpresa de fazendeiros, consegue escapar e viver, durante 10 anos, perambulando pelas serras do Brasil central. Capturado em novembro de 1988, a dois mil quilômetros de distância de seu ponto de partida, é levado pelo sertanista Sydney Possuelo para Brasília. Sua história ganha as páginas dos jornais, gerando polêmica entre historiadores e antropólogos em relação à sua origem e identidade. É identificado como um Guajá por um índio intérprete, órfão de 18 anos, que havia sido resgatado, há 10 anos, pelo próprio sertanista, dos maus tratos de um fazendeiro. Mais uma surpresa do destino: os dois índios reconhecem-se como pai e filho, sobreviventes do massacre de 10 anos antes, ambos acreditando-se mortos. O elenco é formado pelas próprias pessoas que viveram os fatos.
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Assisti a esse aqui quase seguido ao Bang Bang e entendo que a experimentalidade do Tonacci funciona melhor aqui do que lá.
A história parece até forçada demais pra ser verdade, e mesmo assim existe a impressão de que ela é a vida de muitas outras pessoas.
Sobre o que foi construído o Brasil? Quantos Carapirús ainda estão por aí?
Pra quem gostou, recomendo O Abraço da Serpente.
Impactado com esse filme. Para quem se interessar está na plataforma Itaú Cultural Play gratuito. Belo, doloroso e necessário, ainda mais nesses tempos em que o genocídio e a destruição da floresta foram legitimadas e estimuladas.
- uma história incrível e triste, reencenada por seus próprios personagens, ninguém mais teria direito a viver esses papéis
- que civilização é essa, que mata, destrói e expulsa as pessoas de sua própria terra?
- e no futuro vemos que destrói a própria Terra e a humanidade em troca do lucro alto de uns poucos
- o mais revoltante, e isso não está no filme, é saber do destino final de carapiru devido a um governo genocida
Muito reflexivo... Sinceramente, esse tipo de filme me faz questionar se realmente precisávamos se colonizados e até que ponto esse dito "progresso" é necessário. Confesso que fiquei triste em ver como aos poucos matamos mais um povo e sua cultura, com essa nossa evolução irremediável. O diálogo do fogo, em que um dos produtores relata o incomodo que teve, depois de mandar um menino índio apagar o faixo, mostrando em seguida o fósforo. É o depoimento mais forte do filme!
Atualidade e reconstituição se confundem em "Serras da Desordem", documentário que poderia merecer créditos pelo uso da metalinguagem, mas cujo emaranhado cronológico acaba dificultando consideravelmente a imersão. A princípio, as reconstituições do passado são em preto e branco, enquanto os registros contemporâneos são 'a cores', mas o próprio Andrea Tonacci quebra essa regra várias vezes durante a narrativa (inclusive, nas cenas iniciais). O resultado acaba sendo um filme mais confuso e dispersivo do que deveria. Mais um filme importante do que um filme necessariamente bom. A temática sobre a invasão às terras indígenas, a violência quanto ao índio, o perigo de suas culturas desaparecerem e a incompetência e a corrupção dos órgãos governamentais competentes, é o que mantém a chama do longa viva. Mas ele poderia ter facilmente de meia hora a quarenta e cinco minutos a menos.