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Data de lançamento
4 Abril 2025Duração
Ángela, uma mulher surda, e seu parceiro ouvinte, Hector, aguardam ansiosamente o nascimento do filho, embora a incerteza sobre o estado auditivo do bebê suscite medos não expressos. Apesar de sua confiança, Ángela luta contra dúvidas sobre a maternidade em um mundo que a exclui.
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IMPRIMATUR - visto no cinema:
O filme parte de um patamar alto, mas concordo com alguns comentários de que seria bem simplista no desenvolvimento. Tanto, que o destaque narrativo, já que curiosamente é um filme barulhento, fica no contraste utilizado pelo diretor quando põe o espectador dentro do ponto de áudio empático da protagonista... se bem que já havia feito com a cena "apoteótica" do parto, uma importante contribuição para o debate que o filme encaminha. Por isso, acho que seus lapsos seriam muito mais subjetivos que técnicos. A auto cobrança de Ângela, por exemplo, me incomodou um pouco porque o filme não evidencia nenhuma falta de acolhimento - quando muito, tudo estaria dentro de sua exigência que, muitas vezes, antecede as problematizações. Sem dúvida é extremamente sensível, mas me deixou esperando um foco final mais concentrado na relação dela com a filha (que seria o ápice discursivo do filme) e menos na relação conjugal. Ainda assim, é bem angustiante na totalidade.
Avaliação em nota: ≈ 8.0
Essa moça tem a cara mais espanhola de todas as espanholas do reino da Espanha.
Simples, mas lindíssimo e delicado.
Lindo!
Nesse delicado drama espanhol sobre maternidade e inclusão acompanhamos Ângela (Miriam Garlo), uma mulher surda que acaba de se tornar mãe e compartilha com afinco essa experiência ao lado de seu marido, que é ouvinte, Héctor (Álvaro Cervantes). A chegada do bebê expõe os desafios universais da maternidade e, no caso de Ângela, as barreiras para uma mulher surda em uma sociedade pouco preparada para acolher pessoas com deficiência. O filme nasceu de um curta-metragem de mesmo nome, “Surda” (2021), indicado ao Goya - nele contracenam a atriz surda Miriam Garlo sob direção da irmã, Eva Libertad – e agora ambas retornaram no longa (que venceu três prêmios Goya, consagrando Miriam Garlo como a primeira surda a receber o prêmio de atriz revelação). O roteiro é inspirado na própria trajetória de Miriam, escrito pela irmã Eva, ou seja, um projeto autoral feito em família. A obra trabalha sons alternados com momentos de profundo silêncio para mostrar as relações da personagem na sociedade, explorando de forma sensível temas como autonomia, maternidade, isolamento e comunicação. A própria câmera, com movimentos sutis, privilegia silêncios e gestos, num trabalho primoroso da equipe técnica. O trabalho de Álvaro Cervantes como o marido de Ângela, premiado como melhor ator coadjuvante no Goya, complementa a performance de Miriam com naturalidade, reforçando a dinâmica de um casal que precisa reinventar sua comunicação diante das exigências da vida com um bebê. O longa também recebeu o Prêmio do Público na Mostra Panorama do Festival de Berlim, além de exibições em festivais como Guadalajara, Seattle e Málaga. Estreou no último fim de semana nos cinemas do Brasil, com sessões que contam com legenda descritiva, audiodescrição e Libras via aplicativo ‘Conecta’, reforçando o compromisso da obra com a acessibilidade. A distribuição nas salas é pela Retrato Filmes. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom