Um jovem artista de Nova York tenta ganhar dinheiro fazendo o retrato de passantes nos arredores do movimentado centro financeiro da cidade. Sobrevivendo com pouco, ele encontra refúgio em um prédio abandonado. Uma noite, num beco escuro, ele encontra uma menina cujo pai acabou de ser assassinado. Enquanto tenta tomar conta da menina, ele conhece uma jovem rica que logo se apaixona pela desajeitada dupla.
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Lane deve ter pensado por muito tempo no conceito de seu filme. No fim dos anos 80 criou um material que era completamente diferenciado do que havia no mercado "popular" americano e até mesmo alternativo. A estrutura básica do filme remete e muito ao clássico "O Garoto" do Chaplin. Sem diálogos em sua maior parte e por isso mesmo um estranho no ninho, é sustentado pela presença do próprio Lane e seu elenco muito versátil. No decorrer do filme vemos gags sobre a vida de um artista em Nova York, dando seu jeitinho "americano negro do gueto" para viver.
No geral um panorama triste, pois ao mesmo tempo em que vemos o artista fazendo sua arte e tentando ganhar seu dinheiro da forma mais digna possível, vemos todo o submundo de violência, de pessoas pobres que pedem aos outros pobres, de vícios, e dentro desta realidade está o artista que é um sem teto e vive em um prédio abandonado. A espinha dorsal do filme também é política.
A reviravolta do filme se dá quando ele presencia o assassinato do pai da menina (que na cena anterior é retratada por ele em um desenho, pois ele é um artista plástico que faz retratos na rua) e ele acaba tirando o berço da menina do beco escuro e passa a cuidar dela como se fosse sua mãe e pai. Claro que a menina não está abandonada, pois a mãe dela está desesperada e aciona a polícia para que a encontre.
Nesta parte do filme vemos um Carlitos negro (dentro da realidade aqui apresentada, obviamente) com porte e com gags muito inteligentes que fazem rir e também pensar no absurdo das situações. Depois de tantas cenas e situações cômicas e outras tristes, temos finalmente o desfecho da trama do artista com a menina, quando ele a leva para o endereço da mãe biológica, ao ver o anúncio de procura-se estampado em uma caixa de leite. É o desfecho da trama, mas não do filme. O final do filme é anunciada da forma mais sombria e desesperançada possível, se considerarmos como o mesmo estava sendo construído até este momento, onde a realidade de um negro rejeitado pelo estado e pelas pessoas que não são de cor, é aberto da forma mais crua possível. E aí os personagens falam, não os principais que estão na moldura, porém fora do foco. Eles falam e sentimos o pesar do real caindo sobre nossos ombros. Um toque de gênio.
Acredito que o Lane pagou um preço alto pela sua ousadia, o filme foi lançado ao ostracismo e engavetado por anos, existia até esse momento uma edição há muito esgotada em dvd lançado nos EUA nos anos 90 com qualidade horrível e uma captura da tv húngara foi feita e circulou pela internet. O grito silencioso de Charles Lane resistiu ao tempo, e agora está voltando com toda força aos nossos ouvidos. Quem os tiver bem atentos, que ouça. O grito ainda ecoa.
Moderação uma sinopse em português:
Um jovem artista de Nova York tenta ganhar dinheiro fazendo o retrato de passantes nos arredores do movimentado centro financeiro da cidade. Sobrevivendo com pouco, ele encontra refúgio em um prédio abandonado. Uma noite, num beco escuro, ele encontra uma menina cujo pai acabou de ser assassinado. Enquanto tenta tomar conta da menina, ele conhece uma jovem rica que logo se apaixona pela desajeitada dupla.
Prêmio do público no Festival de Cannes de 1989.