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No final do século XVIII Mendoza (Robert De Niro), um mercador de escravos, fica com crise de consciência por ter matado Felipe (Aidan Quinn), seu irmão, num duelo, pois Felipe se envolveu com Carlotta (Cherie Lunghi). Ela havia se apaixonado por Felipe e Mendoza não aceitou isto, pois ela tinha um relacionamento com ele. Para tentar se penitenciar Mendoza se torna um padre e se une a Gabriel (Jeremy Irons), um jesuíta bem intencionado que luta para defender os índios, mas se depara com interesses econômicos.
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Eu assisti esse filme na infância na escola no fundamental, lógico que não lembrava de nada, revi e é uma aula de história sobre as missões jesuíticas e a luta contra a escravidão e genocídio dos povos indígenas, a assinatura do Tratado de Madrid muda o domínio que era Espanhol que visava mais a exploração das terras, para o domínio português que era escravagista e queria vender e usar a mão de obra dos nativos, Jeremy Irons interpreta um jesuíta pacifista que conquista a tribo através da musica, diferente do seu aliado Fielding interpretado pelo Liam Neeson que abdica da paz para lutar junto com Rodrigo Mendoza, vivido por Robert De Niro querendo redenção, os dois lutam ao lado dos Guaranis e o resto é spoiler. Concorreu a 7 Oscars levando o de fotografia, destaque para a trilha sonora sempre impecável do Ennio Morricone.
Ótimo épico sobre as missões jesuíticas com grande elenco e ambientação sublime!
Os jesuítas tentaram recriar uma espécie de paraíso nos trópicos da América Latina, e quase conseguiram. O problema é que suas missões, como eram conhecidas as aglomerações de indígenas sob tutela da Companhia de Jesus, representavam um obstáculo para os colonos, que encontraram na mão de obra dos índios uma solução para a falta de trabalhadores necessários aos seus empreendimentos comerciais. A Igreja, através do Papado, viu o quanto a evangelização do Novo Mundo estava se expandindo por meio da dedicação das ordens religiosas, dentre as quais se destacavam os inacianos. Mas também viu que a oposição dos ibéricos que utilizavam o braço indígena nas lavouras e minas, transformava-se cada vez mais numa fonte inesgotável de conflitos com os religiosos, e portanto, com quem os apoiava. Eram esses empreendedores que representavam a maior ameaça ao "paraíso" missionário dos evangelizadores a serviço da Igreja. Eles que precisavam adquirir e ampliar o poder com o qual garantiriam o controle e os lucros de seus negócios comerciais. Esse é o fator que resultou na animosidade entre os defensores da escravização do silvícula, e a Igreja, que para salvar as almas dos naturais da terra, não podia abandonar as missões à ganância dos colonos, tão preocupados com seus interesses materiais, que mesmo sendo cristãos, não davam a devida importância ao evangelismo.
É nesse contexto que se insere o personagem interpretado por Robert De Niro. Após uma vida dedicada ao apresamento de índios para o trabalho escravo, e depois de ter praticado um crime passional contra seu próprio irmão, Rodrigo Mendoza, personagem de De Niro, acaba tendo contato com alguns jesuítas, e consumido de remorsos e arrependimento, decide aceitar a proposta dos jesuítas de mudança de vida. É assim que começa seu processo de conversão. Seu encontro com Deus, através do arrependimento, penitência e obtenção de perdão, era muito comum naquela época, e uma das características dessa experiência espiritual, é a expiação dos pecados, após o reconhecimento dos próprios erros, e a obtenção externa do perdão por meio da prática de sacrifícios e humilhações públicos. Os penitentes sentiam que deviam pagar pelos seus pecados à vista de todos, como prova real de arrependimento. Na doutrina católica, o fiel só se sente perdoado quando recebe o sacramento da confissão, e paga a penitência escolhida pelo confessor, com a condição de prometer não mais pecar. O pecador só se "perdoa" após esse rito sacramental, pois o perdão vem de Deus, por intermédio do sacerdote. Infelizmente, esse rito tão útil para a consciência dos católicos, volta e meia é deturpado por aqueles que só enxergam controle político nas ações da Igreja. Os escravagistas não estavam nem um pouco preocupados com os sacramentos católicos. Para eles só o lucro salvava, ou seja, jamais seriam controlados politicamente pela Igreja, haja vista que os Rodrigos da vida eram uma exceção dentro daquele universo colonial. Rodrigo só era uma ameaça para os donos de escravos, se resistisse às investidas deles de recapturarem os índios recolhidos nas missões jesuítas. E quando Rodrigo faz isso, sua ação não é isolada. Ele não "descobriu uma suposta participação do Deus da Igreja na mercancia de escravos", até porque, o Deus da Igreja é Nosso Senhor Jesus Cristo, que jamais favoreceu a escravidão. O que Rodrigo fez foi unir-se aos jesuítas, que naquele período da história da Igreja, representavam a ponta da lança da defesa do Papado e do Catolicismo. Afirmar que ele teria negado a fé na Igreja para substituí-la por uma fé no Criador, é no mínimo um exercício de especulação radical, pois nada no filme indica isso. A fé na Igreja, para quem se converte, é baseada na fé no fundador da Igreja: Cristo Nosso Senhor.
12.06.2004
01.03.2001