A morte de uma mulher em uma fazenda no sul da Itália reúne os três filhos com o pai. Cada um vem de uma parte diferente do país, com histórias de vida distintas, e se reencontram com seus passados.
Um importante e comovente filme-retrato não apenas da Itália, mas de todo país onde houve um forte êxodo rural no Século XX. Porque é próximo e íntimo da maioria de nós. Assim, quando a matriarca morre, chamados pelo pai, três irmãos de diferentes mundos, personalidades e cidades voltam à pequena vila camponesa onde nasceram e repensam suas vidas, trazendo as reminiscências familiares e os dilemas futuros que precisam lidar. Com o luto emoldurado pela insatisfação, são três provas vivas de um processo de urbanização que ressoa para o bem e para o mal, demonstrando como a violenta conturbação social é um veneno que pode oferecer fama, embora, concomitantemente, traga o medo. Vale a pipoca!
a perca da esposa a sensação da solidão mesmo tendo filhos e neto, sabendo que estão ali só por causa do funeral e depois cada um vai seguir sua vida e que a idade trás a perca da virtude, me fez lembrar de um conto mitológico onde a mulher pediu vida eterna e esqueceu de pedir junto juventude eterna e o corpo dela foi deteriorado e o que ela desejava era a morte sem poder ter
Co-produção ítalo-francesa indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro, representando a Itália na cerimônia - o vencedor do ano foi o húngaro Mephisto (81). Este drama foi baseado em uma obra do romancista, filósofo, dramaturgo e poeta soviético Andrei Platonov (1899-1951). A estréia de Marta Zoffoli. Um retrato tocante, embora às vezes subestimado, do luto emoldurado pelo descontentamento, "Três Irmãos" continua sendo uma obra-prima ressonante do período tardio de Francesco Rosi (1922-2015).
Francesco Rosi foi um dos poucos diretores italianos a realmente enfrentar a questão norte-sul do país de maneira madura e inteligente. Pós-guerra italiano, cenários rurais, enquadramento e fotografia elegantes, uma paciência rara no cinema moderno. No fundo, o que torna este filme tão emocionante é o profundo amor que você sente que o diretor tem por seus personagens. É também um filme que reflete as divisões da Itália moderna. Cada um dos 3 irmãos representa uma parte da fragmentada sociedade, com suas esperanças e medos. Somente através do pai/avô e da neta (passado e futuro) que sentimos uma tristeza pelo que foi perdido e uma esperança pelo que pode ser recuperado. A música age como uma sugestão emocional e há muitos zooms narrativos.
Pra quem se interessar, a representação de facetas políticas da Itália nas décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial me lembraram muito "54", um livro italiano assinado pelo autor coletivo Wu Ming que li neste ano. Lá inclusive tem também um Nicola, como personagem alusivo a Lênin.
Tanto no caso do filme quanto do livro, achei a pegada meia-boca e só. Mas pra quem porventura gostar mais do filme que eu, deixo a recomendação do livro de Ming.
Um importante e comovente filme-retrato não apenas da Itália, mas de todo país onde houve um forte êxodo rural no Século XX. Porque é próximo e íntimo da maioria de nós. Assim, quando a matriarca morre, chamados pelo pai, três irmãos de diferentes mundos, personalidades e cidades voltam à pequena vila camponesa onde nasceram e repensam suas vidas, trazendo as reminiscências familiares e os dilemas futuros que precisam lidar. Com o luto emoldurado pela insatisfação, são três provas vivas de um processo de urbanização que ressoa para o bem e para o mal, demonstrando como a violenta conturbação social é um veneno que pode oferecer fama, embora, concomitantemente, traga o medo. Vale a pipoca!
Acho que a sensação que senti nesse filme foi a sensação do peso da idade, achei terrível
a perca da esposa a sensação da solidão mesmo tendo filhos e neto, sabendo que estão ali só por causa do funeral e depois cada um vai seguir sua vida e que a idade trás a perca da virtude,
me fez lembrar de um conto mitológico onde a mulher pediu vida eterna e esqueceu de pedir junto juventude eterna e o corpo dela foi deteriorado e o que ela desejava era a morte sem poder ter
Esse filme tem muitas coisas interessantes, mas elas demooooram pra acontecer
Co-produção ítalo-francesa indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro, representando a Itália na cerimônia - o vencedor do ano foi o húngaro Mephisto (81). Este drama foi baseado em uma obra do romancista, filósofo, dramaturgo e poeta soviético Andrei Platonov (1899-1951). A estréia de Marta Zoffoli. Um retrato tocante, embora às vezes subestimado, do luto emoldurado pelo descontentamento, "Três Irmãos" continua sendo uma obra-prima ressonante do período tardio de Francesco Rosi (1922-2015).
Francesco Rosi foi um dos poucos diretores italianos a realmente enfrentar a questão norte-sul do país de maneira madura e inteligente. Pós-guerra italiano, cenários rurais, enquadramento e fotografia elegantes, uma paciência rara no cinema moderno. No fundo, o que torna este filme tão emocionante é o profundo amor que você sente que o diretor tem por seus personagens. É também um filme que reflete as divisões da Itália moderna. Cada um dos 3 irmãos representa uma parte da fragmentada sociedade, com suas esperanças e medos. Somente através do pai/avô e da neta (passado e futuro) que sentimos uma tristeza pelo que foi perdido e uma esperança pelo que pode ser recuperado. A música age como uma sugestão emocional e há muitos zooms narrativos.
Pra quem se interessar, a representação de facetas políticas da Itália nas décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial me lembraram muito "54", um livro italiano assinado pelo autor coletivo Wu Ming que li neste ano. Lá inclusive tem também um Nicola, como personagem alusivo a Lênin.
Tanto no caso do filme quanto do livro, achei a pegada meia-boca e só. Mas pra quem porventura gostar mais do filme que eu, deixo a recomendação do livro de Ming.