Dentro da proposta do filme, achei interessante. Um filme estilo revista pulp, meio lado B, trabalhando num cenário pós-apocalíptico de escassez e violência, onde o mundo muda, mas as questões grotescas dos humanos permanecem.
Blood acaba sendo o mais sensato dos personagens, e os seres humanos, animais.
A dinâmica entre cachorro e garoto achei ótima.
E a frase final foi foda. Não teve como não rir hehe.
Queria entender por que esse tipo de filme parou de ser feito. Nunca se produziu tanto e, ao mesmo tempo, gastam-se fortunas em dezenas de produções muito ruins. Estamos numa escassez de filmes com essa narrativa ágil, sempre acontecendo algo, inteligente, com planos de fotografia muito criativos, ótimos personagens, sem aquela necessidade de engenharia social ou emocional, como se todo personagem devesse aprender algo...
Simplesmente uma ótima história, muito bem narrada e desenvolvida.
Vai ano, vem ano e eu continuo achando esse filme muito fera. Tá sempre acontecendo algo. Os personagens são massa, a mudança de gênero não estraga o filme e parece bem orgânica, e os exageros (maioria efeito prático) dão aquela dose de absurdo – Tarantino e Rodriguez juntos, não poderia ser diferente.
Dos papéis que vi do Clooney – que admito, não foram muitos – esse é meu preferido.
Fargo é fodástico. Fui relembrar uma cena no começo do filme e, quando me dei conta, estava terminando hehe.
A fotografia é boa demais. A trilha passa quase despercebida — ainda que dite o ritmo da obra —, além da construção da atmosfera e dos próprios personagens.
Gosto muito da decisão dos Coen de criar esse contraste: enquanto crimes acontecem na cidade, a pacata Brainerd segue em seu ritmo normal, com seus cidadãos sorridentes e meio abobalhados.
E o final? Tem um simbolismo genial em uma simplicidade crível.
Todos enraizados ao dinheiro morreram ou foram presos. No fim, dentro de sua rotina, do seu cotidiano simples e falando sobre um selo de três centavos, Marge resume o espírito do filme para Norm: “Nós estamos bem”.
Há poucos cineastas que trabalham tão bem esse humor irônico como os Coen (muitas vezes ligados à ganância e ao acaso).
Filme de Tela Quente. Gostaria de falar que era entretenimento pelo entretenimento, mas nem isso me cativou.
Clooney nesses papéis de galanteador, sempre acho meio cafona. Pra mim, o melhor papel dele foi em Um Drink no inferno. Um fora da lei amalucado, com um quê de rebelde do submundo.
Gostei da aparição do Ray Nicolette, no mesmo papel de Jackie Brown, do Taranta (outro filme baseado nos livros de Elmore Leonard). Pena que assim como apareceu, desapareceu.
Enfim, um filme mamão com açúcar. Passa o tempo, mas nada além disso.
Entendo o conceito do filme. A homenagem aos filmes slashers dos anos 70, também a questão do feminismo etc. Todas essas referências tô consciente e foram acertadas. A trilha é massa e aquele efeito em tela na primeira parte, achei muito fera.
Porém, é um filme longo. Putz, se é. A primeira hora poderia ser cortada pela metade. E a segunda metade com toda perseguição etc, onde o filme ganha muito em intensidade, acaba por ter uma última cena boba.
Valeria mais a pena reduzir a primeira parte, dar um final, como nas perseguições dos anos 70, onde o vilão se estourava dentro da própria máquina, e o trio voltar para resgatar a Lee, que ninguém sabe o que rolou.
Enfim... É um bom filme, tem seus momentos, mas faltou estruturar melhor o ritmo.
Depois de dois filmes viscerais, Tarantino reduziu a marcha e filmou Jackie Brown.
Toda vez que eu reassisto, aumento meia estrela hehe.
Jackie Brown é sua homenagem, não apenas ao movimento blaxploitation, mas ao seu escritor favorito: Elmore Leonard.
Aqui, a trama trabalha mais o subtexto e a esperteza (e fraqueza) emocional dos personagens do que a violência física em si — mesmo que ela exista, em menor escala.
Pam está ótima como Jackie, e a trama é segura, bem feita, ainda que a gente levante alguns questionamentos sobre a “inocência” de alguns personagens. Porém, revendo mais uma vez, percebi que Tarantino deixa margem para que atitudes idiotas sejam tomadas.
Jackie Brown é um respiro. Um limbo entre o que veio antes e o que viria depois.
É o tipo de filme que comecei a apreciar recentemente.
Antes, gostava de filmes introspectivos e com densidade emocional.
Porém, de uns tempos pra cá, tenho gostado de filmes mais estilosos, com uma boa história, personagens meio caricatos — ou arquetipados — e que sejam um bom entretenimento. E O Nome do Jogo combina bem com essa dinâmica.
Uma boa trama, uma estética massa, ritmo interessante e sem grandes complexidades.
Sempre me impressiona a idade e a segurança e identidade impostas por Tarantino nos seus dois primeiros filmes. Sempre ressaltando que ele largou a escola no ensino fundamental e trabalhava numa locadora.
A segurança para dirigir atores consagrados e outros promissores é de espantar.
Eu sempre gostei mais do Tarantino urbano, contemporâneo, abraçado à cultura pop, do que quando ele revisita algum gênero ou reescreve a história (como em Django e Bastardos, ainda que sejam ótimos filmes).
Me amarro demais na dinâmica dos diálogos despreocupados, muitas vezes curiosos, antes de uma cena cruel — ou até mesmo de tensão — enquanto o mundo segue tranquilo, quase despercebido.
Costumo dizer que Quentin produz memórias de cinema. A quantidade de cenas que ele criou ao longo do tempo e que ficaram no imaginário popular foi para poucos diretores.
E o principal, como se prova nos contos de Pulp Fiction: ele não está preocupado com a transformação emocional e psíquica do personagem. Ele quer ver como os personagens agem em determinada situação. O comportamento deles. Principalmente aquelas situações limítrofes e/ou inesperadas, muitas vezes com alto grau de tensão.
Além de ser um diretor cujos filmes têm muito estilo. E isso sempre contou pra mim.
Um Quentin Tarantino com 29 anos, sem ensino médio e recém-saído de uma locadora.
Filme de baixo orçamento e ele com a responsa de dirigir alguns atores já consolidados — outros promissores — em seu primeiro trabalho.
Planos muito bem feitos, inspirados em outros filmes — muitos deles desconhecidos — que só um cinéfilo meio amalucado conheceria. Quentin era um prodígio e alcançou, já no seu primeiro filme, um reconhecimento que muitos diretores saídos das salas das universidades nunca alcançaram.
E o que mais me impressiona é que, num primeiro filme, ele já implantou toda sua identidade artística, que o acompanharia ao longo de mais de 30 anos de carreira.
Em resumo: Tarantino está mais preocupado com o comportamento dos seus personagens diante de um problema externo, do que com a transformação psicológica deles. Ele é um contador de histórias nato, e não um investigador da alma humana.
Paul Schrader é meu roteirista favorito. Porém, como diretor, não tenho o mesmo apreço. Ainda que digam que esse é o melhor filme dele, não me pegou. Tem uma fotografia bonita, uma direção segura, mas o texto em si, o ritmo destinado ao filme, me afastou. Pra quem não conhece a vida ou a obra do biografado, fica perdido — ou demora para entender o que se passa. E quando entende, tem grande chance de já ter se desconectado.
Não preciso dar minha visão do filme, pois o comentário do Danilo (abaixo do meu) já faz isso com maestria.
O que eu posso dizer é o seguinte: no passado, avaliava filmes pela superfície. Baseava-me no quanto aquele filme conversava comigo — ou reafirmava minha maneira de pensar. Fui envelhecendo (ou amadurecendo, como queiram) e resolvi apreciar o cinema mais profundamente. Imergir em suas camadas. E o que descobri foi um mundo de aprendizado e conhecimento, que moldou — e molda — minha forma de pensar e ver o mundo. E afirmo: para melhor.
Assistir a filmes desta magnitude (feitos no passado, repletos de efeitos práticos, quando a tecnologia era limitadíssima) e entender parte de suas camadas é uma experiência singular.
Olhando para trás, posso dizer categoricamente: a ignorância não foi uma bênção.
Nessa vida, repertório é tudo (ou quase tudo, hehe).
Acho que peca pelo ritmo. Temos uns bons 50 minutos intimistas. Depois, um pouco de romance, uma sequência (espremida) de ação e, no final, a redenção — se é que dá para chamar assim.
Um recomeço. Uma nova página a ser escrita por todos.
Não gosto do universo de “super-heróis”, salvo algumas exceções: Batman (Nolan), Coringa, Logan, Watchmen e O Justiceiro.
Porém, esse Superman me agradou, principalmente pela primeira hora de filme. Questões existenciais bem latentes e uma boa analogia com Jesus Cristo.
Agora, nem tudo são flores. A relação dele com a Lois Lane achei mal construída e, na segunda metade do filme, a transformaram quase numa super-heroína.
Aquela questão da “mente” do pai armazenada num chip facilitou demais a narrativa. Tanto para explicar todo o contexto do filme quanto para salvar a Lois.
Sem contar que achei os diálogos muito expositivos. Mas entendo que é para conversar com seu público, e não comigo.
Na primeira metade, pensei: esse filme vai entrar pra minha prateleira de exceções.
Vi pelo YouTube com o título Amador. Minha nota pode estar sendo injusta, já que a legenda não estava das melhores e isso atrapalhou minha experiência.
Num todo, eu gostei. Hoje, com celular na mão, todos nós poderíamos ser um Filip, sensível ao documentar a realidade do seu entorno. Entretanto, gastamos boa parte do tempo registrando asneiras.
Achei a dinâmica do personagem muito boa. Porém, ainda que necessária, a questão familiar me cansou um pouco.
Que filme canastrão, puta merda. Se o filme abraçasse essa canastrice, sem se levar muito a sério, acho que daria bom. Seria um entretenimento bacana. Mas o filme se leva a sério. E peca aí.
Mas nada é mais insuportável que a narração da Anitta. Sério que nenhum dos diretores, produtores, montadores percebeu a merda que ficou? Essa narração tira boa parte da imersão nas imagens, com frases feitas que beiram o constrangedor, pra não dizer "abestalhado".
E não é a primeira produção brasileira com recursos, que tenho de colocar legenda em algumas partes para descobrir o que os atores falaram. Não sei se é a língua portuguesa, se é problema de direção, dos atores, do som... Mas volta e meia, acontece isso.
Acho que se fosse um livro, essa mesma história, eu iria gostar muito mais. Meu problema foi com o protagonista e sua cara de chorão, meio abobalhado.
No começo, tudo bem. Mas chegou um ponto do filme que me peguei irritado, toda vez que o Zeca e seu semblante apareciam.
Maria Ribeiro se mostra muito mais segura do que Liz Cipriota.
Cara, e essa trilha? Em Taxi Driver funciona, mas aqui parecia que a estética do filme não casava com o que escutava.
Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos tem uma história legal, bem conduzida pelo diretor, mas peca pelo excesso de pedantismo, por um protagonista irritante e diálogos "vergonha alheia" (em certa escala).
Gosto de terminar de ler o livro e já olhar a adaptação.
Neste caso, houve mudanças muito interessantes, acho que a maioria melhorou bastante o livro (que não é grandes coisas), e uma ou duas pioraram.
Mas num todo, é um bom filme, com uma trilha marcante, e um final bem melhor trabalhado que no livro. Mais tenso (mesmo com a censura da época), pois temos a visão de dentro do barco. Diferente da obra original.
O Menino e seu Cachorro
3.4 36 Assista AgoraDentro da proposta do filme, achei interessante. Um filme estilo revista pulp, meio lado B, trabalhando num cenário pós-apocalíptico de escassez e violência, onde o mundo muda, mas as questões grotescas dos humanos permanecem.
Blood acaba sendo o mais sensato dos personagens, e os seres humanos, animais.
A dinâmica entre cachorro e garoto achei ótima.
E a frase final foi foda. Não teve como não rir hehe.
Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes
4.2 587 Assista AgoraQueria entender por que esse tipo de filme parou de ser feito. Nunca se produziu tanto e, ao mesmo tempo, gastam-se fortunas em dezenas de produções muito ruins. Estamos numa escassez de filmes com essa narrativa ágil, sempre acontecendo algo, inteligente, com planos de fotografia muito criativos, ótimos personagens, sem aquela necessidade de engenharia social ou emocional, como se todo personagem devesse aprender algo...
Simplesmente uma ótima história, muito bem narrada e desenvolvida.
Um Drink no Inferno
3.7 1,4K Assista AgoraVai ano, vem ano e eu continuo achando esse filme muito fera. Tá sempre acontecendo algo. Os personagens são massa, a mudança de gênero não estraga o filme e parece bem orgânica, e os exageros (maioria efeito prático) dão aquela dose de absurdo – Tarantino e Rodriguez juntos, não poderia ser diferente.
Dos papéis que vi do Clooney – que admito, não foram muitos – esse é meu preferido.
Fargo: Uma Comédia de Erros
3.9 989 Assista AgoraFargo é fodástico. Fui relembrar uma cena no começo do filme e, quando me dei conta, estava terminando hehe.
A fotografia é boa demais. A trilha passa quase despercebida — ainda que dite o ritmo da obra —, além da construção da atmosfera e dos próprios personagens.
Gosto muito da decisão dos Coen de criar esse contraste: enquanto crimes acontecem na cidade, a pacata Brainerd segue em seu ritmo normal, com seus cidadãos sorridentes e meio abobalhados.
E o final? Tem um simbolismo genial em uma simplicidade crível.
Todos enraizados ao dinheiro morreram ou foram presos. No fim, dentro de sua rotina, do seu cotidiano simples e falando sobre um selo de três centavos, Marge resume o espírito do filme para Norm: “Nós estamos bem”.
Há poucos cineastas que trabalham tão bem esse humor irônico como os Coen (muitas vezes ligados à ganância e ao acaso).
Irresistível Paixão
3.0 76Três estrelas, sem convicção.
Filme de Tela Quente. Gostaria de falar que era entretenimento pelo entretenimento, mas nem isso me cativou.
Clooney nesses papéis de galanteador, sempre acho meio cafona. Pra mim, o melhor papel dele foi em Um Drink no inferno. Um fora da lei amalucado, com um quê de rebelde do submundo.
Gostei da aparição do Ray Nicolette, no mesmo papel de Jackie Brown, do Taranta (outro filme baseado nos livros de Elmore Leonard). Pena que assim como apareceu, desapareceu.
Enfim, um filme mamão com açúcar. Passa o tempo, mas nada além disso.
À Prova de Morte
3.9 2,0K Assista AgoraEntendo o conceito do filme. A homenagem aos filmes slashers dos anos 70, também a questão do feminismo etc. Todas essas referências tô consciente e foram acertadas. A trilha é massa e aquele efeito em tela na primeira parte, achei muito fera.
Porém, é um filme longo. Putz, se é. A primeira hora poderia ser cortada pela metade. E a segunda metade com toda perseguição etc, onde o filme ganha muito em intensidade, acaba por ter uma última cena boba.
Valeria mais a pena reduzir a primeira parte, dar um final, como nas perseguições dos anos 70, onde o vilão se estourava dentro da própria máquina, e o trio voltar para resgatar a Lee, que ninguém sabe o que rolou.
Enfim... É um bom filme, tem seus momentos, mas faltou estruturar melhor o ritmo.
Jackie Brown
3.8 765 Assista AgoraDepois de dois filmes viscerais, Tarantino reduziu a marcha e filmou Jackie Brown.
Toda vez que eu reassisto, aumento meia estrela hehe.
Jackie Brown é sua homenagem, não apenas ao movimento blaxploitation, mas ao seu escritor favorito: Elmore Leonard.
Aqui, a trama trabalha mais o subtexto e a esperteza (e fraqueza) emocional dos personagens do que a violência física em si — mesmo que ela exista, em menor escala.
Pam está ótima como Jackie, e a trama é segura, bem feita, ainda que a gente levante alguns questionamentos sobre a “inocência” de alguns personagens. Porém, revendo mais uma vez, percebi que Tarantino deixa margem para que atitudes idiotas sejam tomadas.
Jackie Brown é um respiro. Um limbo entre o que veio antes e o que viria depois.
Be Cool - O Outro Nome do Jogo
2.9 140 Assista AgoraVi logo na sequência de O Nome do Jogo, e tive uma experiência ruim.
Se no primeiro filme a história estava à frente da galhofa, aqui foi o contrário. Personagens chatos — além do exagerados.
Enredo sem graça, outro tom de filme comparado ao primeiro, e nem a parte do humor se salva.
Duas estrelas porque apesar dos pesares, é um filme assistível.
O Nome do Jogo
3.2 60 Assista AgoraÉ o tipo de filme que comecei a apreciar recentemente.
Antes, gostava de filmes introspectivos e com densidade emocional.
Porém, de uns tempos pra cá, tenho gostado de filmes mais estilosos, com uma boa história, personagens meio caricatos — ou arquetipados — e que sejam um bom entretenimento. E O Nome do Jogo combina bem com essa dinâmica.
Uma boa trama, uma estética massa, ritmo interessante e sem grandes complexidades.
Vale assistir.
Pulp Fiction: Tempo de Violência
4.4 3,8K Assista AgoraSempre me impressiona a idade e a segurança e identidade impostas por Tarantino nos seus dois primeiros filmes. Sempre ressaltando que ele largou a escola no ensino fundamental e trabalhava numa locadora.
A segurança para dirigir atores consagrados e outros promissores é de espantar.
Eu sempre gostei mais do Tarantino urbano, contemporâneo, abraçado à cultura pop, do que quando ele revisita algum gênero ou reescreve a história (como em Django e Bastardos, ainda que sejam ótimos filmes).
Me amarro demais na dinâmica dos diálogos despreocupados, muitas vezes curiosos, antes de uma cena cruel — ou até mesmo de tensão — enquanto o mundo segue tranquilo, quase despercebido.
Costumo dizer que Quentin produz memórias de cinema. A quantidade de cenas que ele criou ao longo do tempo e que ficaram no imaginário popular foi para poucos diretores.
E o principal, como se prova nos contos de Pulp Fiction: ele não está preocupado com a transformação emocional e psíquica do personagem. Ele quer ver como os personagens agem em determinada situação. O comportamento deles. Principalmente aquelas situações limítrofes e/ou inesperadas, muitas vezes com alto grau de tensão.
Além de ser um diretor cujos filmes têm muito estilo. E isso sempre contou pra mim.
A Paixão de JL
4.5 75Sensível. Com uma montagem que parece relativamente simples, porém requer muito estudo, pesquisa e sensibilidade.
Me fez refletir sobre questões da própria vida.
Cães de Aluguel
4.2 1,9K Assista AgoraUm Quentin Tarantino com 29 anos, sem ensino médio e recém-saído de uma locadora.
Filme de baixo orçamento e ele com a responsa de dirigir alguns atores já consolidados — outros promissores — em seu primeiro trabalho.
Planos muito bem feitos, inspirados em outros filmes — muitos deles desconhecidos — que só um cinéfilo meio amalucado conheceria. Quentin era um prodígio e alcançou, já no seu primeiro filme, um reconhecimento que muitos diretores saídos das salas das universidades nunca alcançaram.
E o que mais me impressiona é que, num primeiro filme, ele já implantou toda sua identidade artística, que o acompanharia ao longo de mais de 30 anos de carreira.
Em resumo: Tarantino está mais preocupado com o comportamento dos seus personagens diante de um problema externo, do que com a transformação psicológica deles. Ele é um contador de histórias nato, e não um investigador da alma humana.
Mishima: Uma Vida em Quatro Tempos
4.0 40Paul Schrader é meu roteirista favorito. Porém, como diretor, não tenho o mesmo apreço. Ainda que digam que esse é o melhor filme dele, não me pegou. Tem uma fotografia bonita, uma direção segura, mas o texto em si, o ritmo destinado ao filme, me afastou. Pra quem não conhece a vida ou a obra do biografado, fica perdido — ou demora para entender o que se passa. E quando entende, tem grande chance de já ter se desconectado.
Para o público certo, tem seu valor.
Lawrence da Arábia
4.2 456 Assista AgoraNão preciso dar minha visão do filme, pois o comentário do Danilo (abaixo do meu) já faz isso com maestria.
O que eu posso dizer é o seguinte: no passado, avaliava filmes pela superfície. Baseava-me no quanto aquele filme conversava comigo — ou reafirmava minha maneira de pensar. Fui envelhecendo (ou amadurecendo, como queiram) e resolvi apreciar o cinema mais profundamente. Imergir em suas camadas. E o que descobri foi um mundo de aprendizado e conhecimento, que moldou — e molda — minha forma de pensar e ver o mundo. E afirmo: para melhor.
Assistir a filmes desta magnitude (feitos no passado, repletos de efeitos práticos, quando a tecnologia era limitadíssima) e entender parte de suas camadas é uma experiência singular.
Olhando para trás, posso dizer categoricamente: a ignorância não foi uma bênção.
Nessa vida, repertório é tudo (ou quase tudo, hehe).
Ponto Sem Retorno
2.8 19Acho que peca pelo ritmo. Temos uns bons 50 minutos intimistas. Depois, um pouco de romance, uma sequência (espremida) de ação e, no final, a redenção — se é que dá para chamar assim.
Um recomeço. Uma nova página a ser escrita por todos.
Saí leve do cinema. Me sentindo bem.
O Homem de Aço
3.6 3,9K Assista AgoraNão gosto do universo de “super-heróis”, salvo algumas exceções: Batman (Nolan), Coringa, Logan, Watchmen e O Justiceiro.
Porém, esse Superman me agradou, principalmente pela primeira hora de filme. Questões existenciais bem latentes e uma boa analogia com Jesus Cristo.
Agora, nem tudo são flores. A relação dele com a Lois Lane achei mal construída e, na segunda metade do filme, a transformaram quase numa super-heroína.
Aquela questão da “mente” do pai armazenada num chip facilitou demais a narrativa. Tanto para explicar todo o contexto do filme quanto para salvar a Lois.
Sem contar que achei os diálogos muito expositivos. Mas entendo que é para conversar com seu público, e não comigo.
Na primeira metade, pensei: esse filme vai entrar pra minha prateleira de exceções.
Uma pena que na segunda metade caiu muito.
Cinemaníaco
4.2 47Vi pelo YouTube com o título Amador. Minha nota pode estar sendo injusta, já que a legenda não estava das melhores e isso atrapalhou minha experiência.
Num todo, eu gostei. Hoje, com celular na mão, todos nós poderíamos ser um Filip, sensível ao documentar a realidade do seu entorno. Entretanto, gastamos boa parte do tempo registrando asneiras.
Achei a dinâmica do personagem muito boa. Porém, ainda que necessária, a questão familiar me cansou um pouco.
Letras da Morte
2.5 83 Assista AgoraFilme fraco. Motivações rasas. E nem as atuações de salvaram.
E o que é o assassino? Bah, broxante.
Corrida dos Bichos
2.5 118 Assista AgoraQue filme canastrão, puta merda. Se o filme abraçasse essa canastrice, sem se levar muito a sério, acho que daria bom. Seria um entretenimento bacana. Mas o filme se leva a sério. E peca aí.
Mas nada é mais insuportável que a narração da Anitta. Sério que nenhum dos diretores, produtores, montadores percebeu a merda que ficou? Essa narração tira boa parte da imersão nas imagens, com frases feitas que beiram o constrangedor, pra não dizer "abestalhado".
E não é a primeira produção brasileira com recursos, que tenho de colocar legenda em algumas partes para descobrir o que os atores falaram. Não sei se é a língua portuguesa, se é problema de direção, dos atores, do som... Mas volta e meia, acontece isso.
A Garota Ideal
3.8 1,2K Assista grátisAquele drama com risadas constrangedoras hehe.
Me chamou atenção as atuações, todas muito boas. E algumas excelentes, como a do Gosling, doutora e da Bianca 🤪.
Mesmo dentro da realidade absurda do filme, algumas cenas extrapolam. Ainda assim, nao estraga a experiência.
Poderia filosofar sobre questões além da saúde mental, quase metafóricas, como solidão, pertencimento, traumas passados, respeito, humanidade etc.
A cena em que a senhora expõe os podres de todo mundo, é boa demais. É tipo: quem não tem seus podres, atire a primeira pedra.
A Odisseia
4.2 587Fotografia e efeitos massa, trilha sonora redonda, belas atuações, mas num todo, achei repetitivo e, em alguns momentos, maçante.
Sem contar alguns trechos que fugiu da obra original, sem motivos aparentes.
Ninguém vai me tirar da cabeça, nem o Nolan, que a Charlize Theron deveria ser a Atena.
Gostei do final, mas achei o personagem Antinous bem bobão. Beirando a canastrice.
Cabo do Medo
3.8 956O filme mais canastrão de Scorsese.
Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos
3.4 633Acho que se fosse um livro, essa mesma história, eu iria gostar muito mais. Meu problema foi com o protagonista e sua cara de chorão, meio abobalhado.
No começo, tudo bem. Mas chegou um ponto do filme que me peguei irritado, toda vez que o Zeca e seu semblante apareciam.
Maria Ribeiro se mostra muito mais segura do que Liz Cipriota.
Cara, e essa trilha? Em Taxi Driver funciona, mas aqui parecia que a estética do filme não casava com o que escutava.
Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos tem uma história legal, bem conduzida pelo diretor, mas peca pelo excesso de pedantismo, por um protagonista irritante e diálogos "vergonha alheia" (em certa escala).
Círculo do Medo
3.9 88 Assista AgoraGosto de terminar de ler o livro e já olhar a adaptação.
Neste caso, houve mudanças muito interessantes, acho que a maioria melhorou bastante o livro (que não é grandes coisas), e uma ou duas pioraram.
Mas num todo, é um bom filme, com uma trilha marcante, e um final bem melhor trabalhado que no livro. Mais tenso (mesmo com a censura da época), pois temos a visão de dentro do barco. Diferente da obra original.