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Sinopse
Fernanda Montenegro abre as portas de sua casa e relembra histórias marcantes – de produções mais modestas à cerimônia do Oscar – na companhia da filha, a atriz Fernanda Torres.
É uma carinho no coração ver ela falando o quanto gosta de estar viva, o quanto quer viver e ainda fazer, ainda mais quando ela se coloca, a todo momento, como parte de uma categoria da qual ela tem tanto orgulho. Não só uma grande atriz, mas uma grande mulher e um grande exemplo.
Um tributo muito bacana a grande atriz Fernanda Montenegro, relembrando momentos de sua carreira no teatro, tv e nos cinemas. Além de mostrar curiosidades sobre ela que não conhecia. Vale a conferida!
"Tributo" faz linda homenagem a Fernanda Montenegro
Uma das artistas mais celebradas do país, Fernanda Montenegro acumula várias paixões ao longo da vida: pela arte, família e por seu eterno companheiro, o também ator Fernando Torres, falecido em 2008. Todos esses temas são revisitados no episódio de ‘Tributo’ que ficou disponível no Globoplay nesta quarta-feira, 16 de outubro – dia em que a atriz faz aniversário –, e hoje, dia 17, foi exibido na TV aberta, após "Mania de Você".
Após a adoção de um nome artístico – que ela mesma criou, ainda no início da carreira – a homenageada revela o segredo para equilibrar a convivência entre a celebridade e a pessoa física. “Sou, ao mesmo tempo, Arlette Pinheiro Monteiro Torres e Fernanda Montenegro. Uma é a chamada de uma arte, de uma profissão. A outra, sou eu de porta fechada, sólida, dentro de casa. Será que isso é sadio? Não sei! Mas é desafiador. E já que estou com essa idade, tenho sobrevivido”.
Embora tenha sido uma das pioneiras da televisão, Fernanda não esconde a sua identificação com o palco. Ou, como definiu a filha, Fernanda Torres, uma “devoção pelo teatro”. “Ela é um ser totalmente do presente. E trabalha mais do que nós todos: é chamada para filme, novela, peça, debate e comerciais. É requisitadíssima. E dá conta. Ao mesmo tempo, há atrás dela uma corrente de pessoas e de experiências. Como traduzir isso? Talvez seja o preço de viver muito, lucidamente”, elogia Fernanda Torres.
"Tributo" repassa acontecimentos importantes como a fundação da Companhia Teatro dos Sete – da qual também faziam parte Fernando Torres, Sergio Britto e Ítalo Rossi, além do diretor Gianni Ratto – em 1959; e sua atuação como Dora em 'Central do Brasil' (1998), de Walter Salles, que lhe rendeu a indicação para o Oscar de melhor atriz no ano seguinte. Em seu depoimento, ela pondera que a derrota [para Gwyneth Paltrow, por 'Shakespeare Apaixonado'] não se tornou um trauma. Pelo contrário. “Jamais pensei que iria levar esse negócio. Mesmo que não pegue a estatueta, aquilo já bota você no noticiário. Eu assisti como se estivesse em uma fantasia. Sabia que não ia levar nada, mas estive lá. Eu sou obediente, às vezes”, brinca.
O episódio, costurado pela leitura de poemas e trechos de autores renomados, traz ainda uma declaração para o inesquecível companheiro. “Sem Fernando, a minha vida não se cumpriria. Do nosso mais profundo pacto de existir, vieram dois filhos maravilhosos [além de Fernanda Torres, ela é mãe do cineasta Claudio Torres], que também são referências dentro do nosso processo artístico. Tenho que agradecer, viu Fernando, a você”.
O especial tem uma hora de quinze minutos de duração e nem dá para sentir o tempo passar. Fernanda tem o dom de prender a atenção através de sua voz potente e figura majestosa. Dá gosto ouvi-la e o programa conta com trechos de várias entrevistas excelentes da atriz, além de um bate-papo ótimo de Fernandona e Fernanda Torres. Uma conversa gostosa de mãe e filha que o telespectador tem o privilégio de acompanhar. Fica perceptível a cada minuto a paixão da veterana pelo teatro e seu ofício de atriz. Não por acaso, virou uma das maiores representantes das artes dramáticas e uma das figuras mais admiradas do país. Seu próprio nome já tem uma força gigantesca.
"Tributo" é uma série original Globoplay com redação de Isadora Wilkinson e Lalo Homrich, direção artística de Antonia Prado, direção de Matheus Malafaia e direção de gênero de Mariano Boni. O especial sobre Fernanda Montenegro representa toda a grandeza de uma profissional que nasceu para interpretar. Vida longa a ela.
ATENÇÃO, ATENÇÃO: Série "Tributo" presta merecidas homenagens, mas expõe a hipocrisia da Globo
No entanto, a reverência aos veteranos soa no mínimo estranha diante da atual realidade da Rede Globo. É importante ressaltar que os produtores da série não têm culpa alguma e merecem todos os elogios pela iniciativa, cujo resultado emociona qualquer um. Mas a emissora vive uma fase de etarismo escancarado em suas produções dramatúrgicas. Dá para contar nos dedos de uma mão a quantidade de atores mais velhos no elenco das três novelas inéditas que estão no ar. É algo visível. As famílias da ficção não têm mais avós ou quando têm são interpretados por atores com cerca de 60 anos.
Na recém-terminada "Elas por Elas", os autores Alessandro Marson e Thereza Falcão acertaram em cheio na valorização do grande Marcos Caruso, de 72 anos, que brilhou na pele do vilão Sérgio. Mas no elenco só havia ele acima dos 70 e os mais próximos eram apenas Cosme dos Santos (Evilásio), de 68, e Mariah da Penha (Raquel), de 65. Já na novela que estreou nesta semana na faixa das 18h, no lugar do remake, não há um ator sequer perto dos 70 anos. O mais velho de "No Rancho Fundo", trama de Mário Teixeira, é Nanego Lira, intérprete de padre Zezo, com 60 anos. É algo que choca.
E o que dizer do remake de "Renascer" no horário nobre? Apenas dois atores do elenco estão acima dos 60 anos: Almir Sater, com 68 anos, e Jackson Antunes, com 63 anos. E ambos interpretam personagens que aparecem bem pouco (Deocleciano e o Turco Rachid, respectivamente). Marcos Palmeira, que protagoniza a história na pele de Zé Inocêncio, tem exatos 60 anos, mas aparenta ter 50, o que explica a sua escalação para o papel. É visível o interesse da emissora por profissionais mais 'jovens' ou que aparentam ser mais jovens. Os idosos parecem descartados.
A esperança de uma maior valorização nos veteranos estava em "Família é Tudo", novela das sete de Daniel Ortiz que estreou no dia 4 de março. Afinal, a trama foi vendida como uma história protagonizada por Arlete Salles. E nos primeiros capítulos houve realmente a impressão de que a atriz seria a figura central do enredo, aos 85 anos, interpretando gêmeas. Mas o desaparecimento de Frida em alto mar fez Catarina perder por completo a sua relevância. A personagem mal aparece. E o restante do elenco é dominado por jovens, tendo como exceção apenas Cristina Pereira, de 73 anos, que está ótima na pele da doce Marieta. O terceiro mais velho do elenco tem 62 anos e é o competente Jayme Periard, que interpreta Ramón, o pai do mocinho Tom (Renato Góes). Ainda há a talentosa Grace Gianoukas, aos 60 anos, que diverte como a conservadora Leda. Mas acaba aí.
Um dos poucos autores que valoriza os veteranos e peita a Globo na escalação é Walcyr Carrasco, que sempre faz questão de ter em seu time intérpretes experientes, vide a recente "Terra e Paixão", onde colocou como figuras de total destaque Tony Ramos, Gloria Pires e Eliane Giardini. Já os demais das duas uma: ou não se interessam ou não têm o prestígio que o escritor tem na emissora para colocar suas exigências na mesa. Mas o fato é que a falta de representatividade dos atores mais velhos é incontestável. Portanto, diante de um etarismo tão explícito em suas produções, um especial como o "Tributo" expõe apenas a hipocrisia da Globo.
É uma carinho no coração ver ela falando o quanto gosta de estar viva, o quanto quer viver e ainda fazer, ainda mais quando ela se coloca, a todo momento, como parte de uma categoria da qual ela tem tanto orgulho.
Não só uma grande atriz, mas uma grande mulher e um grande exemplo.
Um tributo muito bacana a grande atriz Fernanda Montenegro, relembrando momentos de sua carreira no teatro, tv e nos cinemas. Além de mostrar curiosidades sobre ela que não conhecia. Vale a conferida!
Quem não gosta dessa mulher, bom sujeito não é.
Fernanda Fernandona, a Pelé das atrizes brasileiras
"Tributo" faz linda homenagem a Fernanda Montenegro
Uma das artistas mais celebradas do país, Fernanda Montenegro acumula várias paixões ao longo da vida: pela arte, família e por seu eterno companheiro, o também ator Fernando Torres, falecido em 2008. Todos esses temas são revisitados no episódio de ‘Tributo’ que ficou disponível no Globoplay nesta quarta-feira, 16 de outubro – dia em que a atriz faz aniversário –, e hoje, dia 17, foi exibido na TV aberta, após "Mania de Você".
Após a adoção de um nome artístico – que ela mesma criou, ainda no início da carreira – a homenageada revela o segredo para equilibrar a convivência entre a celebridade e a pessoa física. “Sou, ao mesmo tempo, Arlette Pinheiro Monteiro Torres e Fernanda Montenegro. Uma é a chamada de uma arte, de uma profissão. A outra, sou eu de porta fechada, sólida, dentro de casa. Será que isso é sadio? Não sei! Mas é desafiador. E já que estou com essa idade, tenho sobrevivido”.
Embora tenha sido uma das pioneiras da televisão, Fernanda não esconde a sua identificação com o palco. Ou, como definiu a filha, Fernanda Torres, uma “devoção pelo teatro”. “Ela é um ser totalmente do presente. E trabalha mais do que nós todos: é chamada para filme, novela, peça, debate e comerciais. É requisitadíssima. E dá conta. Ao mesmo tempo, há atrás dela uma corrente de pessoas e de experiências. Como traduzir isso? Talvez seja o preço de viver muito, lucidamente”, elogia Fernanda Torres.
"Tributo" repassa acontecimentos importantes como a fundação da Companhia Teatro dos Sete – da qual também faziam parte Fernando Torres, Sergio Britto e Ítalo Rossi, além do diretor Gianni Ratto – em 1959; e sua atuação como Dora em 'Central do Brasil' (1998), de Walter Salles, que lhe rendeu a indicação para o Oscar de melhor atriz no ano seguinte. Em seu depoimento, ela pondera que a derrota [para Gwyneth Paltrow, por 'Shakespeare Apaixonado'] não se tornou um trauma. Pelo contrário. “Jamais pensei que iria levar esse negócio. Mesmo que não pegue a estatueta, aquilo já bota você no noticiário. Eu assisti como se estivesse em uma fantasia. Sabia que não ia levar nada, mas estive lá. Eu sou obediente, às vezes”, brinca.
O episódio, costurado pela leitura de poemas e trechos de autores renomados, traz ainda uma declaração para o inesquecível companheiro. “Sem Fernando, a minha vida não se cumpriria. Do nosso mais profundo pacto de existir, vieram dois filhos maravilhosos [além de Fernanda Torres, ela é mãe do cineasta Claudio Torres], que também são referências dentro do nosso processo artístico. Tenho que agradecer, viu Fernando, a você”.
O especial tem uma hora de quinze minutos de duração e nem dá para sentir o tempo passar. Fernanda tem o dom de prender a atenção através de sua voz potente e figura majestosa. Dá gosto ouvi-la e o programa conta com trechos de várias entrevistas excelentes da atriz, além de um bate-papo ótimo de Fernandona e Fernanda Torres. Uma conversa gostosa de mãe e filha que o telespectador tem o privilégio de acompanhar. Fica perceptível a cada minuto a paixão da veterana pelo teatro e seu ofício de atriz. Não por acaso, virou uma das maiores representantes das artes dramáticas e uma das figuras mais admiradas do país. Seu próprio nome já tem uma força gigantesca.
"Tributo" é uma série original Globoplay com redação de Isadora Wilkinson e Lalo Homrich, direção artística de Antonia Prado, direção de Matheus Malafaia e direção de gênero de Mariano Boni. O especial sobre Fernanda Montenegro representa toda a grandeza de uma profissional que nasceu para interpretar. Vida longa a ela.
ATENÇÃO, ATENÇÃO: Série "Tributo" presta merecidas homenagens, mas expõe a hipocrisia da Globo
No entanto, a reverência aos veteranos soa no mínimo estranha diante da atual realidade da Rede Globo. É importante ressaltar que os produtores da série não têm culpa alguma e merecem todos os elogios pela iniciativa, cujo resultado emociona qualquer um. Mas a emissora vive uma fase de etarismo escancarado em suas produções dramatúrgicas. Dá para contar nos dedos de uma mão a quantidade de atores mais velhos no elenco das três novelas inéditas que estão no ar. É algo visível. As famílias da ficção não têm mais avós ou quando têm são interpretados por atores com cerca de 60 anos.
Na recém-terminada "Elas por Elas", os autores Alessandro Marson e Thereza Falcão acertaram em cheio na valorização do grande Marcos Caruso, de 72 anos, que brilhou na pele do vilão Sérgio. Mas no elenco só havia ele acima dos 70 e os mais próximos eram apenas Cosme dos Santos (Evilásio), de 68, e Mariah da Penha (Raquel), de 65. Já na novela que estreou nesta semana na faixa das 18h, no lugar do remake, não há um ator sequer perto dos 70 anos. O mais velho de "No Rancho Fundo", trama de Mário Teixeira, é Nanego Lira, intérprete de padre Zezo, com 60 anos. É algo que choca.
E o que dizer do remake de "Renascer" no horário nobre? Apenas dois atores do elenco estão acima dos 60 anos: Almir Sater, com 68 anos, e Jackson Antunes, com 63 anos. E ambos interpretam personagens que aparecem bem pouco (Deocleciano e o Turco Rachid, respectivamente). Marcos Palmeira, que protagoniza a história na pele de Zé Inocêncio, tem exatos 60 anos, mas aparenta ter 50, o que explica a sua escalação para o papel. É visível o interesse da emissora por profissionais mais 'jovens' ou que aparentam ser mais jovens. Os idosos parecem descartados.
A esperança de uma maior valorização nos veteranos estava em "Família é Tudo", novela das sete de Daniel Ortiz que estreou no dia 4 de março. Afinal, a trama foi vendida como uma história protagonizada por Arlete Salles. E nos primeiros capítulos houve realmente a impressão de que a atriz seria a figura central do enredo, aos 85 anos, interpretando gêmeas. Mas o desaparecimento de Frida em alto mar fez Catarina perder por completo a sua relevância. A personagem mal aparece. E o restante do elenco é dominado por jovens, tendo como exceção apenas Cristina Pereira, de 73 anos, que está ótima na pele da doce Marieta. O terceiro mais velho do elenco tem 62 anos e é o competente Jayme Periard, que interpreta Ramón, o pai do mocinho Tom (Renato Góes). Ainda há a talentosa Grace Gianoukas, aos 60 anos, que diverte como a conservadora Leda. Mas acaba aí.
Um dos poucos autores que valoriza os veteranos e peita a Globo na escalação é Walcyr Carrasco, que sempre faz questão de ter em seu time intérpretes experientes, vide a recente "Terra e Paixão", onde colocou como figuras de total destaque Tony Ramos, Gloria Pires e Eliane Giardini. Já os demais das duas uma: ou não se interessam ou não têm o prestígio que o escritor tem na emissora para colocar suas exigências na mesa. Mas o fato é que a falta de representatividade dos atores mais velhos é incontestável. Portanto, diante de um etarismo tão explícito em suas produções, um especial como o "Tributo" expõe apenas a hipocrisia da Globo.