O filme traz, progressivamente, as dificuldades enfrentadas pelos moradores de uma vila rural diante da escassez de alimentos e outros problemas gerados pela Segunda Guerra Mundial.
Obra atemporal do cinema indiano que mostra como em meio a uma situação extrema pessoas veem sendo testadas a sua dignidade e a sua capacidade de ajudar o próximo. O filme é daqueles que depois que começamos a ver é difícil abandonar tamanha é a competência da direção de contar a sua história. Tragicamente esta foi baseada em fatos reais.
Mais um excelente filme do cineasta bengalês Satyajit Ray. Tal como "A Canção da Estrada", seu longa de estreia e ainda hoje o mais conhecido fruto de sua filmografia, lembra bastante o nosso "Vidas Secas", adaptado de Graciliano Ramos.
O personagem principal, vivido como sempre por Soumitra Chatterjee - que tinha com Ray uma parceria de vários filmes, estilo Mifune+Kurosawa ou DeNiro+Scorsese - é um brâmane que com frequência usa o status de sua casta pra tentar manter privilégios diante da fome avassaladora de 1943, quando os problemas decorrente da guerra entre a Inglaterra (metrópole da Índia colonizada) e o Japão levaram a uma escassez de alimentos (o caso do arroz é destacado no filme) bem como a recondução dos mesmos para os soldados no exército, em detrimento do 'povão' da região da Bengala, que ficava à míngua e literalmente morrendo de fome no interior do país.
Chatterjee vive um personagem que acumula as funções de médico e professor, tem prestígio na vila, porém quando a água da fome bate na bunda, a miséria nivela todos por baixo e as necessidades primárias da pirâmide de Maslow vão corroendo esse prestígio até o ponto em que sua esposa chega a receber convites de trocar sexo por arroz.
Cale lembrar que muito da responsabilidade dessa inanição em massa é da metrópole inglesa, cuja figura do então primeiro ministro Winton Churchill é até hoje erroneamente badalada como 'heroica' pelos mais ingênuos.
A fome em Bengala é um entre vários eventos de fome em massa que ocorreram na história de Bengala administrada pelo Império britânico. É estimado que em torno de 1.5-3 milhões de pessoas morreram de fome e desnutrição durante o período.
Estima-se que cerca de três milhões de pessoas morreram na Grande Fome de Bengala em 1943 após o Japão capturar a vizinha Birmânia grande fonte de importação de arroz e as autoridades britânicas guardarem toda a comida para soldados e operários de guerra. A compra em pânico de arroz levou a uma alta vertiginosa dos preços, e os canais de distribuição foram desativados quando as autoridades confiscaram ou destruíram a maioria dos barcos e carros de Bengala para evitar que caíssem em mãos japonesas, caso fossem invadidos.
Winston Churchill era o Primeiro Ministro na época de seu envolvimento no desastre e de fato seu conhecimento ainda é um mistério. Em resposta ao urgente pedido do Secretário Geral da Índia, Leo Amery, para liberar os estoques de alimentos da Índia, Churchill respondeu a um telegrama perguntando: se os alimentos são tão escassos, "porque Gandhi não havia morrido ainda" . Inicialmente durante a fome ele estava mais preocupado com os cidadãos da Grécia (que estavam também sofrendo com uma fome em massa) do que com os Bengaleses. “Eu odeio os indianos. São um povo bestial com uma religião bestial”, disse Churchill a Leo Amery. Ele ainda acusou os indianos de provocarem a própria fome por “procriarem como coelhos”. (Livro, “Churchill’s Secret War” - Madhusree Mukerjee)
O arroz repentinamente tornou-se escasso no mercado e, enquanto a fome se espalhava pelas aldeias, Churchill repetidamente recusava súplicas por carregamentos emergenciais de alimentos.
O governo de Bengala falhou em prevenir as exportações de arroz, e fez muito pouco para importar os excessos de outros locais na Índia, ou para comprar os estoques de especuladores e redistribuir aos famintos. No geral, as autoridades falharam em entender que a fome não estava sendo causada por falta generalizada de alimentos, e que a distribuição dos alimentos não era apenas uma matéria de capacidade de transporte, mas em prover ajuda alimentar gratuita em escala massiva: "O Raj foi, de fato, bem preciso em sua estimação da disponibilidade de alimentos, mas desastrosamente errado em sua teoria sobre a fome" . A fome terminou quando o governo de Londres concordou em importar 1.000.000 de toneladas de grãos para Bengala, reduzindo o preço dos alimentos.
Mas a autora Madhusree Mukerjee disse ter descoberto evidências de que Churchill foi diretamente responsável pelo extremo sofrimento. Seu livro, “Churchill’s Secret War”, mostra documentos nunca antes vistos que dizem que nenhum navio podia ser poupado da guerra. Análise de encontros do gabinete de guerra mostra que navios carregados de grãos da Austrália passavam pela Índia em seu caminho para o Mediterrâneo, onde grandes reservas foram construídas.
A Grã-Bretanha explorou brutalmente a Índia durante a guerra e não deixou de fazê-lo mesmo quando a fome começou”. (Livro, “Churchill’s Secret War” - Madhusree Mukerjee)
A história de um médico que vive em uma comunidade rural durante a segunda guerra. Inicialmente considerado de uma casta superior, começa a perceber, com o avanço da guerra, que todos são iguais em miséria. Ray consegue mostrar a realidade de seu povo de forma crua, mas sem grandes dramas desnecessários. Ele é tão único.
Obra atemporal do cinema indiano que mostra como em meio a uma situação extrema pessoas veem sendo testadas a sua dignidade e a sua capacidade de ajudar o próximo. O filme é daqueles que depois que começamos a ver é difícil abandonar tamanha é a competência da direção de contar a sua história. Tragicamente esta foi baseada em fatos reais.
Insalubre, triste e realista.
Mais um excelente filme do cineasta bengalês Satyajit Ray. Tal como "A Canção da Estrada", seu longa de estreia e ainda hoje o mais conhecido fruto de sua filmografia, lembra bastante o nosso "Vidas Secas", adaptado de Graciliano Ramos.
O personagem principal, vivido como sempre por Soumitra Chatterjee - que tinha com Ray uma parceria de vários filmes, estilo Mifune+Kurosawa ou DeNiro+Scorsese - é um brâmane que com frequência usa o status de sua casta pra tentar manter privilégios diante da fome avassaladora de 1943, quando os problemas decorrente da guerra entre a Inglaterra (metrópole da Índia colonizada) e o Japão levaram a uma escassez de alimentos (o caso do arroz é destacado no filme) bem como a recondução dos mesmos para os soldados no exército, em detrimento do 'povão' da região da Bengala, que ficava à míngua e literalmente morrendo de fome no interior do país.
Chatterjee vive um personagem que acumula as funções de médico e professor, tem prestígio na vila, porém quando a água da fome bate na bunda, a miséria nivela todos por baixo e as necessidades primárias da pirâmide de Maslow vão corroendo esse prestígio até o ponto em que sua esposa chega a receber convites de trocar sexo por arroz.
Cale lembrar que muito da responsabilidade dessa inanição em massa é da metrópole inglesa, cuja figura do então primeiro ministro Winton Churchill é até hoje erroneamente badalada como 'heroica' pelos mais ingênuos.
Holocausto bengalês: A fome de 1943.
A fome em Bengala é um entre vários eventos de fome em massa que ocorreram na história de Bengala administrada pelo Império britânico. É estimado que em torno de 1.5-3 milhões de pessoas morreram de fome e desnutrição durante o período.
Estima-se que cerca de três milhões de pessoas morreram na Grande Fome de Bengala em 1943 após o Japão capturar a vizinha Birmânia grande fonte de importação de arroz e as autoridades britânicas guardarem toda a comida para soldados e operários de guerra.
A compra em pânico de arroz levou a uma alta vertiginosa dos preços, e os canais de distribuição foram desativados quando as autoridades confiscaram ou destruíram a maioria dos barcos e carros de Bengala para evitar que caíssem em mãos japonesas, caso fossem invadidos.
Winston Churchill era o Primeiro Ministro na época de seu envolvimento no desastre e de fato seu conhecimento ainda é um mistério. Em resposta ao urgente pedido do Secretário Geral da Índia, Leo Amery, para liberar os estoques de alimentos da Índia, Churchill respondeu a um telegrama perguntando: se os alimentos são tão escassos, "porque Gandhi não havia morrido ainda" . Inicialmente durante a fome ele estava mais preocupado com os cidadãos da Grécia (que estavam também sofrendo com uma fome em massa) do que com os Bengaleses. “Eu odeio os indianos. São um povo bestial com uma religião bestial”, disse Churchill a Leo Amery. Ele ainda acusou os indianos de provocarem a própria fome por “procriarem como coelhos”. (Livro, “Churchill’s Secret War” - Madhusree Mukerjee)
O arroz repentinamente tornou-se escasso no mercado e, enquanto a fome se espalhava pelas aldeias, Churchill repetidamente recusava súplicas por carregamentos emergenciais de alimentos.
O governo de Bengala falhou em prevenir as exportações de arroz, e fez muito pouco para importar os excessos de outros locais na Índia, ou para comprar os estoques de especuladores e redistribuir aos famintos. No geral, as autoridades falharam em entender que a fome não estava sendo causada por falta generalizada de alimentos, e que a distribuição dos alimentos não era apenas uma matéria de capacidade de transporte, mas em prover ajuda alimentar gratuita em escala massiva: "O Raj foi, de fato, bem preciso em sua estimação da disponibilidade de alimentos, mas desastrosamente errado em sua teoria sobre a fome" . A fome terminou quando o governo de Londres concordou em importar 1.000.000 de toneladas de grãos para Bengala, reduzindo o preço dos alimentos.
Mas a autora Madhusree Mukerjee disse ter descoberto evidências de que Churchill foi diretamente responsável pelo extremo sofrimento. Seu livro, “Churchill’s Secret War”, mostra documentos nunca antes vistos que dizem que nenhum navio podia ser poupado da guerra. Análise de encontros do gabinete de guerra mostra que navios carregados de grãos da Austrália passavam pela Índia em seu caminho para o Mediterrâneo, onde grandes reservas foram construídas.
A Grã-Bretanha explorou brutalmente a Índia durante a guerra e não deixou de fazê-lo mesmo quando a fome começou”. (Livro, “Churchill’s Secret War” - Madhusree Mukerjee)
operamundi.uol.
com.br/conteudo/reportagens/37554/setenta+anos+depois+fome+continua+assombrando+bengala.shtml
A história de um médico que vive em uma comunidade rural durante a segunda guerra. Inicialmente considerado de uma casta superior, começa a perceber, com o avanço da guerra, que todos são iguais em miséria. Ray consegue mostrar a realidade de seu povo de forma crua, mas sem grandes dramas desnecessários. Ele é tão único.