Que filme forte e lindo. O roteiro foi maravilhosamente, a atuação é tão tocante e delicada, a direção é cativante, o que torna o filme ainda melhor. A maneira como a história é contada e a reviravolta no final são a chave de ouro. É muito bom ver como todos os sentimentos foram usados pra algo tão benéfico e transformador.
TU ME MANQUES Direção: Rodrigo Bellott Ano: 2019 Assistido em: 07/06/2025
Como homem gay, esse tipo de história me pesa muito. Sei exatamente o que é se esconder dentro do armário, sufocado pelo preconceito e pelo fanatismo religioso — no meu caso, especialmente da minha mãe. Essas narrativas me atravessam de forma visceral. Fui assistir de peito aberto, mas não imaginava o que me esperava.
Após o suicídio do filho Gabriel, Jorge viaja da Bolívia a Nova York para confrontar Sebastian, namorado do rapaz. Tomado pela culpa e pelo desespero, ele passa a acompanhar a montagem de uma peça em homenagem ao filho, mergulhando numa realidade gay que antes ignorava. Essa jornada transforma sua visão sobre Gabriel e o obriga a encarar os próprios preconceitos — revelando o quanto amor, perdão e aceitação são lutas delicadas e, muitas vezes, tardias.
Não sou fã de filmes com linguagem teatral. Respeito todas as formas de arte, mas cada uma tem seu espaço — e, pessoalmente, prefiro a linguagem cinematográfica. Fico desconfortável quando os dois universos se misturam demais. E confesso: esse filme me dividiu. Estava completamente envolvido pelos flashbacks, tentando entender quem foi Gabriel, o que o levou ao suicídio. Mas, ao mesmo tempo, achava toda a parte teatral arrastada, até que o final trouxe uma reviravolta que me desmontou.
Fica claro que o filme se desenvolve em três linhas temporais: o passado com Gabriel vivo; o presente, com Sebastian e Jorge tentando dialogar; e uma terceira camada em que Sebastian monta a peça em homenagem ao amado — na prática, tudo o que vemos em tela é a encenação dessa peça. Já estava pronto para detonar o personagem do pai: acredito que amor de verdade se dá em vida, não em cima de um caixão. Um pai que só tenta compreender o filho depois que ele morre perdeu o direito ao luto. Mas então vem o choque: percebemos que tudo aquilo que vimos é fantasia. Um delírio. Uma peça. E que o verdadeiro pai, do verdadeiro Gabriel, nunca se importou em buscar conhecer seu filho. E isso só escancara o que muitos se recusam a admitir: que esse amor incondicional de pai e mãe, tão romantizado, tem sim limite, tem sim preconceito, e nem sempre sobrevive ao que é diferente.
A produção tem limitações — é evidente que não veio de um grande estúdio. Ainda assim, há méritos. O destaque vai para Oscar Martinez, que consegue dar profundidade à dor de um homem que tenta, tarde demais, recuperar o tempo perdido. O roteiro, por outro lado, é frágil. Tenta nos apresentar Gabriel, mas falha: ao final, não sabemos quem ele realmente era. Tudo que temos é a versão dos outros — nunca ouvimos sua própria voz.
Tu Me Manques é um filme que provoca reflexão. Deveria ser obrigatório para quem insiste em repetir que o amor de pai e mãe é sempre incondicional — mas impõe condições absurdas para amar de fato. O longa te choca ao expor uma verdade dura: quando uma pessoa não recebe amor daqueles que a colocaram no mundo, é comum que queira sair dele. E isso, infelizmente, não é exclusividade do teatro nem do cinema. É a vida real. Crua. Presente. Todos os dias, em todos os cantos. Porque nem todo mundo que diz amar, ama como deveria.
PS: E o burro que estava criticando horrores a edição pela continuidade toda cagada da tatuagem do Gabriel, e por que tinha horas que a altura dele estava diferente assim como o peso. Só depois de 40 minutos percebi que eram atores diferentes...
Que filme forte e lindo. O roteiro foi maravilhosamente, a atuação é tão tocante e delicada, a direção é cativante, o que torna o filme ainda melhor.
A maneira como a história é contada e a reviravolta no final são a chave de ouro.
É muito bom ver como todos os sentimentos foram usados pra algo tão benéfico e transformador.
Não gostei do ritmo. Podia ser mais ágil. Mas o tema é bem interessante. Final belo e emocionante.
Filmaço!
Muito bom!!!
Nossa, e no final ele nem conheceu o pai do namorado.
Assistido em 08/06/2025.
TU ME MANQUES
Direção: Rodrigo Bellott
Ano: 2019
Assistido em: 07/06/2025
Como homem gay, esse tipo de história me pesa muito. Sei exatamente o que é se esconder dentro do armário, sufocado pelo preconceito e pelo fanatismo religioso — no meu caso, especialmente da minha mãe. Essas narrativas me atravessam de forma visceral. Fui assistir de peito aberto, mas não imaginava o que me esperava.
Após o suicídio do filho Gabriel, Jorge viaja da Bolívia a Nova York para confrontar Sebastian, namorado do rapaz. Tomado pela culpa e pelo desespero, ele passa a acompanhar a montagem de uma peça em homenagem ao filho, mergulhando numa realidade gay que antes ignorava. Essa jornada transforma sua visão sobre Gabriel e o obriga a encarar os próprios preconceitos — revelando o quanto amor, perdão e aceitação são lutas delicadas e, muitas vezes, tardias.
Não sou fã de filmes com linguagem teatral. Respeito todas as formas de arte, mas cada uma tem seu espaço — e, pessoalmente, prefiro a linguagem cinematográfica. Fico desconfortável quando os dois universos se misturam demais. E confesso: esse filme me dividiu. Estava completamente envolvido pelos flashbacks, tentando entender quem foi Gabriel, o que o levou ao suicídio. Mas, ao mesmo tempo, achava toda a parte teatral arrastada, até que o final trouxe uma reviravolta que me desmontou.
Fica claro que o filme se desenvolve em três linhas temporais: o passado com Gabriel vivo; o presente, com Sebastian e Jorge tentando dialogar; e uma terceira camada em que Sebastian monta a peça em homenagem ao amado — na prática, tudo o que vemos em tela é a encenação dessa peça. Já estava pronto para detonar o personagem do pai: acredito que amor de verdade se dá em vida, não em cima de um caixão. Um pai que só tenta compreender o filho depois que ele morre perdeu o direito ao luto. Mas então vem o choque: percebemos que tudo aquilo que vimos é fantasia. Um delírio. Uma peça. E que o verdadeiro pai, do verdadeiro Gabriel, nunca se importou em buscar conhecer seu filho. E isso só escancara o que muitos se recusam a admitir: que esse amor incondicional de pai e mãe, tão romantizado, tem sim limite, tem sim preconceito, e nem sempre sobrevive ao que é diferente.
A produção tem limitações — é evidente que não veio de um grande estúdio. Ainda assim, há méritos. O destaque vai para Oscar Martinez, que consegue dar profundidade à dor de um homem que tenta, tarde demais, recuperar o tempo perdido. O roteiro, por outro lado, é frágil. Tenta nos apresentar Gabriel, mas falha: ao final, não sabemos quem ele realmente era. Tudo que temos é a versão dos outros — nunca ouvimos sua própria voz.
Tu Me Manques é um filme que provoca reflexão. Deveria ser obrigatório para quem insiste em repetir que o amor de pai e mãe é sempre incondicional — mas impõe condições absurdas para amar de fato. O longa te choca ao expor uma verdade dura: quando uma pessoa não recebe amor daqueles que a colocaram no mundo, é comum que queira sair dele. E isso, infelizmente, não é exclusividade do teatro nem do cinema. É a vida real. Crua. Presente. Todos os dias, em todos os cantos. Porque nem todo mundo que diz amar, ama como deveria.
PS: E o burro que estava criticando horrores a edição pela continuidade toda cagada da tatuagem do Gabriel, e por que tinha horas que a altura dele estava diferente assim como o peso. Só depois de 40 minutos percebi que eram atores diferentes...