Em Shibamata, Tora-san recebe a visita de uma garota simpática chamada Junko (Junko Sakurada) que se revela a filha de uma velha conhecida dele. Emocionado ao reencontrar a jovem que ele tinha visto bebê quase duas décadas antes, Tora decide viajar para visitar o túmulo da mãe dela. O sacerdote local (Hideji Otaki) explica a vida difícil que elas viveram sozinhas, a mãe era solteira e criou a filha sem ajuda do pai. Tora-san volta para casa inspirado pela ideia de mudar seu futuro e estudar, seguindo os conselhos do sacerdote, mas acaba se apaixonando pela professora universitária Reiko (Fumie Kashiyama), a nova inquilina hospedada na casa dos tios.
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Dezesseis filmes assistidos e Tora-san segue como o marmota número um do cinema japonês, mas agora ele também quer ser um intelectual?! Imagine tal desafio de escrever este roteiro após o brilhantismo do episódio anterior considerado um dos melhores da série. O diretor Yoji Yamada com o roteirista Yoshitaka Asama fizeram a escolha mais simples e segura, repetindo a ideia do personagem universitário do décimo filme e incluindo uma estrela da época.
Apesar de não ter a qualidade dos filmes com a musa Lily, esse conta com a participação rápida de Junko Sakurada, uma estrela juvenil da música japonesa setentista. A presença dela sendo uma idol extremamente popular deve ter atraído o público jovem. Numa cena bem divertida, o policial do filme anda de bicicleta cantarolando o maior hit da cantora, “Watashi no Aoi Tori”. Passa depressa, mas quem já ouviu vai reconhecer a letra... クック クック~ 🐦
Curiosamente, o ator Masakane Yonekura que tinha interpretado um universitário no décimo filme retorna aqui como o policial. O papel intelectual ficou para Fumie Kashiyama que incarna a musa da vez, a adorável Reiko Kakei. Além de ser a sobrinha do Gozen-sama (Chishu Ryu), ela estuda arqueologia e veio alugar um quarto na casa dos Kuruma para poder se concentrar nos estudos. É claro que Tora se apaixona à primeira vista, mas existe o status que os separa.
Tora-san é um cara orgulhoso e o fato de não ter estudado o incomoda. Ele sempre usa do humor para esconder o seu lado frágil e o seu sentimento de inferioridade diante de intelectuais. Inclusive, uma piada recorrente é quando ele fala de maneira paternalista com alguém que julga pela aparência como sendo um atendente ou um operário até descobrir que se trata de um professor ou um médico, revelando de certa forma a mentalidade da época.
O quid pro quo de classe social gera momentos engraçados. Se não é pelo estudo, é rindo que os dois encontram afinidade. Além disso, o papel social da mulher fica mais uma vez em destaque com a empatia yamadiana. Um homem bem-sucedido podia formar família, mas uma mulher precisava escolher entre trabalhar e ser mãe. Quando Reiko é pedida em casamento, fica confusa, questionando suas próprias escolhas e as barreiras enfrentadas por ser mulher.
O filme também explora bem a dificuldade da figura da musa de se impor em autonomia e independência, pois ela geralmente se arrepende ou pede desculpas ao invés de assumir a própria liberdade de expressão. Ela não permanece na posição intelectual muito tempo, pois através da comédia Tora vira prof da matéria “escola da vida”, reativando as normas paternalistas da mulher obediente. Por conta disso, o fim sem casamento chega a ser irônico.