Documentário sobre a vida e a família da chilena Sybila Arredondo, presa por 15 anos no Peru, acusada de fazer parte do grupo revolucionário Sendero Luminoso.
Um caso aberrante de diretora que BRIGA com o filme, que põe em risco a sobrevivência de seu objeto, que não sabe bem o que fazer com o potente material que tem em mãos, mas que, mesmo assim, o filme grita, estrebucha e quase passa por cima do domínio pequeno-burguês da diretora, que insiste em reduzir tudo à nostalgia familiar, à forçação de barra emocional (nas entrevistas com a prima Carolina e com a tia que nomeia o filme, ela praticamente suplica para que ambas chorem, irca!)... A personagem retratada, porém, é maravilhosa e sabe que tudo o que ela tem a oferecer para o espectador é de interesse político, (inter)nacional, que vai muito além dos caprichos langorosos de uma rapariga rica e permanentemente escondida atrás da câmera, que tem escrúpulos em interromper as falas de sua entrevistada para dizer que discorda do que ela fala, mesmo demonstrando o quanto é - mais que "ingênua" - historicamente alienada. Internamente, há uma justificativa paternalista para isso, mas a diretora não a transcende, acata o protecionismo falacioso de seus pais e quase emudece os clamores revolucionários de sua tia, que é coerente, é mais forte e não se arrepende, a corrige diante da câmera, a repreende... Mas o poder está nas mãos de Teresa "boca-de-Bush", a diretora. É ela quem manda no filme e o maltrata, tenta reduzi-lo a propaganda chorosa reacionária ("oh, política maldita que retirou a minha tiazinha do seio da minha família": quase a ouvi gritar...), mas o filme SOBREVIVE! Por mais que a diretora o espanque, o filme e a excelente personagem real sobrevivem, ufa! (WPC>)
Separe-se daí o criador da criatura e o início do fim, vale ver pela criatura e pelo fim, sem contar de que é sempre bom conhecer um pouco mais da história de luta contra a opressão na América Latina
Um caso aberrante de diretora que BRIGA com o filme, que põe em risco a sobrevivência de seu objeto, que não sabe bem o que fazer com o potente material que tem em mãos, mas que, mesmo assim, o filme grita, estrebucha e quase passa por cima do domínio pequeno-burguês da diretora, que insiste em reduzir tudo à nostalgia familiar, à forçação de barra emocional (nas entrevistas com a prima Carolina e com a tia que nomeia o filme, ela praticamente suplica para que ambas chorem, irca!)... A personagem retratada, porém, é maravilhosa e sabe que tudo o que ela tem a oferecer para o espectador é de interesse político, (inter)nacional, que vai muito além dos caprichos langorosos de uma rapariga rica e permanentemente escondida atrás da câmera, que tem escrúpulos em interromper as falas de sua entrevistada para dizer que discorda do que ela fala, mesmo demonstrando o quanto é - mais que "ingênua" - historicamente alienada. Internamente, há uma justificativa paternalista para isso, mas a diretora não a transcende, acata o protecionismo falacioso de seus pais e quase emudece os clamores revolucionários de sua tia, que é coerente, é mais forte e não se arrepende, a corrige diante da câmera, a repreende... Mas o poder está nas mãos de Teresa "boca-de-Bush", a diretora. É ela quem manda no filme e o maltrata, tenta reduzi-lo a propaganda chorosa reacionária ("oh, política maldita que retirou a minha tiazinha do seio da minha família": quase a ouvi gritar...), mas o filme SOBREVIVE! Por mais que a diretora o espanque, o filme e a excelente personagem real sobrevivem, ufa! (WPC>)
Uma aula sobre do que se trata a luta de classes, pela voz de quem faz parte dela.
Separe-se daí o criador da criatura e o início do fim, vale ver pela criatura e pelo fim, sem contar de que é sempre bom conhecer um pouco mais da história de luta contra a opressão na América Latina
Interessante.
Tb quero ver!