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Data de lançamento
29 Julho 2013Duração
Quando um experimento para impedir o aquecimento global falha, uma nova era do gelo toma conta do planeta Terra. Os únicos sobreviventes estão a bordo de uma imensa máquina chamada Snowpiercer. Lá, os mais pobres vivem em condições terríveis, enquanto a classe rica é repleta de pessoas que se comportam como reis. Até o dia em que um dos miseráveis resolve mudar o status quo, descobrindo todos os segredos deste intrincado maquinário.
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Fição científica de qualidade, apoiada por uma crítica sobre a desiguladade social muito bem fundamentada, Thomas Hobbes acertou quando falou sobre o estado natural do ser humano.
A HQ é muito boa e essa adaptação está ótima.
Uma ideia que tem sido bastante explorada no cinema, pelo próprio diretor.
Que nojo daquela barra de proteína!
Expresso do Amanhã: A CPTM Apocalíptica de Bong Joon-ho.
Se você acha o horário de pico na linha Brás / Calmon Viana da Zona Leste de Sampa, um teste para os fortes, é porque ainda não viu o trem de "Expresso do Amanhã". O diretor coreano Bong Joon-ho pegou toda a nossa bagunça social, colocou dentro de uma lata de sardinha de ferro em alta velocidade e criou uma ficção científica com alma de sci-fi raiz, aquela onde você paga para entrar e nem rolando na macumba consegue sair.
O cenário é um inferno gelado. Depois que a humanidade estragou o clima do planeta de vez, os sobreviventes ficaram trancados nessa carruagem maldita que nunca para. Mas o pior não é o frio de lascar o cano do lado de fora; é a bestialidade humana do lado de dentro. O trem faz o resumo da sociedade de um jeito cruel, violento e vergonhoso; a elite ostenta na primeira classe comendo sushi, enquanto a peãozada se fode no rabo do trem sobrevivendo à base de goiabada de barata.
A revolta começa. Quando a turma do fundão liderada por Chris Evans decide avançar pelos vagões para tomar a locomotiva, o trem vira o expresso da maldade, com sangue, atrocidades e descobertas aterradoras. A cada porta que se abre nos vagões, é um circulo do inferno que se mostra.
O pau come solto, uma briga desgraçada, se espalha no filme, com sangue, tripa, perna, tiro, machado, facão, coisa de açougueiro em dia de festa! As reviravoltas fazem você ficar calado diante da violência, do sadismo e do mal que se normalizou nesse inferno de ferro.
Bong Joon-ho entende da parada! Ele sabe muito bem o que está fazendo. Ele faz uma alegoria do nosso mundo, coloca o povo dentro de um trem que não pode parar, com regras, limites, leis que não servem pra todos. Manipula ações e a ordem das coisas de baixo pra cima, do fim pro começo. A moral é quebrada, a bondade é relativa, tudo é controlado, os personagens se revelam, como heróis podres, pessoas carcomidas pelo sistema que mesmo no apocalipse controlam não só suas ações, mas suas mentes e corações.
O caos não ter fim, o ritmo é frenético de ação, mas com aquela ironia fina (e bota fina nisso, vide a atuação bizarra da Tilda Swinton). O final é brilhante e explosivo, nos lembrando que o caos, às vezes, é o único fator de mudança quando a ordem serve apenas para esmagar quem está embaixo.
"Expresso do Amanhã" é igual àquela cachaça forte que você toma no boteco perto da estação; desce rasgando a garganta, te dá um baque na mente, mas te deixa acordado para enfrentar o próximo trem lotado da vida real.
A ideia é boa, mas achei muito cansativo. Vale pela crítica social. No geral, é interessante.
Tem toda uma crítica social, mas acho que o andamento do filme não ajudou, fora que algumas cenas de combate eram meio confusas. O final foi de quebrar. Tinha bom potencial.