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Data de lançamento
12 Fev. 2020Duração
No Cabo de Santo Agostinho, contrapõe o luxo e a estrutura planejada da Reserva do Paiva a conjuntos habitacionais populares como a Vila Claudete e bairros periféricos como o de São Francisco. As promessas de desenvolvimento que ficaram para trás na cidade de maior vulnerabilidade para o jovem negro no Brasil. O documentário longa-metragem mostra a desigualdade na ocupação do território do Cabo de Santo Agostinho em contraste com a promessa de desenvolvimento do Complexo de Suape.
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A evolução do gênero documentário no país retrata com fidedignidade transformações importantíssimas na sociabilidade política dos brasileiros e seus efeitos na imaginação e iniciativa políticas. A uberização do trabalho (2019), por ex, nos confronta com uma realidade de precarização do trabalho e de direitos e o ambiente de intensa competição e favorecimento "por baixo dos panos" a motoristas acríticos e despolitizados. As regras do jogo são cruéis contra os que tentam contrariar o sistema.
No tradicional modelo fabril, temos o documentário Estou me guardando pra quando o carnaval chegar (2019) que mostra as adaptações desse sistema de produção a partir das facções, em Toritama/PE, cidade considerada a capital do jeans. A precarização tem efeitos na intimidade desses trabalhadores de maneira semelhante ao que ocorre na dos motoristas de uber, numa aceitação passiva das regras e, mais ainda, numa competição que impede a solidariedade e contribui para a reprodução de uma lógica sistêmica que acentua a exclusão e a concentração de renda.
Na contramão da fragilidade política da outrora combativa classe trabalhadora, o doc Território Suape (2020) mostra como a politização por meio de categorias identitárias e também de lutas urbanas decorrentes da elevação da consciência possibilitada pela expansão do acesso da periferia às universidades promove um alastramento da vida cívica. Perdemos um importante contingente laboral na vida política, por um lado, ganhamos, por outro, um novo tão relevante quanto aquele em declínio.
Neste doc, a expansão citadina da região em torno do Complexo de Suape é confrontada com discursos sociais contundentes, emanados da própria periferia e não por porta-vozes iluminados. Chocam a imensa disparidade e a naturalidade com que o poder público atende às demandas dos mais ricos. Mas a resistência é vívida.
O doc ajuda a perceber a origem primitiva do ódio de alguns setores à expansão da educação e à politização dos debaixo. É com políticas públicas inclusivas e de aumento da socialização por meio ensino superior público/IFs que grande contingente antes excluído vem descobrindo e mudando o modo de organizar e fazer política.