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Data de lançamento
12 Jan. 2014Duração
A história é narrada por diferentes perspectivas. Ela acompanha as investigações de um crime que teria sido cometido por um assassino em série. O caso é investigado pelos detetives Rust Cohle e Martin Hart em 1995, na Louisiana. Dezessete anos depois, o caso é reaberto e os próprios detetives passam a ser questionados pela polícia, que ainda tentam prender o mesmo criminoso. Passado e presente serão apresentados em paralelo.
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Porque demorei tanto para assistir a essa série?
Primeira temporada irretocável.
Tem um ritmo lento, é verdade, mas isso não a desabona em nada, porque existe CONTEÚDO. A série é tão bem construída que vai escalando os eventos, as relações e as dinâmicas aos poucos, surpreendendo a gente em uma espiral que, simplesmente, não dá vontade de abandonar.
A forma como o enredo e o roteiro são construídos também é um ponto extremamente positivo e deveria ser objeto de estudo para esses novos roteiristas. Sem firulas, inteligente, sem pobreza e sem ser didática demais.
A construção do roteiro é, para mim, o ponto alto. A entrevista com os personagens contando a história, a retomada da investigação, a linha temporal, os detalhes, a cadeia de relacionamentos... Nada se perde. O tal do Tuttle, por exemplo, aparece brevemente no primeiro episódio e só volta a surgir, também brevemente, muito mais tarde. Ainda assim, está sempre referenciado na investigação. Ele permanece como um ponto de interrogação que não é explicitado o tempo todo. Existe sutileza. Veja que não foi necessário nenhum grande auê para inseri-lo na história.
O roteiro deixa a gente pensar. E isso se manifesta em pequenos takes. Nada é gratuito, nada é entregue de bandeja, diretamente, a queima-roupa. Não é necessária uma cena mostrando Rust de vigia ou um carro estacionado próximo à delegacia observando para sabermos que ele estava acompanhando Martin e os novos investigadores. A série confia na inteligência de quem está assistindo.
As interpretações estão excelentes. Destaque para McConaughey, que não escapuliu do personagem um só momento. O tom sério, compenetrado, frio e pessimista de Rust está presente o tempo todo. Na verdade, houve uma escapulida, na minha humilde opinião, mas por conta do roteiro, não do ator. Ainda assim, relevo, porque foi importante para a história.
A série é inteligente e demonstra pesquisa. O perfil de Rust é um ponto alto. As teorias e crenças dele, que ele chama de realismo, mas que são, na verdade, muito próximas de uma filosofia pessimista. Ele acredita que a existência humana é um trágico erro da evolução, inflada de ego e distanciada da natureza, embora façamos parte dela e não tenhamos distinção alguma em relação a ela. É uma construção de personagem muito bem amarrada ao universo da série.
A linha do tempo é outro mérito. Apesar de ir e voltar, ela é clara e absolutamente coerente: 1995 / 2002 / 2012. Nas citações, eles nunca se perdem no tempo. Não há erro bobo de continuidade. “Trabalhamos sete anos juntos.” “Não nos vemos há dez anos.” E assim por diante. Parece um detalhe, mas é justamente esse cuidado que faz diferença em uma história construída dessa maneira.
E os diálogos? Que suprassumo. O que são os diálogos frios, diretos e conscientes de Rust?! A personalidade dele é muito bem construída. Íntegra. O niilismo e o pessimismo diante do mundo deixam explícito para nós quem é esse cara, como ele enxerga a existência e como ele age.
A hipocrisia também é muito bem abordada, principalmente na figura da Igreja, do Estado e das corporações. Isso fica muito evidente no personagem de Martin. Ele trai descaradamente a mulher, mas fica ofendidíssimo ao descobrir que a filha de 16 anos iniciou sua vida sexual. Dá uma de salvador da pátria e da moral ao aconselhar uma jovem menor de idade aliciada para a prostituição, mas anos depois trai a própria mulher com essa mesma jovem. E tudo isso sem sequer olhar para a diferença de idade e para todo o contexto envolvido. A contradição do personagem é escancarada, mas nunca precisa ser explicada didaticamente.
Martin era o chefe, mas logo a liderança de Rust se impõe irremediavelmente. Ele se torna o cabeça de tudo. Incansável. Movido por um propósito, mesmo que esse propósito também tenha um caráter de fuga da vida vazia que levava. A investigação passa a ser quase uma razão de existir.
Os episódios 4, 5 e 6 são excelentes. É quando as coisas desembocam, se conectam e começam a se explicar. A sensação é de que tudo aquilo que foi cuidadosamente plantado começa a fazer sentido. Você volta alguns episódios para confirmar informações já ditas. Excelente... bem amarrado.
Eu só tiraria aquela ideia de se infiltrar na gangue de motoqueiros/traficantes para localizar o Ledoux. Achei que não soou bem. Veridicamente, haveria outras formas de localizar o cara. Para mim, pareceu uma maneira de agradar quem gosta de cenas de ação, tiroteio etc. A fuga, inclusive, achei bizarra e mal feita. Eles se escondendo em arbustos, o bairro inteiro tomado e, ainda assim, conseguem fugir sem muita dificuldade. Foi o único momento em que senti que a série saiu um pouco da sua própria lógica.
O final é realístico. E isso é justamente o que me admira e agrada: não existem aquelas pirotecnias, aquela necessidade de transformar tudo em um grande espetáculo. É seco. É real.
E, depois de tudo, temos a restauração da amizade entre os dois e, principalmente, a mudança na forma de pensar de Rust. Ao acessar as “trevas”, ele encontra amor. Encontra esperança. É como se, depois de passar a vida inteira enxergando a existência como um erro trágico, ele finalmente encontrasse algo que rompe sua filosofia pessimista.
A metáfora das estrelas no céu escuro, no final do episódio, traduz isso de maneira belíssima.
Um encerramento à altura de uma temporada excepcional.
Obra prima
Hoje revi pela 4 vez. Que série boa zorra. Imagine uma série do Rust Colhe...
Essa primeira temporada se tornou uma das minhas séries favoritas de todos os tempos. É lindo. Triste. E lindo. Eu te amo True Detective. Eu te amo Rust Cohle.
"Toda a sua vida, todo o seu amor, todo o seu ódio, toda a sua memória, toda a sua dor. É tudo a mesma coisa. É tudo o mesmo sonho. Um sonho que você teve dentro de uma sala trancada. O sonho de ser uma pessoa."
"Somos coisas que operam sob a ilusão de ter um eu-próprio, essa acreção de experiência sensorial, fomos programados para pensar que somos alguém quando, na verdade, todos são ninguém."
Acabo de passar a madrugada inteira assistindo pela 3ª vez a melhor temporada de uma série na história. Continua atemporal. As atuações da dupla principal foi digna de prêmios. McConaughey e Woody Harrelson, monstros do cinema emprestando seu talento para a TV de forma impactante. Quanto mais velho eu fico, mais eu me identifico com o Rust Cohle. Pra ser honesto, já me identificava com ele na primeira vez que vi. Um dos melhores personagens já feitos.
5.6.26