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Data de lançamento
18 Jan. 1998Duração
Ele se chama Jeff Lebowski, mas gosta de ser chamado de "O Cara" - um desocupado que gasta o seu tempo ouvindo rock dos anos 60, fumando maconha ou bebendo White Russians, e cuja maior ambição é jogar boliche com os amigos Walter e Donny. Mas sua vida vai mudar: confundido com um milionário da Califórnia, o Cara se vê envolvido com bandidos da pesada, advogados atrapalhados, detetives, seqüestradores, e como se não bastasse, com a polícia.
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O Grande Lebowski é uma comédia que foge completamente do convencional. Os irmãos Coen constroem uma narrativa aparentemente caótica, recheada de diálogos afiados, situações absurdas e personagens excêntricos, que aos poucos revelam um humor único e extremamente inteligente. Jeff Bridges entrega uma atuação icônica como "The Dude", criando um dos personagens mais carismáticos e memoráveis da cultura pop. Com um roteiro original, humor peculiar e uma identidade inconfundível, o filme conquistou o status de cult por transformar o absurdo em uma experiência divertida e surpreendentemente sofisticada.
Talvez a coisa mais estranha sobre eu gostar de The Big Lebowski seja que ele não parece nem um pouco o tipo de filme que costuma me atrair. Se alguém me contasse a premissa, eu provavelmente responderia com um educado “quem sabe depois”. Um sujeito tem seu tapete mijado por engano, é confundido com um milionário de mesmo sobrenome e acaba envolvido numa história de sequestro. Eu até gosto de mistérios, mas não foi exatamente essa combinação que me vendeu o filme.
Para falar a verdade, talvez eu me interessasse mais se fosse uma história sobre um campeonato maluco de boliche. Gosto de narrativas mais definidas. De pessoas perseguindo um objetivo claro. De competições. De uma linha de chegada visível. The Big Lebowski parece pouco interessado em qualquer uma dessas coisas. A investigação existe, mas nunca me pareceu ser o centro da experiência. Em vários momentos percebi que estava menos interessada em descobrir quem sequestrou quem do que em saber qual seria a próxima figura estranha a cruzar o caminho do Dude. E o caminho dele está cheio delas: niilistas, um farsante milionário de cadeira de rodas, artistas pornôs gângsteres, policiais e malucos dos mais variados tipos. O que faz o filme funcionar para mim é que ele parece menos uma investigação do que uma coleção de encontros improváveis. O Dude não procura confusão. A confusão parece sentir o cheiro dele à distância.
Pensando nisso, me ocorreu uma comparação com Bob Ferguson, de One Battle After Another que vai muito além do roupão. Os dois compartilham algumas características. São homens passivos, meio perdidos, mais arrastados pelos acontecimentos do que capazes de controlá-los. Em teoria, o Dude deveria me irritar tanto quanto Bob. Mas não irrita. A diferença talvez esteja menos nos personagens do que no que cada filme me pede. Em One Battle After Another, eu sentia uma necessidade maior de me conectar com Bob. É a história de um pai procurando a filha. Existe uma urgência emocional ali. Quando ele permanecia chapado ou errático, aquilo criava uma distância entre nós. Já o Dude vive num mundo onde tudo começa por causa de um tapete mijado. Para mim, sua falta de iniciativa nunca entra em conflito com o filme. Ela faz parte da lógica dele.
Também ajuda o fato de que todo mundo parece estar extremamente afiado. Jeff Bridges cria um personagem que poderia facilmente ser insuportável: alguém sem grandes ambições, sem muito interesse em resolver os próprios problemas e que passa boa parte do tempo sendo levado pela correnteza. Honestamente, eu nunca o vi em um papel tão diferente. Há alguma coisa no seu desempenho que transforma essa passividade em charme. John Goodman faz algo parecido com Walter. Esse eu até considero bastante irritante, mas muito bem construído e engraçado. Ele é o tipo de sujeito que consegue transformar qualquer conversa numa discussão sobre o Vietnã. Nunca importa o tamanho do problema. Para Walter, tudo exige uma reação máxima. O contraste entre os dois é uma das melhores coisas do filme. Um parece incapaz de reagir. O outro reage a tudo como se estivesse prestes a iniciar uma guerra. A cena em que Walter destrói o carro errado continua sendo uma das minhas favoritas justamente por isso.
Também não esperava que o filme fosse tão interessante visualmente. Às vezes a história para e o Dude afunda em devaneios onde o boliche deixa de ser um esporte e vira uma religião, um musical, um fetiche, um estado de espírito. Há um momento em que ele desliza pela pista como uma bola de boliche atravessando pernas, saias, luzes e fantasias. Mas não são apenas os sonhos. Os irmãos Coen filmam o boliche com uma fascinação contagiante. A câmera acompanha a bola pela pista, observa os arremessos de todos os ângulos possíveis, chega a assumir a perspectiva da própria bola em movimento. É como se o filme estivesse constantemente tentando encontrar uma nova maneira de olhar para aquele esporte. Isso tudo é muito interessante, esse filme me dá tanta vontade de jogar boliche. E eu nunca joguei boliche na vida.
O curioso é que o filme consegue isso sem que eu me importe tanto com aquilo que, em teoria, deveria importar. Quando um dos amigos morre perto do final, percebi que não estava particularmente abalada. Quando a investigação se resolve, também não senti grande satisfação. E isso talvez pareça uma crítica ao filme, mas não é. Acho que The Big Lebowski simplesmente encontrou outra forma de me prender. Não através da urgência da história, mas da companhia dos personagens. Em vez de me fazer correr atrás das respostas, o filme me fez passar duas horas observando pessoas estranhas circulando por aquele mundo. Quando penso nele, não lembro primeiro da solução do caso. Lembro do Dude. Lembro do Walter. Lembro dos niilistas. Lembro dos sonhos de boliche.
No fim das contas, talvez eu realmente preferisse um filme sobre um campeonato de boliche. Mas foi este aqui que me fez querer entrar desesperadamente numa pista e fazer um strike.
Não é pra todo mundo, pra gostar tem que compatibilizar-se com ele, e com O Cara.
Botei pra passar enquanto fazia as unhas. Serviu.
Revisto em 21/04/26