Existem filmes que são instantâneos, existem outros que vão ganhando o espectador aos poucos. Este é um daqueles rápidos, direto como um soco. É uma história tão particular e tão detalhadamente bem escrita, que tenho certeza que Radha Blank a guardou lá no fundo, saindo bem das entranhas, como algo que ela estava pronta para soltar para o mundo, mas que, ao mesmo tempo, lhe trazia dores e certo êxtase. É o fruto da experiência, do trauma e de um olhar tão generoso para com os detalhes do cotidiano.
Para sobreviver e ser relevante e inspiradora, a arte precisa de mais vozes, diferentes tipos de vozes, que enxergam outros empregos da linguagem e promover formas inéditas de identificação e empatia. A estreia de Radha Blank é em frente e atrás das câmeras: na direção e roteiro, Radha expõe uma crise de identidade contemporânea que se perpetua até os 40 anos e tem, em si própria, seu melhor exemplo.
Uma dramaturga teatral promissora, Radha agora está na encruzilhada de quem precisa continuar o trabalho anterior sem perder a voz autoral, quer dizer, sem precisar realizar concessões para tornar seu comentário social e racial mais palatável ao público médio - composto pela elite branca que é o alvo da crítica que tece. Parada, como quem deita e encara o teto sem saber quais serão os passos seguintes, Radha redescobre-se em uma paixão adolescente: o rap. A reinvenção está também no foco da narrativa que tenta demonstrar não ser tarde demais para uma mudança de rumo.
A forma como isto é feita é por uma comédia ao estilo de Frances Ha ou até mesmo Fleabag, respeitadas as diferenças entre Greta, Phoebe e Radha, que, como mulher negra nos 40, tem percepções diferentes da vida do que aquelas. O preto & branco é escolhido para retratar os contrastes entre a vida em uma metrópole que despersonaliza e tira o brilho dos figurinos de Radha, servindo também como mecanismo de transformação tão logo este readquira o controle do próprio caminho.
É um filme vitrine, digamos assim. Um convite para conhecermos a artista Radha de ângulos múltiplos, inclusive do alter-ego na trama; um convite também para sairmos da bolha cotidiana e conhecermos uma história que não conheceríamos sem ajuda do cinema.
caralho que filmaço, lembra muito o que o Spike Lee fez de melhor, é como um Shes Gotta Have It retratando uma mulher de 40 anos. merece muito mais reconhecimento, e a Radha Blank é simpatia pura
O filme é extremamente feliz em desenvolver toda a identidade de Radha, sem pressa, sem furos e sem incoerências. No meio disso tudo, ainda somos apresentados a um estudo/sátira de estereótipos, que nos leva a refletir sobre as suas verdadeiras origens e razões. O roteiro é excelente, mesmo, e o filme parece ter a duração perfeita. De plus, temos aquela cena antológica em que Radha tenta cantar hip/hop totalmente chapada. Dei gargalhadas aqui. The-Forty-Year-Old-Version foi uma grata surpresa, enfim, que soube equilibrar a comédia e o estilo semidocumental, com um interessantíssimo estudo de personagem. Filmão.
que feliz surpresa esse filme.
Existem filmes que são instantâneos, existem outros que vão ganhando o espectador aos poucos. Este é um daqueles rápidos, direto como um soco. É uma história tão particular e tão detalhadamente bem escrita, que tenho certeza que Radha Blank a guardou lá no fundo, saindo bem das entranhas, como algo que ela estava pronta para soltar para o mundo, mas que, ao mesmo tempo, lhe trazia dores e certo êxtase. É o fruto da experiência, do trauma e de um olhar tão generoso para com os detalhes do cotidiano.
Para sobreviver e ser relevante e inspiradora, a arte precisa de mais vozes, diferentes tipos de vozes, que enxergam outros empregos da linguagem e promover formas inéditas de identificação e empatia. A estreia de Radha Blank é em frente e atrás das câmeras: na direção e roteiro, Radha expõe uma crise de identidade contemporânea que se perpetua até os 40 anos e tem, em si própria, seu melhor exemplo.
Uma dramaturga teatral promissora, Radha agora está na encruzilhada de quem precisa continuar o trabalho anterior sem perder a voz autoral, quer dizer, sem precisar realizar concessões para tornar seu comentário social e racial mais palatável ao público médio - composto pela elite branca que é o alvo da crítica que tece. Parada, como quem deita e encara o teto sem saber quais serão os passos seguintes, Radha redescobre-se em uma paixão adolescente: o rap. A reinvenção está também no foco da narrativa que tenta demonstrar não ser tarde demais para uma mudança de rumo.
A forma como isto é feita é por uma comédia ao estilo de Frances Ha ou até mesmo Fleabag, respeitadas as diferenças entre Greta, Phoebe e Radha, que, como mulher negra nos 40, tem percepções diferentes da vida do que aquelas. O preto & branco é escolhido para retratar os contrastes entre a vida em uma metrópole que despersonaliza e tira o brilho dos figurinos de Radha, servindo também como mecanismo de transformação tão logo este readquira o controle do próprio caminho.
É um filme vitrine, digamos assim. Um convite para conhecermos a artista Radha de ângulos múltiplos, inclusive do alter-ego na trama; um convite também para sairmos da bolha cotidiana e conhecermos uma história que não conheceríamos sem ajuda do cinema.
caralho que filmaço, lembra muito o que o Spike Lee fez de melhor, é como um Shes Gotta Have It retratando uma mulher de 40 anos.
merece muito mais reconhecimento, e a Radha Blank é simpatia pura
O filme é extremamente feliz em desenvolver toda a identidade de Radha, sem pressa, sem furos e sem incoerências. No meio disso tudo, ainda somos apresentados a um estudo/sátira de estereótipos, que nos leva a refletir sobre as suas verdadeiras origens e razões. O roteiro é excelente, mesmo, e o filme parece ter a duração perfeita. De plus, temos aquela cena antológica em que Radha tenta cantar hip/hop totalmente chapada. Dei gargalhadas aqui. The-Forty-Year-Old-Version foi uma grata surpresa, enfim, que soube equilibrar a comédia e o estilo semidocumental, com um interessantíssimo estudo de personagem. Filmão.