Tora-san retorna à Shibamata e encontra a família preocupada com Hiroshi, o marido de sua irmã Sakura, que teve um acidente no trabalho. Indelicado como sempre, ele causa discórdia na casa dos Kuruma e decide ir embora retomar o seu trabalho de caixeiro-viajante. Durante uma viagem em Kyushu, ele ajuda um homem desesperado que foi largado pela esposa com um bebê récem-nascido, mais o pai foge na manhã seguinte, abandonando o bebê e deixando para trás apenas um bilhete pedindo que Tora-san cuide do menino.
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Quatorze filmes de Tora-san com o entusiasmo de um nipo-cinéfilo e altas expectativas, pois a década de 70 é considerada a melhor época do personagem. Embora a ideia de um homem rústico cuidando de um bebê seja hilária por si só, o episódio em questão perdeu a oportunidade de retratar o que faria Tora-san se fosse pai solteiro, pois a criança foi apenas uma forma de levá-lo à musa da sessão, a enfermeira Kyoko interpretada pela Yukiyo Toake.
Com muito charme e irreverência, a presença cativante dela vai deixá-lo como um jovem apaixonado e as cenas que ele usa o bebê para impressioná-la são muito divertidas. A cena de sonho no início também funcionou muito bem, trazendo o elemento teatral e popular da figura de Tora-san. Um grande palhaço com humor generoso e universal que precisou dividir aqui a atenção da musa com Yataro, interpretado pelo cantor e dublador Tsunehiko Kamijo.
Este barbudo músico entrou feito “patinho feio” no filme ao lado de Tora, provavelmente pelo fato da barba não ser prioridade nos padrões de beleza nipônicos e isso deve ter aumentado ainda mais a decepção do Tora ao vê-lo conquistar a moça. Um outro personagem que infelizmente destoa muito no elenco é o tio Kuruma. Essa é a terceira e última mudança de ator que o interpreta, mas sua presença aqui deixou muito a desejar. Deve melhorar depois.
O ponto alto da sessão é sem dúvidas o começo, quando Sakura recebe a notícia que o marido Hiroshi teve um acidente no trabalho. A ida dela ao hospital para ver o marido parece profundamente marcada pela influência do olhar social dos dramas autorais yamadianos que ele dirigiu fora dos filmes do Tora. Obras perfeitas que mostravam a vida difícil da classe operária japonesa com uma forma estética linda, politizada e reflexiva. Salve Yamada! ♥ ~