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Data de lançamento
24 Out. 2017Duração
A história da Guerrilha do Araguaia (1967-1974) a partir de impressões, memórias e traumas dos recrutas do Exército Brasileiro que tomaram parte no conflito. Da convocação junto às comunidades ribeirinhas e rurais até a dispensa após o extermínio do grupo comunista, os relatos dos ex-soldados compõem uma narrativa em que recrutas e guerrilheiros se confundem debaixo da opressão militar. No “Vietnã” brasileiro, os vencedores retornam apenas como fantasmas: precisam lutar até hoje para superar os episódios de abuso e violência que sofreram e testemunharam.
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Soldados do Araguaia é um documentário que se propõe a dar voz às memórias e traumas de soldados de baixa patente do Exército Brasileiro que combateram a controversa Guerrilha do Araguaia. Marginalizados pela historiografia oficial por sua filiação ao Exército e pelo próprio Exército por suas denúncias contra a corporação, esses personagens encontram aqui uma oportunidade inédita de compartilhar sua versão dos fatos. Da convocação junto às comunidades ribeirinhas e rurais até a dispensa após o extermínio da guerrilha comunista, os relatos dos ex-soldados compõem uma narrativa em que recrutas e guerrilheiros se confundem debaixo da opressão militar.
A Guerrilha do Araguaia sob a Ótica do Exército Brasileiro - 1973.
Durante o período da ditadura militar, o Exército Brasileiro tratou a Guerrilha do Araguaia como uma operação de contraguerrilha e segurança interna. Na visão oficial das Forças Armadas à época, o foco instalado na região do rio Araguaia, entre Pará, Maranhão e Goiás, era compreendido como um grupo subversivo armado que representava risco à estabilidade institucional do Estado.
O enquadramento do conflito: "Ameaça interna e influência externa"
Para o comando militar de 1973, o PCdoB havia enviado militantes urbanos para a selva com o objetivo de criar um "foco guerrilheiro" nos moldes da Revolução Cubana. Os documentos militares da época classificavam a área como uma "República de Marabá", uma zona libertada onde o Estado não exercia soberania. Assim, a ação era justificada internamente como combate à insurgência armada e defesa da integridade territorial e da ordem constitucional vigente naquele momento. A proximidade com o contexto da Guerra Fria também era usada para argumentar que o movimento recebia inspiração de modelos revolucionários estrangeiros.
A mudança de doutrina em 1973: Operação Marajó
Após as duas primeiras campanhas de 1972, avaliadas como ineficazes por envolverem muitos soldados convencionais em terreno de selva, o Estado-Maior do Exército adotou a doutrina de contraguerrilha. A Operação Marajó foi planejada com base em três pilares, segundo a lógica militar:
Primeiro, o uso de tropas especializadas e reduzidas, com paraquedistas e comandos, atuando em pequenos destacamentos e sem identificação para evitar alertar o inimigo.
Segundo, o isolamento operacional da área, com controle de acesso e censura, para impedir a comunicação dos guerrilheiros com o exterior e negar logística ao grupo.
Terceiro, a conquista da população local, por meio da cooptação de posseiros como guias, já que estes conheciam as trilhas e os deslocamentos na floresta.
O desfecho tático de 1973
Do ponto de vista militar, 1973 foi o ano de êxito operacional. O ataque ao acampamento Chafurdão em 25 de dezembro de 1973, que resultou na morte de Maurício Grabois, foi considerado o golpe de comando que desarticulou a estrutura de liderança da guerrilha. Com a morte dos quadros principais e a dispersão dos demais combatentes, o Exército considerou o foco militarmente neutralizado ainda no final daquele ano. Os combates residuais se estenderam até 1974 e 1975, mas sem capacidade de reorganização do grupo.
A doutrina de "não deixar rastro"
Na documentação militar, a ausência de prisioneiros e de processos formais era justificada pela natureza da guerra na selva. O argumento era de que não havia condições logísticas para manter, transportar e julgar capturados em área de conflito ativo, e que os enfrentamentos terminavam com a morte dos combatentes no local. Os sepultamentos em valas não identificadas foram tratados como procedimento de campo para evitar contaminação e para não criar locais de memória que pudessem ser usados politicamente.
Obs: Você sabia?
A Guerrilha do Araguaia foi um movimento armado organizado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) entre o fim da década de 1960 e meados de 1970. Atuou na região amazônica, especialmente no sul do Pará, com o objetivo de instaurar um regime socialista no Brasil. Inspirada pela Revolução Cubana, a guerrilha buscava mobilizar camponeses e trabalhadores rurais para resistir ao regime militar instalado em 1964.
Os guerrilheiros eram em torno de 80 combatentes, enfrentando cerca de 5 mil militares enviados pelo governo. Entre os principais líderes estavam Maurício Grabois, João Amazonas, Ângelo Arroyo, Osvaldo Orlando da Costa (Osvaldão) e Dinalva Oliveira Teixeira (Dina). O grupo se organizava em pequenos destacamentos, realizando treinamentos militares, ações de propaganda e tentando conquistar apoio da população local.
Na época, todos os integrantes eram ligados ao PCdoB, portanto identificados como comunistas. Não houve participação de figuras públicas que mais tarde se tornaram conhecidas nacionalmente fora do campo político-partidário. O movimento foi duramente reprimido pelo Exército entre 1972 e 1975, resultando na morte da maioria dos guerrilheiros e na eliminação da resistência armada na região.
PS: EUA tiveram seu Vietnã. Portugal também o teve em África. Nós tivemos o nosso no coração do país.
Importante fato da nossa história, que merece ser esclarecida.
Ditadura Nunca Mais!
Documentário importantíssimo para manter a memória viva de um dos piores períodos da história recente do Brasil. Esse conteúdo deveria ser amplamente divulgado para jamais ser esquecido. Ditadura Nunca Mais!
"Leva esse aí junto com vocês pra servir de bucha de canhão."
Soldados do Araguaia de #BelisarioFranca Brasil,2017.
Retrato da ditadura sob o olhar de quem estava do lado da ditadura, na verdade sobre as pessoas, os soldados que não tinham outra opção a não ser servir ao regime.
Um grupo de homens forçados a integrar o exército na Guerrilha do Araguaia conta como foi mais esse lado obscuro dos horrores da ditadura brasileira.
#Documentário