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Sinopse
Simone e Martine são atendentes em um cinema pornô em Montparnasse. Instaladas no salão, elas saúdam os frequentadores, encaminham os homens aos seus lugares, conversam e passam o tempo. À meia-noite Simone parte para uma boate lésbica.
Não conhecia este diretora, mas, nos créditos de abertura, pude identificar os nomes de alguns xodós das novas gerações cinefílicas (o montador Paul Vechialli, por exemplo). No primeiro terço do filme - o melhor deles - fiquei fascinado com o jogo de sons pornográficos e entradas e saídas de campo, numa demonstração de 'mise-en-scène' exacerbada que deixaria o Noel Bürsch mais que satisfeito! O segundo terço fez com que eu pensasse na fase musical da Chantal Akerman (amei o número 'rocker', à la The Runaways). O terço final é quase uma antecipação do que o Jim Jarmusch faria a posteriori (aqui, com a cumplicidade de um crítico bem-humorado da Cahiers du Cinèma, desvelando seu bigode falso). Ri nalgumas cenas, mas percebi que os diálogos meio desconexos (intencionalmente, claro) instauram a impressão de que há algo de esquecível no filme, como se fosse um mero porre numa noite de cansaço empregatício. Serve enquanto catarse, mas funciona melhor em jatos que nas preliminares. Voltarei à diretora, entretanto: quero conhecer mais sobre ela! (WPC>)
Como uma mulher pode dominar sua madrugada através do olhar que ela dá para aquilo à sua volta. Simone se estressa e se diverte com os homens do cinema pornô, bebe e come com sua colega. No bar, ela aprecia e espera calmamente sua companheira, observa as pequenas aventuras do estabelecimento. Ela tá cansada, diferente de todos ali que a noite só começou.
Acho que sintetiza muito bem a madrugada daqueles que estão começando e daqueles que estão somente cansados. É uma boa comédia, principalmente no primeiro ato, com as figuras inusitadas que chegam para assistir aos filmes. Bem caricatural e traz um traço dos clientes, do lugar; da cidade sem nome. E por fim, o que poderia ser um final trágico para Simone, toma ares sinistros por conta do seu domínio, dirigindo a cena, o volante, dialogando sem parar. Ela encontra alguém cuja alma é o seu igual, e talvez por isso, há o desconcerto da cena, afinal, nem um nem outro esperva por aquele momento; mas como uma força da natureza - nas palavras da crítica da Danièle Dubroux) ela o impõe e o desconstrói.
No fim de tudo, Simone carrega sua virtude por onde passa e contagia.
Simone Barbès ou a Virtude!
Quanto mais pervertidos, mais muquiranas
Não conhecia este diretora, mas, nos créditos de abertura, pude identificar os nomes de alguns xodós das novas gerações cinefílicas (o montador Paul Vechialli, por exemplo). No primeiro terço do filme - o melhor deles - fiquei fascinado com o jogo de sons pornográficos e entradas e saídas de campo, numa demonstração de 'mise-en-scène' exacerbada que deixaria o Noel Bürsch mais que satisfeito! O segundo terço fez com que eu pensasse na fase musical da Chantal Akerman (amei o número 'rocker', à la The Runaways). O terço final é quase uma antecipação do que o Jim Jarmusch faria a posteriori (aqui, com a cumplicidade de um crítico bem-humorado da Cahiers du Cinèma, desvelando seu bigode falso). Ri nalgumas cenas, mas percebi que os diálogos meio desconexos (intencionalmente, claro) instauram a impressão de que há algo de esquecível no filme, como se fosse um mero porre numa noite de cansaço empregatício. Serve enquanto catarse, mas funciona melhor em jatos que nas preliminares. Voltarei à diretora, entretanto: quero conhecer mais sobre ela! (WPC>)
Como uma mulher pode dominar sua madrugada através do olhar que ela dá para aquilo à sua volta. Simone se estressa e se diverte com os homens do cinema pornô, bebe e come com sua colega. No bar, ela aprecia e espera calmamente sua companheira, observa as pequenas aventuras do estabelecimento. Ela tá cansada, diferente de todos ali que a noite só começou.
Acho que sintetiza muito bem a madrugada daqueles que estão começando e daqueles que estão somente cansados. É uma boa comédia, principalmente no primeiro ato, com as figuras inusitadas que chegam para assistir aos filmes. Bem caricatural e traz um traço dos clientes, do lugar; da cidade sem nome. E por fim, o que poderia ser um final trágico para Simone, toma ares sinistros por conta do seu domínio, dirigindo a cena, o volante, dialogando sem parar. Ela encontra alguém cuja alma é o seu igual, e talvez por isso, há o desconcerto da cena, afinal, nem um nem outro esperva por aquele momento; mas como uma força da natureza - nas palavras da crítica da Danièle Dubroux) ela o impõe e o desconstrói.
No fim de tudo, Simone carrega sua virtude por onde passa e contagia.