Rebecca é uma garota curandeira cuja fama atrai bandos para a missão de seu pai Lawrence Byrne nas profundezas da selva amazônica. Rebecca e Byrne são arrastados para um conflito crescente.
Em exibição nos cinemas desde o dia 08/01, o bom longa ‘Transamazônia’ traz uma narrativa repleta de contrastes, sobre dois mundos que se encontram e entram em choque. Rodado no Pará, a história costura pelo menos cinco temas: o poder da fé, a manipulação religiosa, a luta pela preservação da floresta, as tradições indígenas e a relação frágil e ao mesmo tempo profunda entre um pai e sua filha. Na trama, uma jovem sobrevive a um acidente aéreo na Amazônia e se torna um ‘milagre vivo’ – ela é Rebecca Byrne, papel da atriz alemã Helena Zengel, que se destacou no impactante drama ‘Transtorno explosivo’ (2019) e no ano seguinte foi indicada ao Globo de Ouro de atriz coadjuvante em ‘Relatos do mundo’ (2020). Para a comunidade pentecostal liderada por seu pai, o missionário estrangeiro Lawrence Byrne (Jeremy Xido, ator e diretor canadense), a menina está viva por uma manifestação divina, portanto a incentiva a seguir seus passos no mundo religioso. Ela se torna uma pregadora protestante que se utiliza também do curandeirismo, no meio da selva, levando os indígenas para mundo da espiritualização ocidental. A chegada de madeireiros ilegais na região ameaça os povos indígenas e também a integridade da família Byrne. Misturando diálogos em português e inglês, o filme revela duas situações que avançam no país e ameaçam a cultura dos povos originários – a questão dos madeireiros ilegais, que matam para explorar indiscriminadamente a região, e a evangelização pentecostal dos indígenas, que mais parece aquilo que estudávamos na colonização e exploração do Brasil no século XVI. Produzido em parceria internacional (uma coprodução França, Alemanha, Suíça, Taiwan e Brasil), o longa mistura drama e suspense com ingredientes fortes dos dois gêneros, refletindo diferentes olhares sobre a Amazônia, além dos dilemas que surgem quando crença, natureza e relações pessoais se entrelaçam. A diretora é Pia Marais, uma sul-africana radicada na Alemanha, em seu quarto longa-metragem; ela escreveu o roteiro com ajuda de dois roteiristas a partir de uma história real ocorrida na floresta amazônica na década de 70. Pia conta que ficou no Brasil por uma temporada para estudar o caso, viajando pela Amazônia em busca de histórias e elementos para compor o fiel retrato dos personagens. Integrou a Seleção Oficial do Festival de Locarno e da Mostra Panorama Mundial no Festival do Rio 2024, tendo distribuição no Brasil pela Filmes do Estação. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
Em exibição nos cinemas desde o dia 08/01, o bom longa ‘Transamazônia’ traz uma narrativa repleta de contrastes, sobre dois mundos que se encontram e entram em choque. Rodado no Pará, a história costura pelo menos cinco temas: o poder da fé, a manipulação religiosa, a luta pela preservação da floresta, as tradições indígenas e a relação frágil e ao mesmo tempo profunda entre um pai e sua filha. Na trama, uma jovem sobrevive a um acidente aéreo na Amazônia e se torna um ‘milagre vivo’ – ela é Rebecca Byrne, papel da atriz alemã Helena Zengel, que se destacou no impactante drama ‘Transtorno explosivo’ (2019) e no ano seguinte foi indicada ao Globo de Ouro de atriz coadjuvante em ‘Relatos do mundo’ (2020). Para a comunidade pentecostal liderada por seu pai, o missionário estrangeiro Lawrence Byrne (Jeremy Xido, ator e diretor canadense), a menina está viva por uma manifestação divina, portanto a incentiva a seguir seus passos no mundo religioso. Ela se torna uma pregadora protestante que se utiliza também do curandeirismo, no meio da selva, levando os indígenas para mundo da espiritualização ocidental. A chegada de madeireiros ilegais na região ameaça os povos indígenas e também a integridade da família Byrne. Misturando diálogos em português e inglês, o filme revela duas situações que avançam no país e ameaçam a cultura dos povos originários – a questão dos madeireiros ilegais, que matam para explorar indiscriminadamente a região, e a evangelização pentecostal dos indígenas, que mais parece aquilo que estudávamos na colonização e exploração do Brasil no século XVI. Produzido em parceria internacional (uma coprodução França, Alemanha, Suíça, Taiwan e Brasil), o longa mistura drama e suspense com ingredientes fortes dos dois gêneros, refletindo diferentes olhares sobre a Amazônia, além dos dilemas que surgem quando crença, natureza e relações pessoais se entrelaçam. A diretora é Pia Marais, uma sul-africana radicada na Alemanha, em seu quarto longa-metragem; ela escreveu o roteiro com ajuda de dois roteiristas a partir de uma história real ocorrida na floresta amazônica na década de 70. Pia conta que ficou no Brasil por uma temporada para estudar o caso, viajando pela Amazônia em busca de histórias e elementos para compor o fiel retrato dos personagens. Integrou a Seleção Oficial do Festival de Locarno e da Mostra Panorama Mundial no Festival do Rio 2024, tendo distribuição no Brasil pela Filmes do Estação. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom