Sam (Mark Duplass) é um roqueiro decadente e abatido. Desempregado e sem apartamento, ele vai para casa da tia (Melissa Leo) como último recurso e torna-se amigo dela, de seu filho adolescente e do amigo dele.
O início do filme pode enganar. O que parece ser um filme idiota sobre adolescentes na época da "espinha na cara" se revela, depois dos 20 primeiros minutos, um filme no estilo "coming of age", com boa dose de comédia, tensão e drama. Impossível não terminar o filme totalmente cativado por ele (e eu acreditei que não chegaria até o fim, mas isso só acontece até o primeiro ponto de virada, que é quando os primos e um amigo param em um hotel de estrada. A partir daí o filme é uma grande revelação tanto na dramaturgia, na fotografia, nas atuações e no uso acertado da trilha sonora).
O primo trintão (interpretado por Mark Duplass) é um looser, em todos os aspectos. Mas se no início buscamos não nos identificar com o personagem (por motivos óbvios), percebemos o quanto de suas angústias existem em cada um de nós. O quanto estamos toda hora querendo criar uma máscara para esconder nossos fracassos.
O fato é que o sucesso e o fracasso são relativos (como sempre). Numa bela cena do filme, um Hippie, com bastante marijuana na cabeça, observa o céu estrelado acima de sua cabeça e fala: "estamos na beira do mundo. Somos pioneiros.". E essa frase pode ter uma conotação bem mais profunda do que pode parecer em um primeiro momento. É quando cai aquela ficha que somos realmente pioneiros é que é através de nossas escolhas que construímos o mundo. E como desbravadores, erramos tanto quanto acertamos, pois não temos uma fórmula mágica que possa concertar a vida da noite para o dia. Mas nossas escolhas pessoais com certeza podem afetar todo o resto.
Deve-se ter em conta que o filme não é uma discussão sobre identidades sexuais, como algumas "chamadas" podem induzir a acreditar. A descoberta da sexualidade é algo totalmente normal e, na fase em que os meninos se encontram (o primo de 14 anos e seu amigo da mesma idade), não necessariamente indicam escolhas por alguma definição sexual. Na juventude, certas coisas podem ser experimentadas por pura curiosidade e podem evoluir ou ficar para trás sem grandes prejuízos. Mas são experiências que nos constroem como seres humanos e que se vistas com simplicidade, importantes para que possamos vivenciar a conexão com os outros.
No fim, pouco importa o que acontece e que gera o grande ponto de virada do filme. Enquanto os primos perdidos na floresta tentam alcançar a praia, acabam voltando sempre ao mesmo rio. É, no entanto, tão simples imaginar que o mar está abaixo, ou na direção oposta, que andar em círculos é quase uma metáfora do que fazemos todos os dias. Apenas quando tiramos nossa máscara e aceitamos que não somos sempre legais, não somos sempre vencedores, não temos as respostas para tudo, é que conseguimos achar o caminho de volta para o acampamento.
O homem não consegue ouvir a natureza assim como não consegue ouvir seus próprios instintos. E não consegue seguir o seu sonho pois ainda acredita que ele é o "condutor do barco do destino". Não, não é. Neste barco somos passageiros (o que também é dito no filme) e apreender a lidar com as situações é a melhor forma de sobreviver à elas.
A vida é feita de escolhas que muitas vezes nos levam à infelicidade ou ao distanciamento de nós mesmos. E somente nós podemos achar o caminho de volta. Mas primeiro é preciso reconhecer que estamos perdidos e que não adianta acreditar que sabemos o caminho. É preciso parar, dormir, sentir frio, sofrer picadas de insetos, para que possamos recomeçar do zero.
O final do filme é simplesmente perfeito e é uma imagem que vai durar para sempre em minha cabeça. Nota 4,5, apenas por causa do início, que me deixou com a impressão de que eu veria mais um filme bobo sobre adolescentes. Não, não vi. E se eu não fosse tão chato daria, com certeza, nota 5.
O início do filme pode enganar. O que parece ser um filme idiota sobre adolescentes na época da "espinha na cara" se revela, depois dos 20 primeiros minutos, um filme no estilo "coming of age", com boa dose de comédia, tensão e drama. Impossível não terminar o filme totalmente cativado por ele (e eu acreditei que não chegaria até o fim, mas isso só acontece até o primeiro ponto de virada, que é quando os primos e um amigo param em um hotel de estrada. A partir daí o filme é uma grande revelação tanto na dramaturgia, na fotografia, nas atuações e no uso acertado da trilha sonora).
O primo trintão (interpretado por Mark Duplass) é um looser, em todos os aspectos. Mas se no início buscamos não nos identificar com o personagem (por motivos óbvios), percebemos o quanto de suas angústias existem em cada um de nós. O quanto estamos toda hora querendo criar uma máscara para esconder nossos fracassos.
O fato é que o sucesso e o fracasso são relativos (como sempre). Numa bela cena do filme, um Hippie, com bastante marijuana na cabeça, observa o céu estrelado acima de sua cabeça e fala: "estamos na beira do mundo. Somos pioneiros.". E essa frase pode ter uma conotação bem mais profunda do que pode parecer em um primeiro momento. É quando cai aquela ficha que somos realmente pioneiros é que é através de nossas escolhas que construímos o mundo. E como desbravadores, erramos tanto quanto acertamos, pois não temos uma fórmula mágica que possa concertar a vida da noite para o dia. Mas nossas escolhas pessoais com certeza podem afetar todo o resto.
Deve-se ter em conta que o filme não é uma discussão sobre identidades sexuais, como algumas "chamadas" podem induzir a acreditar. A descoberta da sexualidade é algo totalmente normal e, na fase em que os meninos se encontram (o primo de 14 anos e seu amigo da mesma idade), não necessariamente indicam escolhas por alguma definição sexual. Na juventude, certas coisas podem ser experimentadas por pura curiosidade e podem evoluir ou ficar para trás sem grandes prejuízos. Mas são experiências que nos constroem como seres humanos e que se vistas com simplicidade, importantes para que possamos vivenciar a conexão com os outros.
No fim, pouco importa o que acontece e que gera o grande ponto de virada do filme. Enquanto os primos perdidos na floresta tentam alcançar a praia, acabam voltando sempre ao mesmo rio. É, no entanto, tão simples imaginar que o mar está abaixo, ou na direção oposta, que andar em círculos é quase uma metáfora do que fazemos todos os dias. Apenas quando tiramos nossa máscara e aceitamos que não somos sempre legais, não somos sempre vencedores, não temos as respostas para tudo, é que conseguimos achar o caminho de volta para o acampamento.
O homem não consegue ouvir a natureza assim como não consegue ouvir seus próprios instintos. E não consegue seguir o seu sonho pois ainda acredita que ele é o "condutor do barco do destino". Não, não é. Neste barco somos passageiros (o que também é dito no filme) e apreender a lidar com as situações é a melhor forma de sobreviver à elas.
A vida é feita de escolhas que muitas vezes nos levam à infelicidade ou ao distanciamento de nós mesmos. E somente nós podemos achar o caminho de volta. Mas primeiro é preciso reconhecer que estamos perdidos e que não adianta acreditar que sabemos o caminho. É preciso parar, dormir, sentir frio, sofrer picadas de insetos, para que possamos recomeçar do zero.
O final do filme é simplesmente perfeito e é uma imagem que vai durar para sempre em minha cabeça. Nota 4,5, apenas por causa do início, que me deixou com a impressão de que eu veria mais um filme bobo sobre adolescentes. Não, não vi. E se eu não fosse tão chato daria, com certeza, nota 5.
O filme realmente surpreende!