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Dessa vez o ritmo de Bela Tarr me cansou. E muito.
Gostei de Cavalo de Turim, porém, em A Harmonia de Werckmeister, venci o tédio com a resiliência de uma baleia.
Apesar disso, não tiro a importância da discussão temática do filme. Achei ótima. E isso junto de uma trilha e uma fotografia (falar da fotografia do Tarr é chover no molhado) grandiosas.
É interessante assistir a facilidade com que uma população insatisfeita e ressentida, e submetida a uma espécie de vazio existencial, pode ser arrastada para a violência por uma força que ela própria não compreende em sua totalidade.
Enquanto isso, János, que ainda é capaz de olhar para o universo com curiosidade e espanto, acaba esmagado por uma realidade que não consegue compreender nem transformar.
Já a baleia permanece como testemunha silenciosa de tudo isso: o príncipe desapareceu na sombra, a multidão se dissolveu, e a autoridade se reinstala.
Entretanto, algo naquela cidade se perdeu. Desafinou. E a notas dessa harmonia já não são mais as mesmas.
É aquele filme para um público muito específico, principalmente pelo ritmo e ausência de diálogos.
A repetição das ações adquiri uma dimensão existencial... O mundo vai se estreitando, os gestos se repetindo e as possibilidades diminuindo.
A sobrevivência humana é um caminho muito próprio do cinema de Tarr: uma situação aparentemente banal, ganha um peso filosófico que ultrapassa aquilo que está sendo mostrado na tela.
Difícil pensar nesse filme em tempos atuais, são momentos antagônicos.
Por fim, Tarr trabalha com a redução progressiva da existência ao mínimo necessário: comer, beber, trabalhar, repetir... A vida, aos poucos (ou não), vai perdendo tudo aquilo que costumamos associar à experiência humana e se aproximando de uma espécie de mecanismo contínuo da inércia.
"Eu disse isso para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo, vocês terão aflições; contudo, tenham coragem! Eu venci o mundo." — João 16:33
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Vou conferir os filmes que me indicou, alguns até já sabia e provavelmente já estão na minha lista de "quero ver", talvez. Brigadão ai.
Te adicionei no facebook agora. Não tenho muito costume de usá-lo tanto quanto instagram e twitter, de qualquer forma, me segue lá também: @hanleytattoo
Gostei. Nos primeiros episódios, a fotografia começa meio experimental — da qual me amarrei demais —, depois se acalma e fica mais padrão.
Tenho a impressão de que a revelação poderia ter vindo um ou dois episódios antes, porque a série muda de tom quando isso acontece. Passa de uma dinâmica investigativa — que, claro, continua, mas passa a servir mais como ilustração para a série avançar — para algo mais existencial. E, junto a isso, nossa atenção também muda de foco.
A inserção de filmes noir durante a narrativa achei show também.
O voice-over é bem colocado, sem se tornar cansativo.
E o final funciona, tanto que verei a segunda temporada.