Me impressiona demais a condução de David Lean em uma história simples, mas muito bem arquitetada. É claro que possui aquele olhar nacionalista pró bélico tão odioso típico do período de guerra, inclusive recaindo o status de alucinada à irmã antibelicista, enfim ossos de um retrato de um período em que este discurso é até compreensível. Incrível que me lembrou demais Ethel E Ernest , um filme recente muito similar em termos de roteiro.
A partir da primeira cena, nos mudamos junto aos personagens em sua nova residência e dai em diante vivemos sua nova adaptação, mudanças de rotina, dramas pessoais e diversos acontecimentos com fundo de uma aconchegante cidade britânica. Excelente em todos seus aspectos, direção impecável.
This Happy Breed foi o primeiro crédito oficial de David Lean como diretor e o filme de maior sucesso de 1944. Foi adaptado da peça de teatro de Noël Coward (o título vem de Richard II de Shakespeare), que havia estreado no Haymarket Theatre, em Londres, em abril de 1943. O próprio Coward tinha desempenhado o papel de Frank Gibbons no palco e o passado da família não era diferente do seu próprio. O filme celebra o estoicismo, o humor e a resiliência dos britânicos comuns (O Estoicismo ou Escola Estoica é uma doutrina filosófica fundamentada nas leis da natureza, que surgiu na Grécia no século IV a.C. - por volta do ano 300 - durante o período denominado helenístico (III e II a.C.). Foi fundada pelo filósofo grego Zênon de Cítio (333 a.C.- 263 a.C.), e vigorou durante séculos (até III d. C.) tanto na Grécia, quanto em Roma. O termo “Estoicismo” surge da palavra grega “stoá”, que significa pórtico, locais de ensinamentos filosóficos. Para os estoicos, a perfeição humana estava fundamentada na ideia de que os seres humanos estão ligados à natureza; assim, devem negar seus desejos para a realização de uma vontade guiada pela razão em conformidade com essa natureza. Além disso, a escola estoica influenciou o desenvolvimento do Cristianismo a partir do conceito de providência. Para ambos, há uma razão universal divina que regula tudo o que existe. A aceitação dessa providência, para os estoicos, fica a cargo da vontade orientada pela razão e a união do indivíduo com a natureza. Já para a doutrina cristã, dependia da abdicação do pecado e de uma vida devotada à fé e a ligação do indivíduo com Deus.). Laurence Olivier efetuou a narração, que é ouvida sobre a sequência de abertura, de tirar o fôlego, uma vista aérea deslumbrante de Londres, do Tâmisa e por meio dos, até a porta dos fundos de uma casa em particular e direto até a porta da frente. Eventos marcantes na vida da família Gibbons, retratada pelo filme, como a Greve Geral, são esboçados efetivamente no roteiro. Lean já estava empregando um de seus dispositivos de marca registrada de 'vazar' uma cena em outra - uma nova cena começa antes que a anterior tenha terminado. Ele usa especialmente o som para antecipar a próxima cena, mantendo o público em constante estado de expectativa (genial para a época e até hoje, 2008, muito válida como estratégia de roteiro. Uma sequência em particular usa o som brilhantemente. Quando Reg e sua esposa são mortos em um acidente de carro, Vi vai para o jardim para encontrar Frank e Ethel e contar-lhes a notícia terrível. A câmera fica na sala enquanto o rádio toca uma música de dança alta, e o som feliz de crianças brincando do lado de fora é ouvido. Eventualmente Frank e Ethel entram no quadro, do jardim, a trilha sonora fazendo um contraponto pungente à sua dor silenciosa. O filme também deu a Lean sua primeira experiência real de direção de atores. Em seu segundo papel no cinema Celia Johnson é pouco lisonjeiramente maquiada, iluminada e fotografada, e tenta um sotaque pouco convincente do sul de Londres, mas ela é muito comovente em todas as suas cenas. As outras performances são, no geral, creditáveis. John Mills interpreta outro marinheiro, novamente apaixonado por Kay Walsh. Alison Leggatt e Amy Veness são esplêndidas como as mulheres mais velhas da família, e usam alguns chapéus surpreendentes. Um belo filme, resguardados os anos em que foi produzido e filmado e mostra os britânicos como nem sempre vemos retratados...Excelente Filme!
O comentário no início do filme sobre o gato e a manteiga nas patas vem de uma técnica usada quando um gato muda de casa. De acordo com isso, se o gato tem manteiga nas patas, ele para e lambe. Como os gatos são criaturas muito limpas, a manteiga nas patas e os pedaços de sujeira / poeira / detritos que inevitavelmente grudam nela irritarão o gato. O gato se senta para se limpar e, ao fazê-lo, absorve seu novo ambiente, criando um mapa mental de onde está sua nova casa e ajudando-o a fazer o ajuste ao seu novo ambiente.
Me impressiona demais a condução de David Lean em uma história simples, mas muito bem arquitetada. É claro que possui aquele olhar nacionalista pró bélico tão odioso típico do período de guerra, inclusive recaindo o status de alucinada à irmã antibelicista, enfim ossos de um retrato de um período em que este discurso é até compreensível. Incrível que me lembrou demais Ethel E Ernest , um filme recente muito similar em termos de roteiro.
A partir da primeira cena, nos mudamos junto aos personagens em sua nova residência e dai em diante vivemos sua nova adaptação, mudanças de rotina, dramas pessoais e diversos acontecimentos com fundo de uma aconchegante cidade britânica.
Excelente em todos seus aspectos, direção impecável.
This Happy Breed foi o primeiro crédito oficial de David Lean como diretor e o filme de maior sucesso de 1944. Foi adaptado da peça de teatro de Noël Coward (o título vem de Richard II de Shakespeare), que havia estreado no Haymarket Theatre, em Londres, em abril de 1943. O próprio Coward tinha desempenhado o papel de Frank Gibbons no palco e o passado da família não era diferente do seu próprio. O filme celebra o estoicismo, o humor e a resiliência dos britânicos comuns (O Estoicismo ou Escola Estoica é uma doutrina filosófica fundamentada nas leis da natureza, que surgiu na Grécia no século IV a.C. - por volta do ano 300 - durante o período denominado helenístico (III e II a.C.). Foi fundada pelo filósofo grego Zênon de Cítio (333 a.C.- 263 a.C.), e vigorou durante séculos (até III d. C.) tanto na Grécia, quanto em Roma. O termo “Estoicismo” surge da palavra grega “stoá”, que significa pórtico, locais de ensinamentos filosóficos. Para os estoicos, a perfeição humana estava fundamentada na ideia de que os seres humanos estão ligados à natureza; assim, devem negar seus desejos para a realização de uma vontade guiada pela razão em conformidade com essa natureza. Além disso, a escola estoica influenciou o desenvolvimento do Cristianismo a partir do conceito de providência. Para ambos, há uma razão universal divina que regula tudo o que existe. A aceitação dessa providência, para os estoicos, fica a cargo da vontade orientada pela razão e a união do indivíduo com a natureza. Já para a doutrina cristã, dependia da abdicação do pecado e de uma vida devotada à fé e a ligação do indivíduo com Deus.). Laurence Olivier efetuou a narração, que é ouvida sobre a sequência de abertura, de tirar o fôlego, uma vista aérea deslumbrante de Londres, do Tâmisa e por meio dos, até a porta dos fundos de uma casa em particular e direto até a porta da frente. Eventos marcantes na vida da família Gibbons, retratada pelo filme, como a Greve Geral, são esboçados efetivamente no roteiro. Lean já estava empregando um de seus dispositivos de marca registrada de 'vazar' uma cena em outra - uma nova cena começa antes que a anterior tenha terminado. Ele usa especialmente o som para antecipar a próxima cena, mantendo o público em constante estado de expectativa (genial para a época e até hoje, 2008, muito válida como estratégia de roteiro. Uma sequência em particular usa o som brilhantemente. Quando Reg e sua esposa são mortos em um acidente de carro, Vi vai para o jardim para encontrar Frank e Ethel e contar-lhes a notícia terrível. A câmera fica na sala enquanto o rádio toca uma música de dança alta, e o som feliz de crianças brincando do lado de fora é ouvido. Eventualmente Frank e Ethel entram no quadro, do jardim, a trilha sonora fazendo um contraponto pungente à sua dor silenciosa. O filme também deu a Lean sua primeira experiência real de direção de atores. Em seu segundo papel no cinema Celia Johnson é pouco lisonjeiramente maquiada, iluminada e fotografada, e tenta um sotaque pouco convincente do sul de Londres, mas ela é muito comovente em todas as suas cenas. As outras performances são, no geral, creditáveis. John Mills interpreta outro marinheiro, novamente apaixonado por Kay Walsh. Alison Leggatt e Amy Veness são esplêndidas como as mulheres mais velhas da família, e usam alguns chapéus surpreendentes. Um belo filme, resguardados os anos em que foi produzido e filmado e mostra os britânicos como nem sempre vemos retratados...Excelente Filme!
“Não importa para quantos apartamentos nos mudarmos, para onde formos ou o que fizermos, contanto que eu tenha vc.”
O comentário no início do filme sobre o gato e a manteiga nas patas vem de uma técnica usada quando um gato muda de casa. De acordo com isso, se o gato tem manteiga nas patas, ele para e lambe. Como os gatos são criaturas muito limpas, a manteiga nas patas e os pedaços de sujeira / poeira / detritos que inevitavelmente grudam nela irritarão o gato. O gato se senta para se limpar e, ao fazê-lo, absorve seu novo ambiente, criando um mapa mental de onde está sua nova casa e ajudando-o a fazer o ajuste ao seu novo ambiente.