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Data de lançamento
10 Dez. 1962Duração
Em 1916, em plena I Guerra Mundial, o jovem tenente do exército britânico estacionado no Cairo pede transferência para a península arábica, onde vem a ser oficial de ligação entre os rebeldes árabes e o exercito britânico, aliados contra os turcos, que desejavam anexar ao seu Império Otomano a península arábica. Lawrence, admirador confesso do deserto e do estilo de vida beduíno, oferece-se para ajudar os árabes a se libertarem dos turcos.
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NO PRISONERS!
Um espetáculo. Nada pode ser melhor.
Um verdadeiro filme épico
Não preciso dar minha visão do filme, pois o comentário do Danilo (abaixo do meu) já faz isso com maestria.
O que eu posso dizer é o seguinte: no passado, avaliava filmes pela superfície. Baseava-me no quanto aquele filme conversava comigo — ou reafirmava minha maneira de pensar. Fui envelhecendo (ou amadurecendo, como queiram) e resolvi apreciar o cinema mais profundamente. Imergir em suas camadas. E o que descobri foi um mundo de aprendizado e conhecimento, que moldou — e molda — minha forma de pensar e ver o mundo. E afirmo: para melhor.
Assistir a filmes desta magnitude (feitos no passado, repletos de efeitos práticos, quando a tecnologia era limitadíssima) e entender parte de suas camadas é uma experiência singular.
Olhando para trás, posso dizer categoricamente: a ignorância não foi uma bênção.
Nessa vida, repertório é tudo (ou quase tudo, hehe).
Ainda estou tentando processar a imensidão de Lawrence da Arábia. O filme é bom, de uma complexidade rara, e consegue fazer algo difícil no cinema: mostrar o jogo político exatamente como ele é frio, cínico e cruel, destruindo completamente as ilusões românticas da guerra.
O que mais me impressionou foi o contraste entre os ideais puros de T.E. Lawrence e a engrenagem implacável do poder. No início, vemos um homem comum, um excêntrico desajustado no exército britânico, que descobre no deserto uma paixão genuína pela cultura árabe. Ao realizar feitos considerados impossíveis, como a travessia assassina do deserto de Nefud para conquistar Aqaba, Lawrence começa a acreditar na própria lenda. Ele passa a se ver não apenas como um oficial, mas como o líder messiânico e libertador de um povo, movido pelo lema audacioso de que "nada está escrito".Mas a genialidade do filme de David Lean está em desmistificar esse herói. O deserto e a violência cobram um preço caro demais da alma humana. Acompanhar a quebra psicológica de Lawrence é doloroso: o homem que arrisca a vida para resgatar o beduíno Gasim é o mesmo que, mais tarde, é obrigado a executá-lo friamente com um revólver para conter uma guerra civil tribal. A violência o corrompe, culminando no terrível massacre de Tafas e no completo colapso nervoso ao ver o hospital de Damasco entregue ao abandono e à podridão. O tapa que ele recebe de um Oficial médico inglês, que o confunde com um nativo, é o choque definitivo de realidade: o "deus do deserto" foi reduzido a nada.No fim das contas, a realpolitik de gabinete vence. É bizarro e revoltante ver o cinismo com que o Príncipe Faisal e o General Allenby, líderes que estavam em lados opostos na diplomacia, se unem no final em um aperto de mãos silencioso. Eles usam o idealismo de Lawrence como uma ferramenta de guerra descartável e, assim que Damasco é conquistada e o Império Otomano cai, eles simplesmente decidem se livrar dele. Lawrence se torna um estorvo político, uma figura incômoda para os acordos secretos de divisão de terras.
Cinema