Estreante em longas-metragens, o holandês Daan Bakker se aproveita da linguagem da internet para criar um filme de experimentalismo raro, embalando o suprassumo dos pixels a um tipo de voyeurismo cibernético.
“Tempo de Qualidade” é um filme constituído por cinco capítulos, todos eles protagonizados por homens carentes de maturidade, como se parte de sua forma fílmica, jovial e tecnocrata, ratificasse, com ironia, um atraso cognitivo e suas ansiedades particulares. Na primeira história, por exemplo, um círculo (criado pelo Paint?), como mímese humana, desabafa com um amigo. Ele alega estar farto de um tradicional almoço em família que, ano após ano, não incorpora nenhuma novidade à sua vida, como se a possibilidade de inserir mudanças no “roteiro” dessa reunião familiar, na simples tarefa de cambiar um prato de comida, ou de não dar atenção a uma piada de um parente – há muito tempo já esgotada –, acarretasse em algo drástico. Em outro capítulo, um marmanjo não consegue se relacionar socialmente, limitação que teria sido desencadeada devido a um acontecimento banal de sua infância (uma professora o teria repreendido quando ele tinha três anos, dando-lhe palmadas no traseiro). Ao adentrar uma “máquina do tempo” para então evitar seu trauma, ele se dá conta do “perigo” que é crescer, suicidando-se ao defrontar seu passado. Daan Bakker expõe a fragilidade masculina, desvinculando-se de símbolos heroicos e normativos.
Anárquico, porque não se prende ao verbo e é inventivo com os letterings, porque também permite sua câmera se libertar dos enquadramentos corriqueiros e modistas, mesmo quando utiliza um drone – com o cuidado das imagens não se transformem num plástico publicitário e pirotécnico –, ainda assumindo uma montagem clipática num conto sobre abduções alienígenas, o diretor faz de “Tempo de Qualidade” uma junção de uma melancólica comicidade a um sci-fi não-progressista. Um filme obscuro e divertido sobre gêneros narrativos, criando um reboliço no status quo – da exterioridade social ao campo de expectativas do espectador.
Estreante em longas-metragens, o holandês Daan Bakker se aproveita da linguagem da internet para criar um filme de experimentalismo raro, embalando o suprassumo dos pixels a um tipo de voyeurismo cibernético.
“Tempo de Qualidade” é um filme constituído por cinco capítulos, todos eles protagonizados por homens carentes de maturidade, como se parte de sua forma fílmica, jovial e tecnocrata, ratificasse, com ironia, um atraso cognitivo e suas ansiedades particulares. Na primeira história, por exemplo, um círculo (criado pelo Paint?), como mímese humana, desabafa com um amigo. Ele alega estar farto de um tradicional almoço em família que, ano após ano, não incorpora nenhuma novidade à sua vida, como se a possibilidade de inserir mudanças no “roteiro” dessa reunião familiar, na simples tarefa de cambiar um prato de comida, ou de não dar atenção a uma piada de um parente – há muito tempo já esgotada –, acarretasse em algo drástico. Em outro capítulo, um marmanjo não consegue se relacionar socialmente, limitação que teria sido desencadeada devido a um acontecimento banal de sua infância (uma professora o teria repreendido quando ele tinha três anos, dando-lhe palmadas no traseiro). Ao adentrar uma “máquina do tempo” para então evitar seu trauma, ele se dá conta do “perigo” que é crescer, suicidando-se ao defrontar seu passado. Daan Bakker expõe a fragilidade masculina, desvinculando-se de símbolos heroicos e normativos.
Anárquico, porque não se prende ao verbo e é inventivo com os letterings, porque também permite sua câmera se libertar dos enquadramentos corriqueiros e modistas, mesmo quando utiliza um drone – com o cuidado das imagens não se transformem num plástico publicitário e pirotécnico –, ainda assumindo uma montagem clipática num conto sobre abduções alienígenas, o diretor faz de “Tempo de Qualidade” uma junção de uma melancólica comicidade a um sci-fi não-progressista. Um filme obscuro e divertido sobre gêneros narrativos, criando um reboliço no status quo – da exterioridade social ao campo de expectativas do espectador.