JC
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Últimas opiniões enviadas

O Exorcista (The Exorcist) 2,4K

O Exorcista

  • JC
    1 semana atrás

    Em O Exorcista, o verdadeiro terror não está no demônio em si, mas na experiência de conteúdos psíquicos que não conseguem ser nomeados, organizados e compartilhados dentro de um campo de sentido como se o terror fosse o choque de temporalidades psíquicas. Quando isso falha, o sofrimento deixa de ser vivido como algo próprio e passa a ser sentido como uma invasão, algo estranho que ocupa o lugar do eu. Nomear o "demônio" (o sofrimento) não elimina a dor, mas dá forma a ela, permitindo que seja atravessada, sem isso, ela permanece difusa, caótica, e pode levar a atuações ou sintomas como tentativas de dar destino ao que não encontra expressão. Nesse cenário, o terror se intensifica porque diferentes estados internos coexistem sem uma linguagem comum que os articule: Regan MacNeil encarna o excesso sem representação (a adolescência), Padre Damien Karras vive o luto e a culpa, e Chris MacNeil sustenta uma posição de sobrecarga e impotência. Sem mediação psíquica suficiente, esses estados não se integram , eles colidem. E há ainda um elemento decisivo que é o risco de quem cuida ser capturado por aquilo que afeta o outro. A cena em que Karras é provocado pelo "demônio " fazendo um ataque direcionado ao ponto mais vulnerável dele é onde quebra a neutralidade dele, ele deixa de estar na posição de quem contém e começa a ser puxado para dentro daquele estado mórbido. mostra que o sofrimento alheio pode atravessar, tocar pontos não elaborados e dissolver fronteiras internas, fazendo com que o cuidador entre no mesmo circuito que tenta conter. No fundo, o filme sugere que, quando não há recursos internos e linguagem suficientes para dar forma à experiência de sofrimento, o que é humano pode ser vivido como algo estranho, como uma "possessão " e até quem tenta ajudar precisa sustentar uma posição muito delicada para não ser engolido por isso. Vamos ver como será o novo!

    editado
  • Trama Fantasma (Phantom Thread) 816

    Trama Fantasma

  • JC
    2 semanas atrás

    O que Trama Fantasma constrói é um desconforto intencional, quase um teste para quem assiste. Não há ali personagem facilmente admirável, porque o filme desmonta a ideia de relações equilibradas e previsíveis. Reynolds Woodcock aparece como alguém rigidamente organizado em seus rituais, centrado em si mesmo, dependente de controle absoluto para manter sua própria estabilidade. O outro não entra como sujeito, mas como peça funcional dentro de um sistema que precisa permanecer intacto. Essa postura não é apenas arrogância, mas uma forma de se proteger de uma desorganizacao interna mais profunda. Alma Elson, por sua vez, começa tentando se ajustar a esse funcionamento. Ela aceita o lugar oferecido, tenta corresponder, mas aos poucos percebe que isso implica seu próprio apagamento. O que poderia ser lido de forma literal como um gesto agressivo, o envenenamento, ganha outra dimensão quando observado com mais cuidado. Não se trata apenas de ferir, mas de produzir uma ruptura que permita a própria existência dentro da relação. É uma intervenção extrema, mas que introduz uma reciprocidade onde antes havia apenas imposição. Uma leitura estritamente concreta empobrece o enredo, porque o que está em jogo é mais ambíguo. Há destruição, sem dúvida, mas também uma tentativa de construir um vínculo possível. O que se estabelece entre os dois não é apenas crueldade, mas uma forma de dependência mútua em que fragilizar e cuidar passam a se entrelaçar. Ele aceita ser desorganizado, ela assume o risco de ser ao mesmo tempo quem sustenta e quem ameaça. Forma-se um ciclo em que queda, cuidado e recomposição se repetem, e o afeto deixa de ser separado da tensão, passando a existir junto dela.
    Nesse ponto, a presença da mãe no mundo interno de Reynolds ajuda a compreender a intensidade dessa dinâmica. Essa figura não aparece apenas como lembrança, mas como um modelo de relação marcado por ambiguidade. É fonte de cuidado e, ao mesmo tempo, ligada à perda e ao risco de desamparo. Em estados de dependência profunda, surgem medos muito primitivos, ligados à possibilidade de abandono ou até de destruição. A relação com Alma reativa esse campo antigo, no qual quem cuida também pode falhar, e quem é necessário também pode ferir. Por isso, ela passa a ocupar um lugar duplo. Em alguns momentos sustenta, acolhe, organiza. Em outros, desestabiliza, invade, coloca em risco. Essa oscilação não é um detalhe, é o que dá consistência ao vínculo. Ele, que antes precisava manter tudo rigidamente separado para não se desorganizar, passa a depender justamente dessa mistura entre cuidado e ameaça. É isso que torna a relação mais intensa, ainda que também mais perigosa. Essa dinâmica explica por que é tão difícil manter afeição por algum personagem no filme. Nenhum dos dois se sustenta em posições simples. Ele não é apenas autoritário, nem ela apenas vítima. Ambos participam de uma relação em que proximidade implica vulnerabilidade e o cuidado não se separa da possibilidade de ferir. Não se trata de um modelo saudável, nem de uma resolução reconfortante, mas de uma forma possível de ligação dentro de um terreno psíquico instável. No fim, o que o filme sugere é inquietante. Como existir ao lado de alguém que só se mantém quando o outro se reduz, se anula. A resposta não vem como solução, mas como encenação. Esse vínculo só se sustenta ao custo de rupturas constantes, como se a continuidade dependesse justamente de ser repetidamente interrompida.

  • A Única Saída (어쩔수가없다) 138

    A Única Saída

  • JC
    3 semanas atrás

    O filme usa algo aparentemente banal , "o papel", (o registro, o trabalho) pra mostrar uma tensão mais profunda que é aquilo que um dia expandiu a capacidade humana (organizar e transmitir informação) aqui aparece como mecanismo de redução do sujeito à função, apesar das tentativas quase poéticas de descrever a "beleza do papel". Os personagens se definem pelo que “sabem fazer”, mas isso os torna substituíveis, presos numa lógica de repetição e concorrência, onde o outro não é um par, não é alguém com quem se possa "identificar", mas alguém que pode ocupar o seu lugar. Em contraste, a menina com o violoncelo cria uma linguagem própria, fora desse circuito, não útil, não competitiva, mas singular, que a permite se expressar fora daquela linguagem. Fica a pergunta que o filme não resolve: o conhecimento vale pelo que circula e gera valor corporativo, ou pelo que expressa, mesmo que ninguém entenda?

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