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Data de lançamento
31 Ago. 2006Duração
A primeira parte se passa numa clínica rural da Tailândia. Depois de atender um velho monge budista, a Doutora Toey entrevista Nohng, um médico que começa a trabalhar com ela. Na sala de odontologia, o Doutor Ple conversa com um jovem monge que queria ser DJ. Eles falam de vidas passadas e do amor. A segunda parte acontece num moderno hospital de Bangcoc. Toey volta a entrevistar Nohng... Nas duas partes, as espelhadas narrativas, no passado e no presente, repetem-se. Rotinas que se manifestam na memória e nas sensações de felicidade, despertadas por coisas aparentemente insignificantes.
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As Novas Desventuras de Cliff Booth
Os filmes desse diretor são 8 ou 80, e esse daqui não é diferente, Síndromes e Um Século é um filme carregado de muitos silêncios, cenas contemplativas, a trama mistura passado e presente, os personagens ficam o tempo todo refletindo sobre memorias, amores, karma, e vidas passadas, assunto que já reparei que esse diretor gosta muito.
Tentei diversas vezes me conectar com as obras desse cineasta, mas não consigo. Desisti.
Vi, gostei...mas não entendi...24/04/23.
A princípio, "Síndromes e um Século" parece ser apenas uma tentativa de criar uma narrativa espelhada em que se contrastam o campo e a cidade. Mas ao mesmo tempo, sinto que as intenções de Apichatpong não sejam assim tão simples e prosaicas. A repetição de basicamente os mesmos eventos (primeiro em posto médico rural, e depois em um grande centro hospitalar urbano), é marcado por um calor humano maior em sua primeira parte, e uma certa frieza excessiva na segunda. Enquanto a primeira metade do filme parece pisar um pouco mais firme na realidade, com os personagens brincando uns com os outros, trocando confidências e mesmo esperanças amorosas entre si, na segunda temos um flerte maior com o 'estranho' e os mesmos personagens quase como fantasmas de si mesmos, amuados, solitários, cínicos, indiferentes. Até mesmo a ambientação do hospital sugere algo meio sinistro com suas máquinas e seus corredores longos e vazios. Talvez seja uma constatação de Apichatpong da decadência humana e de suas relações na pós-modernidade, um olhar saudosista para um passado mais interiorano e verdadeiro em sua relação constante com a natureza. Mas divago, realmente não é um filme de respostas fáceis.
"Eu gostaria de ser normal, mas uma força misteriosa não permitiu."
Por mais clichê que seja dizer, "Syndromes and a Century" não é um filme para todo mundo. Veja, não digo que é destinado a um grupo de pessoas em específico que curtam esse tipo de filme, mas falo com convicção que é um filme pra quem se permita sentir e não apenas entender. Não assista apenas ao enredo e narrativa do longa, mas se permita apreciar uma aura budista que desenvolve um sensação calorosa, mas melancólica e, com toda certeza, profundamente misteriosa. De qualquer forma, mesmo que você não possa enxergar tudo isso, ainda há comentários e reflexões importantes sobre o modernismo, sobre a felicidade e seu oposto, o cinema de Apichatpong é impressionante de quaisquer formas que você decida visualizar, mas sentir é o que dará a verdadeira experiência de sentir que o tempo paralisou e naquele momento existiu apenas você e essa belíssima obra.