Após um trágico aborto, Lola e seu marido Adolfo adotam Tin e Tina, dois adoráveis irmãos albinos com uma educação ultracatólica que os faz interpretar a Bíblia Sagrada literalmente.
Parece quando a fé não encontra o "talvez", Tin e Tina não são crianças más. Esse é o ponto mais perturbador do filme, e também o mais honesto. Criadas num convento, elas aprenderam um único idioma para ler o mundo que é a Bíblia como instrução literal, não como metáfora. Quando saem desse ambiente fechado e entram numa família, numa casa, num cotidiano cheio de ambiguidade, não têm como relativizar. Aplicam o que sabem com precisão e com inocência genuína. O horror que se instala não vem da maldade, vem da literalidade. O filme é construído sobre símbolos que formam um campo coerente, o batismo que afoga, o véu que é levantado, o sangramento, a queda de cabelo, a perna de pau, a incapacidade de gerar. Tudo orbita em torno do corpo feminino como lugar da falta e da exposição. Do outro lado, o marido piloto, que voa, que escapa e a casa que precisa conter o que não consegue ser nomeado. As crianças albinas, órfãs, gêmeas, chegam de fora para habitar o dentro. São o estranho que se torna familiar antes que se possa decidir se é seguro. E é exatamente aí que o filme aperta, ninguém consegue sustentar o "talvez". Existe uma distinção entre dois modos de organizar a experiência. Num deles, as coisas são boas ou más, seguras ou ameaçadoras, e os sinais do mundo confirmam sempre o que já se teme. No outro, mais difícil, é possível sustentar a ambiguidade, amar e temer ao mesmo tempo, sem precisar resolver isso numa certeza, o que pode ser próspero. Tin e Tina não têm acesso a esse segundo modo. Mas o filme sugere que Lola também não. E talvez seja essa simetria o verdadeiro núcleo da história, duas formas de rigidez que se encontram e não conseguem ceder. O que resta é a pergunta que o filme deixa sem resposta, o que teria sido possível se alguém, em algum momento, tivesse conseguido dizer "não sei" e permanecer nesse lugar sem precisar agir?
Eu gostei. Achei que as atuações deixaram um pouco a desejar, e senti algumas falhas no enredo também. Mas fiz uma analogia muito interessante com o processo dela de luto, e como tudo não passou de uma metáfora para como ela lidava com suas questões emocionais, de culpa, medo e desejo. Poderia ter sido conduzido de uma forma melhor aproveitada, mas curti a brisa.
Gostei, dá para várias interpretações mas para mim….
Eles foram criados no fanatismo religioso e faziam as coisas mas não por maldade. A mãe acreditou na suposta mudança das crianças e recuperou a fé
Parece quando a fé não encontra o "talvez", Tin e Tina não são crianças más. Esse é o ponto mais perturbador do filme, e também o mais honesto. Criadas num convento, elas aprenderam um único idioma para ler o mundo que é a Bíblia como instrução literal, não como metáfora. Quando saem desse ambiente fechado e entram numa família, numa casa, num cotidiano cheio de ambiguidade, não têm como relativizar. Aplicam o que sabem com precisão e com inocência genuína. O horror que se instala não vem da maldade, vem da literalidade. O filme é construído sobre símbolos que formam um campo coerente, o batismo que afoga, o véu que é levantado, o sangramento, a queda de cabelo, a perna de pau, a incapacidade de gerar. Tudo orbita em torno do corpo feminino como lugar da falta e da exposição. Do outro lado, o marido piloto, que voa, que escapa e a casa que precisa conter o que não consegue ser nomeado. As crianças albinas, órfãs, gêmeas, chegam de fora para habitar o dentro. São o estranho que se torna familiar antes que se possa decidir se é seguro. E é exatamente aí que o filme aperta, ninguém consegue sustentar o "talvez".
Existe uma distinção entre dois modos de organizar a experiência. Num deles, as coisas são boas ou más, seguras ou ameaçadoras, e os sinais do mundo confirmam sempre o que já se teme. No outro, mais difícil, é possível sustentar a ambiguidade, amar e temer ao mesmo tempo, sem precisar resolver isso numa certeza, o que pode ser próspero. Tin e Tina não têm acesso a esse segundo modo. Mas o filme sugere que Lola também não. E talvez seja essa simetria o verdadeiro núcleo da história, duas formas de rigidez que se encontram e não conseguem ceder. O que resta é a pergunta que o filme deixa sem resposta, o que teria sido possível se alguém, em algum momento, tivesse conseguido dizer "não sei" e permanecer nesse lugar sem precisar agir?
Enzo & Valentina
Bem fraco. Ja esperava pouco e entregou menos que o esperado
Eu gostei. Achei que as atuações deixaram um pouco a desejar, e senti algumas falhas no enredo também. Mas fiz uma analogia muito interessante com o processo dela de luto, e como tudo não passou de uma metáfora para como ela lidava com suas questões emocionais, de culpa, medo e desejo.
Poderia ter sido conduzido de uma forma melhor aproveitada, mas curti a brisa.