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Vivendo de sua própria maneira peculiar, o cineasta de classe média Antônio (Wandré Gouveia) está habituado a passar por uma série de encontros e desencontros durante sua rotina. Desde relacionamentos mais habituais e simples como Irene (Malu Galli), uma amiga de longa data, até seu namorado Álvaro (Vinicius Meloni) e seu companheiro casual Matias (Carlos Escher), com quem mantém relações sexuais. Tudo o que ele vive eventualmente se converte em aspiração e criatividade.
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"[...] a memória pode ser subjetiva. Eis aí o filme dentro do filme quando Gotardo nos prega uma peça em reiniciar o filme que soa como uma semi-biografia. João (Gotardo) é um cineasta que se divide entre sua melhor amiga, Irene (Malu Galli), o namorado, Álvaro (Vinícius Meloni) e um sexo casual com Matias (Carlos Escher). Todos estes personagens carregam em seus corpos o sufoco dos dias, dos anos. Nesse sentido, a memória tem um papel fundamental em modelar esses corpos nas suas angustias existenciais. O que o corpo pede?"
Minha crítica completa: cineset .com .br/critica-seus-ossos-seus-olhos/
Nota: ...∞ (-) 0.
Como a autorepresentação da classe média consegue ser tão insuportavelmente constrangedora com suas espirais ensaísticas de ruminação para tratamento de culpa, de declamações de desabafos sucessivos e intimistas no seu hálito piegas de chão de taco, e em dancinhas de tiktok bugado da Pina Bausch, sob uma costura narrativa que visa, aparentemente, sugerir uma pretensão sentimentalista de ''sintonia corporal'' com o espectador, só faltou a trilha de ukulele ou da Tiê para coroar essa tortura audiovisual de quase duas horas...
Sou apaixonado por este realizador, pelo modo como ele amplifica as experiências e encontros cotidianos, a partir de uma reconstituição progressiva, via diálogos, de situações fortuitas, de pequenas irrelevâncias do dia a dia, muito mais significativas do que percebemos, no instante em que elas ocorrem. Neste sentido, ele pode ser vinculado aos procedimentos de cronistas cinematográficos associados à afetividade, como Éric Rohmer e Hong Sang-Soo. Porém, confesso: depois de decepcionar-me com VOCÊ NOS QUEIMA - ao menos, num primeiro contato - fiquei intimidado por causa da duração deste filme, que pareceu-me longa, no cotejo com a sinopse. Erro meu: o filme é delicioso em sua condução, ficamos permanentemente fascinados pelas reflexões e interações dos personagens, que são próximos de nós, a despeito de quaisquer condições de classe ou características profissionais. Neste sentido, sentimos o que o protagonista João sente, tamanha a sua perícia no compartilhamento das emoções e no reaproveitamento metalingüístico e palimpséstico das narrativas. O elenco está magistralmente entrosado e as imagens não vistas (mas, sim, vistas quando contadas por quem lembra) são brilhantes. Projetamo-nos, encantamo-nos, somos engrandecidos pelo convite sinestésico à sensibilidade. Extraordinário! (WPC>)
"Eu não sabia o que fazer comigo, com o que eu sentia."
Seus Ossos e Seus Olhos #SeusOssoseSeusOlhos de #CaetanoGotardo Brasil, 2019.
O cinema que Caetano Gotardo vem construindo é peculiarmente único e muito atraente. Seus Ossos e Seus Olhos é de 2019 mas só consegui ver agora no site da Embauba Filmes. E é muito belo, veja!
O longa conta a história de um cineasta daqui de São Paulo, suas idas e vindas pela cidade, seus encontros e desencontros com amigos e amores, sua rotina de trabalho.
Será o próprio Caetano esse cineasta? O filme em determinado momento quebra a quarta parede e mostra seu protagonista editando cenas que acabamos de ver, e logo depois as cenas acontecem de outra forma como se o diretor quisesse nos mostrar um outro lado da história, ou será a memória de homem se confundindo?
Intrigante e instigante o longa me conquista com seus tempos mortos, seus textos soltos seus corpos falantes e sua forma cinematográfica de encher de alma a tela.
#MaluGalli #ViniciusMeloni #CarlosEscher #CinemaBrasileiro
Tive que acelerar o filme para conseguir assistir. Mesmo assim acabei dormindo em algumas partes.